Política

CORRUPÇÃO NA SAÚDE

Bolsonarismo e Lava Jato carioca avançam sobre Witzel e ameaçam governadores

Nesta terça-feira (26), a Policia Federal junto com Ministério Público Federal deu inicio a operação Placebo que já nesta manhã começaram a cumprir 12 Mandados de Busca e Apreensão nos estados de São Paulo/SP e Rio de Janeiro/RJ. Os mandados foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A notícia foi antecipada pela deputada bolsonarista, Zambelli, que em entrevista a uma rádio do Rio Grande do Sul nesta segunda-feira (25), a deputada do PSL, uma das principais aliadas de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, disse que a Polícia Federal iria deflagrar operações para investigar irregularidades cometidas por governadores durante a pandemia. Por hora, a PF encontrou um contrato de empresa investigada com a primeira-dama do Rio.

terça-feira 26 de maio| Edição do dia

A Operação que supostamente tem por finalidade a apuração dos indícios de desvios de recursos públicos destinados ao atendimento do estado de emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (COVID-19), no Estado do Rio de Janeiro, acontece justamente após a liberação do vídeo da reunião Ministerial que apesar de não produzir provas contundentes sobre a intervenção política na PF, agravou muito as relações já instáveis entre os poderes políticos.

Segundo informações do Congresso em Foco, Zambelli disse ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha,: “A gente já teve algumas operações da Polícia Federal que estavam ali, na agulha, para sair, mas não saíam. E a gente deve ter, nos próximos meses, o que a gente vai chamar, talvez, de ‘Covidão’ ou de... não sei qual vai ser o nome que eles vão dar... mas já tem alguns governadores sendo investigados pela Polícia Federal”. Procurada pelo Congresso em Foco, Zambelli afirmou que obteve informações da própria imprensa e que esse nome é o apelido dado "pelas pessoas, é como o Petrolão, Mensalão e esse é o Covidão".

Agora pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro parabenizou a Polícia Federal (PF) pela operação que está sendo conduzida nesta terça-feira que tem como alvo o governador do Rio de Janeiro, Wilston Witzel (PSC), que é seu adversário político. 

Entenda a Operação Placebo

Até o momento, a situação do Rio de Janeiro é de 37.912 contaminados 3.993 mortes pela Covid-19. Este trágico dado se soma a precarização da saúde pública, inclusive com corte de salários e falta de EPIs para os trabalhadores da saúde. Apesar de se saber que esta realidade foi provocada pela política irresponsável de Witzel e Crivella que não garantiram testes massivos desde o início da pandemia, a reconversão da industria para produzir insumos para os tratamentos, a falta de leitos e todo o desmantelamento da saúde provocado por estes governos, a operação Placebo aparece justamente neste contexto. 

Em base a duas investigações conduzidas pela força-tarefa da Lava-Jato no Rio e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), ambas relacionam o nome do governador do Rio, Wilson Witzel, com empresários e gestores envolvidos com desvios nos recursos destinados ao combate à pandemia do novo coronavírus no estado. Um dos indícios foi obtido por promotores estaduais após ouvir durante seis horas, na semana retrasada, o ex-subsecretário estadual de Saúde Gabriel Neves, que encontra-se preso no Presídio José Frederico Marques, em Benfica.

É escandaloso que além das medidas irresponsáveis que os governadores e prefeitos tem feito, ainda haja casos de super faturamento e de corrupção nos recursos de combate a pandemia. Por outro lado, é ainda mais ridículo o Bolsonaro que com mais de 22 mil mortes, continue negando a gravidade da Pandemia e todo o tempo tenta empurrar os trabalhadores a maiores condições de risco com o fim das quarentenas, além dos cortes de salários e liberação das demissões. Por isso, é necessário repudiar a MP da Impunidade que previa a impossibilidade de punição de agentes públicos por ações irresponsáveis em relação a pandemia. 

Porém, não pode-se deixar de ver que esta operação da PF não está a serviço de efetivamente garantir o combate a estas negligências dos governos. Muito menos em defender os trabalhadores da saúde que estão enfrentando de fato a Covid-19 em base a péssimas condições de trabalho. Como se sabe, cada vez mais, os poderes de investigação como a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a ABIN e outros órgãos desta ordem, ganham mais importância nas disputas políticas entre o bolsonarismo e o bonapartismo institucional, em especial os governadores.

Como ficou evidente no vídeo da reunião Ministerial, em diversas falas, se falou não apenas da interferência da PF nos interesses de defender a família e os amigos do presidente, mas também em prender governadores. 

Não podemos ter nenhuma confiança que esta Policia Federal, que cada dia mais demonstra os usos políticos desta instituição, para garantir uma investigação e punição em relação aos crimes relacionados ao combate a Pandemia. Precisamos que os trabalhadores assumam como bandeira política a defesa de que estes juízes sejam eleitos, que recebam o salários de uma professora e que possam ser revogáveis a qualquer momento, somente assim, se poderia garantir o confisco dos bens providos da corrupção, retomando estes recursos para salvar a saúde pública, combinado a julgar também os crimes de negligência que fomentam as contaminação e as mortes pela Covid-19.




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