Política

GABINETE GOLPISTA

Blairo Maggi, o Motosserra de Ouro, e o seu gabinete da bala para ministério da Agricultura

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) tem como novo ministro o vencedor do prêmio “Motosserra de Ouro”, também conhecido como o “rei da soja”, o ex-senador Blairo Maggi (PP).

domingo 15 de maio de 2016| Edição do dia

Nessa sexta-feira, 13 de maio, Blairo Maggi coordenou a primeira reunião de trabalho da sua gestão. Foi apresentado o secretário-executivo do MAPA, o coronel da Polícia Militar Eumar Novacki, e o secretário de Política Agrícola, Neri Geller (PMDB) ex-ministro do MAPA durante o primeiro mandato do governo de Dilma Rousseff.

Blairo, já anunciou que além do coronel Novacki o seu gabinete irá contar com outros representantes da Polícia: o tenente-coronel da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, o Coaraci Nogueira de Castilho, e o ex-secretário-chefe da Casa Militar, Walter de Fátima Pereira.

O gosto de Blairo Maggi por aqueles que representam a morte no campo e na cidade não é de hoje. Quando governador do Estado do Mato Grosso (2003 a 2010), Blairo Maggi, tinha na sua base de governo Alexander Maia, tenente-coronel no Estado do Mato Grosso denunciado por enriquecimento ilícito. Além de Novacki e Castilho mencionados acima.

Em 2014, Neri Geller foi citado em possível envolvido em esquemas ilícitos de aquisição de terras no Mato Grosso, a “Operação Terra Prometida” da Polícia Federal. Dois irmãos de Geller foram presos nessa operação. Na época, a bancada ruralista se armou na defesa de Geller, o blindando por meio de acordos e políticas de conciliação de uma investigação consequente.

Novacki também teve o nome citado no Escândalo dos Maquinários em 2010. Na época, o vazamento do depoimento do empresário Pérsio Briante indicou o possível envolvimento do coronel Novack com o roubo de 44 milhões dos cofres públicos do estado do Mato Grosso. Diante de um conjunto de outras acusações em 2015 Novacki mudou-se do Brasil para os E.U.A a fim de “sair de cena”, embora obviamente nunca tenha assumido isso. O coronel volta em 2016 para a política como a principal figura do MAPA junto com Blairo Maggi.

Cabe lembrar que Blairo Maggi é o maior produtor individual de soja do mundo e também a principal figura da transnacional do agronegócio Amaggi. Maggi tem um patrimônio declarado à Justiça Eleitoral da ordem de R$152,5 milhões. Durante toda sua vida política defendeu assiduamente os interesses da bancada ruralista.

Em 2005, Maggi, foi eleito em uma campanha do Greenpeace como o “Motoserra de Ouro”. Havia seis outros candidatos, mas o “prêmio” ficou nas mãos de Maggi. Entre 2003 e 2004, quando era Governador do Estado do Mato Grosso, o desmatamento na região Amazônica chegou a 26.130 km2, tido como o segundo maior da história.

Se por um lado Maggi é considerado o responsável direto pelo derramamento de sangue no campo e pela devastação ambiental da Amazônia, por outro, é considerado um dos homens de maior prestígio e influência no mundo (Revista Forbes) em virtude da sua atuação no agronegócio. O que deixa explicito, mais uma vez, a que(m) Blairo Maggi está alinhado e para que(m) governa.

Para tentar “limpar a cara” de Blairo Maggi, antes de assumir sua nova função no governo, o Supremo Tribunal Federal (STF) arquivou seu inquérito na Operação Ararath. Maggi era investigado por suposta lavagem de dinheiro e corrupção. Jannot, procurador-geral da República que pediu o arquivamento do processo, afirmou não haver provas suficientes para criminalizá-lo. O ministro do STF, Dias Toffoli, acatou ao pedido.

Cabe ressaltar aqui que o MAPA há tempos está nas mãos da bancada ruralista. No primeiro mandato de Dilma Rousseff, Neri Geller, já mencionado nesta matéria era o então ministro. No segundo mandato assumiu a empresária e pecuarista Katia Abreu (PMDB), chamada pelos movimentos sociais de “miss desmatamento” e “rainha da motosserra”.

Katia Abreu esteve envolvida em um conjunto de escândalos e ataques aos camponeses e indígenas. Em 2013 apresentou ao senado um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que objetivava suspender os processos de demarcações de terras indígenas em propriedades ocupadas. Também foi uma das relatoras da medida provisória da grilagem (MP nº458/2009) que legalizou a invasão de terras públicas na Amazônia Legal por parte de agentes do agronegócio. Seus dois irmãos estiveram envolvidos diretamente em casos com flagrante de trabalho escravo. Nesse mesmo contexto Kátia Abreu passou a dar batalha para a alteração da PEC do Trabalho Escravo.

Afinal o que mudou?

O MAPA do governo golpista de Temer é uma nova roupagem para ampliação de velhos interesses. Um ministério de coronéis e de um defensor incansável dos interesses da bancada ruralista. O que muda é o contexto da conjuntura política nacional que permite o aprofundamento e o avanço dos interesses da direita mais reacionária do nosso país. O gabinete da bala se conforma enquanto o Ministério do Desenvolvimento Agrário foi extinto.

Não temos nenhuma confiança no Partido dos Trabalhadores (PT). O que vivenciamos hoje é fruto de uma política de acordos e conciliações que rifaram os nossos direitos, as nossas vidas, em nome da governabilidade do PT. Isto associado a uma hipertrofia do judiciário e a ganância da direita, que já não reconhecia no Partido dos Trabalhadores a melhor via para ampliação dos seus lucros, e portanto, orquestrou-se o golpe institucional.

É necessário um plano de lutas que congregue todos os trabalhadores, camponeses, juventude e setores oprimidos a fim de impor uma derrota a esse governo golpista. Diferente de setores da esquerda, tais como PSTU e correntes do PSOL (como o MES de Luciana Genro), que comemoram a queda de Dilma e a Lava-Jato. Ou seja, entusiasmam-se com os “métodos da direita reacionária” e agitam o “Fora Todos” e “Eleições Gerais” - uma política abertamente funcional a direita. Nós, acreditamos ser necessária a construção de um plano efetivo de lutas rumo a uma greve geral para derrubar o governo golpista de Temer, e impor por meio da força das mobilizações uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que faça com que os capitalistas paguem pela crise e a população trabalhadora da cidade e do campo decidam os rumos do país.




Tópicos relacionados

Impeachment   /    Política

Comentários

Comentar