Educação

ELEIÇÕES 2018

Bebel não é alternativa para o voto dos professores de SP

A educação tem sofrido cada vez mais ataques ao longo de todos os últimos anos. Com o golpe institucional, esses ataques se intensificaram ainda mais e se concretizam com a PEC do Teto dos Gastos, que congela os gastos com a educação e saúde por 20 anos. A Reforma do Ensino Médio, que abre espaço para as demissões e a privatização, além da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), é um projeto para acabar com o sentindo e o conteúdo das escolas. E os projetos dos grandes capitalistas não param por aí. Para seguir pagando a dívida pública, a maioria dos candidatos à presidência promete mais ajustes para a educação pública.

Maíra Machado

Professora da rede estadual em Santo André e militante do MRT

quinta-feira 13 de setembro| Edição do dia

Em São Paulo, a situação das escolas públicas não é nenhuma novidade, o governo tucano de Alckmin implementou uma série de ataques contra os alunos, como o escândalo da merenda, e contra os professores, arrochando os seus já baixos salários e levando à frente dezenas de milhares de demissões de professores contratados ao longo de seu governo. Alckmin fechou quase 9.300 salas de aula só nos 3 últimos anos de seu governo, passando o bastão de ataques para Márcio França, do PSB.

Esses ataques não passaram em branco, sempre foi tradição dos professores de São Paulo resistir e lutar contra o governo. Essa disposição estava escancarada na greve geral de 28 de abril de 2017, quando centenas de escolas pararam e aderiram ao chamado, mostrando que os professores não aceitavam mais os ataques do golpe.

Essa disposição foi sufocada pela direção do sindicato de professores do estado, a Apeoesp, que tem Maria Izabel Noronha do PT, a Bebel, à frente. Mesmo agora, legalmente afastada para concorrer às eleições como deputada estadual, continua a agir assim, mostrando claramente o papel das direções sindicais encasteladas nos sindicatos e alheias às lutas dos trabalhadores.

Bebel, que está há muito tempo fora da sala de aula, afastada dos problemas reais e cotidianos que sofrem os professores, privilegiou em seus anos à frente da presidência da Apeoesp os acordos de gabinete com o governador e os secretários da educação, que não passavam de um verdadeiro chá da tarde.

Os diretores majoritários do sindicato, que atuam com Bebel e com o PT, não estão nas escolas para organizar os professores na base, para lutar contra os governos e sua insistência em privatizar a educação pública paulista. Traíram inúmeras vezes as greves e mobilizações da categoria docente. Assim, vemos o fim dos cursos para jovens e adultos e a redução constante do oferecimento de cursos noturnos para a juventude que precisa mais do que nunca trabalhar. Vemos também a ausência da luta pela implementação da jornada do piso, na destruição paulatina do Hospital do Servidor Público, etc.

A maioria da direção da Apeoesp culpa os professores por não se mobilizarem e faz isso porque sabe que a categoria não confia em sua direção. Se os professores não se mobilizam mais é porque sabem que sua luta será traída ao final, como aconteceu em na maioria das últimas greves da categoria, quando Bebel no alto do carro de som decretava o fim da greve mesmo quando a esmagadora maioria dos professores votava por continuar, ou quando prolongou uma greve com corte de ponto durante três meses, sem organizar um sério e real fundo de greve para a categoria, que até hoje sente as consequências dessa irresponsabilidade.

Nenhuma luta efetiva foi organizada porque durante os anos de governo do PT, esse partido preferiu manter seus privilégios e seus acordos com a direita tucana do que mobilizar os professores. Um jogo político que levou, não somente em São Paulo, mas em todo o país, professores e trabalhadores de distintas categorias a amargarem o golpe institucional e todos os seus ajustes. O PT, que governou com setores da direita e empresários, assimilou os métodos de corrupção próprios do capitalismo, colocou o exército nas favelas e no Haiti, abriu o caminho para o golpe institucional e, mesmo depois do golpe, preferiu manter seus acordos com os golpistas a organizar a classe trabalhadora para resistir de fato ao avanço dos golpistas e do judiciário arbitrário sobre nossos direitos.

O golpe institucional segue avançando no país. Com a proscrição da candidatura de Lula, os golpistas e o judiciário impediram que a população tivesse o direito de decidir em quem votar. Não defendemos o voto e programa do PT, mas lutaremos de forma intransigente pelo direito democrático das pessoas votarem em quem quiser. Essa luta deveria ser travada por cada sindicato, entendendo que a proscrição de Lula se voltará contra o conjunto da classe trabalhadora.

O PT da Bebel é o mesmo que está à frente da CUT e dirige os principais bastiões da classe trabalhadora brasileira. Está provado por A+B que esses dirigentes sindicais temem mais a luta dos trabalhadores do que a direita golpista, porque querem preservar seus inúmeros privilégios adquiridos em anos e anos longe dos postos de trabalho e buscando um caminho fácil para chegar a cargos públicos que vão muito além das diretorias sindicais.

Bebel e os demais burocratas sindicais (dirigentes encastelados e com privilégios) sabem que uma verdadeira mobilização dos professores coloca em xeque os ataques golpistas, assim como vimos na recente vitória dos professores municipais na luta contra a Reforma da Previdência do Doria. Mas o que ela e toda a burocracia sabem mais ainda é que ao entrar em movimento os trabalhadores questionarão profundamente as direções sindicais burocráticas e adaptadas, que buscam disciplinar nossa categoria para que nossa luta seja sempre pelo mínimo, para que não se quebre a ordem que está estabelecida.

Agora Bebel já não está mais à frente da diretoria da Apeoesp, quer alçar voos mais altos, é candidata a deputada estadual em São Paulo. Em vez de sua candidatura estar a serviço de mobilizar os professores, sua campanha serve para manter tudo como está.

Agora os golpistas avançam para atacar ainda mais a educação pública, querem avançar para impor a BNCC e a Reforma do Ensino Médio, um plano que servirá para demitir mais professores em todo o país e reestruturar toda a educação, eliminando disciplinas essenciais para a formação da juventude, transformando o Ensino Médio em semipresencial e abrindo as portas das escolas públicas para o capital privado, assim como foi implementado nos anos de governo do PT, a partir da grande aliança com os grandes monopólios do ensino privado, financiada com dinheiro público.

Para calar os professores e alunos, que lutam contra essa situação na educação, a direita quer impor a Escola sem Partido e impedir o debate político nas escolas. Nossa luta deve impedir que avancem sobre nossos direitos e autonomia, mas ela deve estar ligada à necessidade emergencial de retomar os sindicatos, que são importantes ferramentas históricas de luta, das mãos da burocracia e permitir que nossa categoria entre em movimento e mostre toda a sua potencialidade, que se mostra ainda maior com as mulheres à frente, não num único cargo como Bebel, mas com as mulheres que tomam às ruas em todo o mundo pelos direitos da população e dos trabalhadores. Em uma categoria majoritariamente feminina como a de professores, é com essa influência e força imparável de mulheres que precisamos contar, para travar as lutas que estão por vir no próximo período com qualquer governo que seja eleito, que vai continuar atacando e degradando a vida dos trabalhadores.

Os sindicatos devem ser as ferramentas de luta para derrotar o golpe e a extrema direita e nesse caminho teremos que passar por cima das direções sindicais que usam essa ferramenta como palanque para seus próprios projetos. Os professores precisam ser parte da construção de uma esquerda que aposta na mobilização independente dos trabalhadores, para lutar pela revogação de todos os ataques à educação e nosso sindicato deve estar à serviço desse combate.




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