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Barroso e Fux apoiam transferência do Direito da UERJ e medidas privatistas

Não era de se estranhar que os ministros do STF, com todos os seus privilégios salarias, auxílios-moradia e outros gordos benefícios do Estado, viessem defender essa proposta elitista para a "sua" universidade e formas de financiamento privadas em benefício exclusivo de desembargadores.

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT pelo PSOL em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

quinta-feira 10 de maio| Edição do dia

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso, publicou um vídeonessa quarta-feira, 9, apoiando a proposta de transferência da Escola de Direito da UERJ que está sendo pautada em plebiscito desde o dia 8.

A proposta de transferência do Direito da UERJ é uma medida com claro viés de racista e elitista, como afirmam os estudantes do movimento Direito Fica, uma ameaça à autonomia do conhecimento universitário. O conjunto dos alunos, técnicos e professores tomou ciência das negociações para à transferência da faculdade em agosto do ano passado (2017), sem seque ter sido debatida previamente com a comunidade universitária. Neste período a universidade vinha enfrentando as expressões mais aguda da grave crise que vem enfrentando nos últimos anos.

Veja também: Estudantes e professores contra a saída do Direito da UERJ Maracanã

Os mais de 2.000 estudantes passariam a ter aulas no prédio do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, um espaço que não possui condições de permanência das quais os estudantes, em especial negros cotistas, necessitam para estudar. Os defensores da proposta melhores condições estruturais do prédio, mas que não possui sequer um restaurante universitário, ou garantia de condições de uso de bibliotecas. A localização do prédio trará maior dificuldade de transporte também para o conjunto dos alunos, mas em especial aos moradores de localidades como a Baixada Fluminense.

Ao mesmo tempo, os defensores da mudança propõem enquanto "moeda de troca" garantir vagas para pós graduação de Juízes e Desembargadores, uma cota para altos cargos muito bem remunerados e que não necessitam, e que atacam a autonomia do conhecimento universitário, devia a influência e proximidade do Tribunal de Justiça e dos desembargadores. Isso significaria também o início de um projeto de privatização com um fundo de doadores. Barroso, ao alegar em vídeo a necessidade de "parcerias" com a universidade, endossa esse tipo de proposta e confirma declarações passadas sobre a necessidade de financiamento privado para as universidades públicas.

A UERJ encontra-se em crise de conjunto, enquanto os ministros do Supremo buscam salvar o próprio curso da universidade com uma proposta individualizada e despreocupada com o conhecimento, a formação dos estudantes, de conjunto na universidade. Barroso que compõe a ala abertamente golpista da alta corte do Judiciário, junto com Fux e outros, dando voto favorável à prisão arbitrária de Lula alegando se tratar de uma "renovação" do país, auxilia agora a "renovação" do ensino superior público pela via de sua destruição, começando com a primeira universidade a adotar política de cotas no país.




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