Economia

Banco Central, Imperialismo e Dívida Pública

BC dá U$24,5 bi ao mercado, mas dólar cresce para aumentar o saque e pressionar as reformas

Uma amostra da ofensiva do mercado para que o Brasil envie maiores remessas de lucro para especuladores, encareça o pagamento da dívida pública e encha o bolso de investidores, mas também uma forma de pressão nas eleições por uma agenda de reformas como da Previdência.

Ítalo Gimenes

Campinas

quinta-feira 14 de junho| Edição do dia

No dia em que o Banco Central fez o maior volume de intervenção no mercado de câmbio dos últimos meses, despejando US$ 5 bilhões para segurar o dólar em três leilões extraordinários. Mesmo assim, a moeda dos Estados Unidos não cedeu e fechou a quinta-feira, 14, perto da máxima do dia, em R$ 3,8095, alta de 2,53%.

Esse movimento hoje reflete o fortalecimento do dólar no exterior nesta quinta-feira, que teve forte alta ante divisas de emergentes como Argentina, Turquia e México. O real foi a segunda moeda que mais caiu ante o dólar hoje entre os principais mercados emergentes do mundo, atrás apenas da Argentina. Esse fortalecimento é ligado às tensões comerciais, agenciadas pelo governo americano de Trump e sua política protecionista. Ontem mesmo o FED elevou os juros, favorecendo a fuga de capitais de países emergentes, como Brasil e estes outros já citados, o que também pressiona a elevação do juros nesses países, ou seja, mais recursos à dívida pública.

Nesta sexta-feira, 15, termina o prazo para a colocação de US$ 24,5 bilhões em ofertas extras de swap cambial, volume prometido pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, na semana passada, quando a moeda rondou os R$ 4,00. Desse total, US$ 18,7 bilhões já foram colocados até hoje. Os leilões de dólar de hoje são maiores que o primeiro dos swaps realizado na semana passada, cujo valor ficou em torno de 3,75 bilhões de dólares. Mesmo assim, o mercado não dá trégua e exige mais recursos, desestabilizando a economia do país para pressionar que nessas eleições a agenda de reformas, como a da Previdência, seja assumida pelos candidatos mais fortes, apesar da impopularidade que possam gerar.

Além disso, a alta do dólar gesta ainda maiores contradições para as tendências recessivas que temos no país, tendendo a afetar o preço de alimentos (muitos deles que são “dolarizados”), e encarecer o custo de vida da população. Concomitantemente, são formas dos donos da dívida pressionarem que sejam elevados os juros já extraordinariamente altos no nosso país, para aumentar ainda mais o roubo bilionário dos cofres públicos com o pagamento de amortizações da dívida. Esse é o mecanismo de pressão exercido pelo mercado internacional, que não se satisfaz com essa remessa bilionária de dólares e ameaça sair do país se não favorecerem ainda mais esse roubo.

Com a fuga de capitais pressionada pela elevação e juros americana, ameaça aumentar o déficit fiscal do Brasil e outros emergentes, o que leva a queda da bolsa de valores, desvaloriza a moeda desses país e pressiona por maiores recursos que “controlem” a dívida, enchendo o bolso de grandes banqueiros, investidores, acionistas e especuladores imperialistas.
Esse tipo de movimento imperialista mostra a ingerência que o país se submete e submete dinheiro que deveria financiar saúde e educação quando não contesta a ilegalidade e a ilegitimidade da fraudulenta dívida pública. Ela é o centro de diversas vezes em os governos ajustam as contas a serviço dos trabalhadores e da população pobre, desde a ditadura, passando por FHC, os governos do PT e agora no governo golpista. Nenhum desses governos contestou, pelo contrário, tratou de ajoelhar-se e pagar religiosamente essa dívida, que só cresceu desde então.

Por isso nós do Esquerda Diário defendemos o não pagamento da dívida pública e chamamos a todos que concordam com essa ideia a se somar nessa campanha!




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