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Educação | Atribuição de aulas em SP comprova: novo ensino médio aumenta desemprego dos professores

Processo de atribuição de aulas em São Paulo está desesperador para muitos professores que até agora não conseguiram aulas, isso graças aos ataques que a escola vem sofrendo de Bolsonaro, Doria e Rossieli, como a implementação do novo ensino médio.

segunda-feira 31 de janeiro | Edição do dia

Foto: SUAMY BEYDOUN/AGIF

Desde que a reforma do ensino médio foi anunciada, muitas mobilizações e questionamentos acerca dos danos da reforma do ensino médio para a educação e a carreira docente foram realizados por professores e estudantes. À revelia disso, João Doria e Rossieli Soares, assim como demais governadores, estão implementando o que chamam de novo ensino médio e insistem em tentar enganar os professores e o conjunto da comunidade escolar com argumentos falaciosos de que estudantes e professores irão se beneficiar com as mudanças impostas. No entanto, desde a propaganda que diz que os estudantes poderão escolher as aulas que cursarão, até o discurso de que não faltaria aula para nenhum professor, na prática, estão mostrando que se tratam de mentiras atrás de mentiras.

As atribuições de aulas para o ano letivo sempre são um momento regado a angústia de muitos professores, principalmente os professores categoria O, que não sabem em quantas escolas terão que trabalhar, quando conseguirão aulas para trabalhar e se conseguirão. Mas neste ano de 2022 o que era ruim piorou ainda mais, já que o processo não teve o mínimo de transparência e não há aulas para muitos professores.

Já desde a atribuição dos professores efetivos era perceptível que não haveria aula para todos, pois hoje em dia é exceção o professor que consegue completar a sua jornada de trabalho somente com matérias da sua formação e cargo. Isso porque, apesar do aumento da quantidade de aulas e carga horária para os estudantes, as disciplinas básicas que são da formação dos professores sofreram uma diminuição, fazendo com que muitos professores precisem completar sua jornada com aulas de projeto de vida, eletivas, tecnologia ou de alguma outra matéria correlata e ampliando assim a concorrência pelas aulas.

Mas para os professores categoria O, que participam da atribuição de aulas após os efetivos e estáveis, a situação é ainda mais dramática. São muitos os professores que sequer estão conseguindo aulas e não são poucos aqueles que tiveram aulas atribuídas em 5 ou 6 escolas de maneira compulsória através da Secretaria Escolar Digital (SED), e terão que ir até uma escola para dar duas aulas, recebendo R$13,00 por hora-aula e com o valor das passagens de ônibus e dos combustíveis que só aumentam. Descaso e desinformação é a regra desse processo de atribuição de aulas que causa semidesemprego ou diretamente desemprego de milhares de professores categoria O.

Essa situação é intensificada por uma política de fechamento de salas que já vem há anos por parte do governo de São Paulo. Somado a isso, a implementação das escolas do Programa de Ensino Integral (PEI) contribui com o fechamento de salas pois as escolas que se tornam PEI, além de deixarem de ter aulas em todos os períodos, costumam ter a sua quantidade de salas reduzidas sobretudo no ensino médio, tendo em vista que é comum que esses estudantes conciliem os estudos com trabalho e com outros cursos, não podendo permanecer numa escola de tempo integral.

O novo ensino médio vem para dar um passo a mais no aprofundamento da precarização da educação pública. Com o discurso de que o estudante vai escolher as matérias que mais lhe interessa e que por isso a escola vai ser mais atrativa para esses jovens, essa política reduz a formação geral básica, colocando no lugar matérias como "Marketing digital e vendas em redes sociais", um conteúdo muito ligado a lógica de mercado e que é para ser ministrado por professores de filosofia, geografia e história, esvaziando o currículo para o estudante e para o professor, e na realidade muitos estudantes não estão escolhendo as áreas que irão seguir, já que as escolas não conseguem oferecer todas as possibilidades de escolha.

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A subordinação do planejamento do ano letivo aos ditames da SEDUC-SP, que exibem palestras informando as medidas impostas via Centro de Mídias é mais uma expressão do quanto a autonomia e o caráter reflexivo do trabalho docente vem sendo cada vez mais arrancado dos professores. Ao invés de debates políticos pedagógicos próprios, o professorado é impelido a dar aulas de empreendedorismo, projeto de vida, tecnologia, que estão longe da sua própria formação.

Numa situação de alta do desemprego, informalidade e preço dos alimentos e custo de vida no geral que só aumentam num país governado por Bolsonaro, a política para a educação de Doria, que hipocritamente tenta se colocar como alternativa ao governo federal, em nada se difere. É a manutenção e o aprofundamento da precarização do ensino e da vida dos professores, que tem seu trabalho cada vez mais controlado e que vê a docência perder o sentido ou ainda segue sujeito aos contratos instáveis e com o medo latente do desemprego.

Por isso o Nosso Classe Educação defende a efetivação de todos os professores contratados sem necessidade de concurso, já que os professores categoria O, F, V, são professores como os efetivos e deveriam ter os mesmos direitos, bem como a revogação da reforma do ensino médio e de todas as reformas que retiram direitos dos trabalhadores e da população pobre, esvaziando o ensino e precarizando a vida da juventude. É preciso exigir que esse seja o papel da Apeoesp, sindicato dos professores dirigido pelo PT, que está paralisado frente a essa situação, é urgente organizar nossa categoria para se unificar contra todos os ataques de Bolsonaro, Doria e Rossieli à educação.

Veja mais: A precarização da educação no governo Bolsonaro: Por que enfrentar o novo ensino médio?




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