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Manifestações | Atos 09/04: centrais sindicais não unificam lutas, para fazer campanha eleitoral com a direita

Hoje, sábado (09/04), aconteceram as manifestações contra Bolsonaro, que foram uma convocação formal e esvaziada das centrais sindicais e entidades que estão voltadas para as eleições e não para as lutas.

sábado 9 de abril | Edição do dia

O ato em São Paulo contou com cerca de 1400 pessoas; em Belo Horizonte, cerca de 300 pessoas; no Rio de Janeiro, 350 pessoas; em Natal, 150 pessoas; em Porto Alegre, algumas centenas. O que os números dizem corresponde à baixa expressividade. Isso se deve porque foram extremamente mal construídos pelas centrais sindicais, como a CUT e a CTB, e pela UNE, dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, porque estão mais preocupadas em selar acordos com a direita para fazer campanha eleitoral para a chapa Lula-Alckmin. Mesmo com diversas lutas de trabalhadores ocorrendo pelo país.

O cenário nacional para a classe trabalhadora, mulheres, negros, indígenas, LGBTQIA+ e o povo pobre é de inflação nas alturas, os preços exorbitantes, alto índice de desemprego. E Bolsonaro (PL) e Mourão (PRTB) seguem nos atacando, junto ao Congresso e ao Judiciário, com aprofundamento de ataques centrais, como a MP de legalização do teletrabalho. Também vale lembrar da aprovação na CCJ da Câmara de São Paulo do projeto de lei de Fernando Holiday, ex-MBL, para atacar as cotas raciais no serviço público, o que só fortalece nacionalmente essa direita contra o direito democrático das cotas raciais.

Como disse Marcello Pablito, trabalhador da USP e dirigente do MRT, na manifestação em SP: "Os trabalhadores, as mulheres, os negros e os LGBT estão pagando uma crise que foi criada pelos capitalistas. Estamos passando fome pelo país por culpa do projeto político dessa extrema-direta, pelo governo Bolsonaro e Mourão, mas também do Congresso Nacional, do Judiciário e da direita escondida atrás da ’terceira via’. Também dizemos que é um absurdo, frente a esse nível de barbárie social, nós estejamos vendo uma estratégia clara do PT, do PCdoB, querendo canalizar toda a insatisfação para eleger Lula com um vice como Alckmin, um neoliberal que atacou a juventude, atacou os metroviários, os professores, e o conjunto da classe trabalhadora".

Veja mais: "Quem faz o jogo do Bolsonaro são as burocracias sindicais que não organizam as lutas", diz Pablito

O fato é que acontecem várias lutas de trabalhadores pelo país, ao mesmo tempo que os povos originários se manifestam em Brasília, no Acampamento Terra Livre. Greves de trabalhadores da educação municipal e metroviários em Belo Horizonte, da educação da rede estadual em Minas Gerais, trabalhadores da CSN em Congonhas também em Minas Gerais e em Volta Redonda no Rio de Janeiro, servidores municipais de várias partes do país, paralisações de rodoviários em Recife, no Piauí, no Maranhão e no Rio de Janeiro - onde também aconteceu a recentíssima greve de garis contra Eduardo Paes (PSD), greve de professores municipais em Natal, capital potiguar, servidores do INSS e do Banco Central, paralisação das terceirizadas da limpeza da educação de Campinas, greve dos terceirizados da Gaslub na Petrobras do Rio de Janeiro, são alguns exemplos que mostram a disposição dos trabalhadores e um respiro da luta de classes.

Também ocorre um sentimento de revolta entre operários de fábricas centrais que estão sendo atacadas, como com o fechamento da Toyota, onde familiares e trabalhadores vêm protagonizando atos, e com as férias coletivas forçadas da Mercedes Benz, em São Bernardo do Campo e Grande São Paulo.

As direções burocráticas da CUT, CTB e UNE, abrem mão de organizar e unificar as lutas que poderiam criar forças capazes de serem vitoriosas e ser um ponto de apoio para derrotar Bolsonaro e Mourão pela força da mobilização e jogam seu peso para negociação com os setores da direita pensando nas eleições. Prova disso, foi a convocação do CONCLAT, sem nenhuma construção real entre os trabalhadores, com objetivo único de fortalecer a candidatura Lula-Alckmin, em torno de um acordo entre eles e a burocracia sindical.

Outro exemplo, pôde ser visto na reunião de ontem, sexta (08), do PSB, com Alckmin e Lula, em que Alckmin foi oficialmente indicado para vice.

Nós do Esquerda Diário e do MRT viemos defendendo que não só a palavra de ordem mudou de “Fora Bolsonaro” para uma consigna que se adaptava mais ao calendário eleitoral (“Bolsonaro nunca mais”), como a política dessas centrais sindicais, partidos e organizações que convocaram os atos desse dia 09, é para que eles fosse um palanque eleitoral para a frente-ampla burguesa ao redor da candidatura do Lula e do Alckmin.

Em diversos locais de trabalho e de estudo, defendemos junto a companheiros que constroem conosco a Faísca Revolucionária e o Nossa Classe, que é importante que os trabalhadores e a juventude retomem as ruas contra Bolsonaro e Mourão, mas para fortalecer nossa organização com independência de classe, fortalecer as lutas dos trabalhadores que estão em curso, batalharmos pelo reajuste mensal dos salários junto com a inflação, por uma Petrobras 100% estatal e sob controle dos trabalhadores. Para batalhar contra o aumento dos combustíveis e do gás, pela revogação integral da reforma trabalhista, e de todos os ataques que pesam sobre as nossas costas. Defendemos que não é apoiando a conciliação de classe com a burguesia, e sim com a nossa organização independente, que podemos conquistar essas medidas urgentes, e foi com essa perspectiva que estivemos nos atos de hoje compondo os blocos do Polo Socialista Revolucionário.

Frente a esse cenário, denunciamos também as alianças que o PT vem fazendo, como é o seu histórico e que se fortalece agora nos marcos de que vivemos sob um regime político herdeiro do golpe institucional de 2016, com a direita. É um papel traidor o que vem sendo feito pelas direções burocráticas, diante da crise econômica capitalista que está sendo descarregada nas costas dos trabalhadores, dos setores oprimidos e do povo pobre.

É urgente unificar as lutas pelo país, pela unidade da classe trabalhadora com os setores oprimidos e o povo pobre, com assembleias em cada local de estudo e trabalho, com um plano de luta nacional, passando por cima da estratégia das direções das grandes centrais de buscar manter um compromisso de paz social, e seguir canalizando a insatisfação dos trabalhadores para a eleição da chapa Lula/Alckmin no final do ano, enquanto milhões de brasileiros seguem enfrentando desemprego, fome, carestia de vida, consequências da pandemia e os ataques dos diversos atores desse regime degradado.

Veja também: Flavia Valle: "É urgente que as centrais sindicais rompam a sua agenda eleitoral e fortaleçam as lutas dos trabalhadores"




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