Política

MANIFESTAÇÃO FORA TEMER

Ato pelo Fora Temer convocado pela Frente Povo Sem Medo reúne milhares em São Paulo

O protesto realizado hoje, 22/05, contra o presidente golpista Michel Temer organizado pela Frente do Povo Sem Medo (FPSM), que reúne diversos movimentos sociais, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, contou com cerca de 7 mil pessoas segundo equipe do Esquerda Diário presente (segundo organizadores do evento o ato teve 30 mil pessoas, e segundo a Polícia Militar 2 mil). CUT, CTB e UNE, em sua "oposição responsável, dócil e eleitoralista" não estiveram presentes. PSTU e MES brilharam por sua ausência: uma omissão vergonhosa que mostra a funcionalidade de sua política para a direita e a Lava Jato do Judiciário golpista.

segunda-feira 23 de maio de 2016| Edição do dia

Foto Rede Brasil Atual

A manifestação levou como eixo central a reivindicação do "Fora Temer", contra o presidente golpista, questionando profundamente a legalidade do processo que neste mês tirou Dilma do poder com o impeachment orquestrado pela direita, Judiciário e mídia golpista. O ato contou com a presença da FPSM, MTST, um bloco do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) e algumas correntes do PSOL.

A manifestação se iniciou no Largo da Batata e teve como ponto de chegada a casa do presidente golpista. Ao fim do ato, parte dos manifestantes iniciou um acampamento em uma praça a 200 metros da residência de Temer, que ainda segue no local, embora a Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin já tenha recebido o comando de invadir a ocupação com cerca de 100 policiais, segundo informações da Mídia Ninja. A manifestação acabou por não conseguir chegar na casa do presidente por conta de um bloqueio organizado pela Polícia Militar, também com dois caminhões do Batalhão de Choque. Ao longo da passeata, vários muros do bairro foram pichados com os dizeres "Fora, Temer" e "Golpista".


Concentração do ato no Lgo da Batata

Um dos motivos do protesto foi contra o ataque do gabinete de Temer ao direito à moradia, através do tucano Bruno Araújo, que esta semana revogou duas importantes portarias que permitiam a construção de mais de 11 mil casas do programa Minha Casa, Minha Vida na última terça-feira, 17/05. Esta ofensiva contra os movimentos sociais se baseou nas disposições jurídicas de Alexandre de Moraes, novo empossado do ministério da Justiça, que disse que terá mão duríssima contra os protestos, e não tolerará ocupações de prédios ou imóveis, autorizando nacionalmente reintegrações de posse sem mandado judicial. O corte feito às moradias para a população somam-se aos anúncios de privatizações na área social e educação, assim como na cultura e previdência social.

Como viemos alertando desde o Esquerda Diário, o fortalecimento do Judiciário aplaudido pelo PSTU e pelo PSOL está a serviço de deixar mais vulnerável a esquerda e "pacificar a nação", ou seja, impor a ferro o fim das lutas em curso para poder colher os frutos do golpe.

É lamentável a postura de alguns setores da "esquerda", como o PSTU que vergonhosamente esteve ausente da manifestação (assim como o MES, corrente de Luciana Genro no PSOL), junto aos jovens e setores amplos que repudiam o golpe institucional na direita. Mostram que realmente sua política de Fora Todos é uma fórmula funcional à direita da FIESP, do partido Judiciário e da Rede Globo. Aplaudidos pelos movimentos da direita como o Movimento Brasil Livre (MBL) de Kim Kataguiri, o PSTU hoje aplaude, cada dia mais efusivamente, os resultados do golpe, se constituindo como uma verdadeira sociedade dos amigos do golpe, primeiro pela omissão em combatê-lo, depois por comemorá-lo, para terminar com a política de dar nova vida e legitimidade ao regime da Lava Jato através de eleições gerais.

O bloco do MRT - contou com dezenas de pessoas, inclusive uma delegação de metroviários, trabalhadores da USP, bancários, entre outras categorias, além da juventude Faísca: Juventude Anticapitalista e Revolucionária - levantou a consigna de "Abaixo Temer golpista! Por uma Constituinte imposta pela luta" colocando na ordem do dia a necessidade de vincular a luta contra os ataques dos governos estaduais e do governo golpista de Temer com uma política capaz de impulsionar uma mobilização de massas contra este podre regime político dos capitalistas: uma nova Constituinte imposta pelas lutas, contra o regime da Lava Jato de conjunto e a "Constituinte pela direita" que já está em curso por este Congresso reacionário, eliminando os já mínimos direitos democráticos e trabalhistas que existem na Constituição de 1988 tutelada pelos militares. Esta é uma necessidade imediata, não uma perspectiva longínqua, para que os trabalhadores deem uma saída independente rumo a um governo operário anticapitalista.

Apesar de fazerem parte da Frente Povo Sem Medo, as Centrais Sindicais que apoiam o PT mais uma vez brilharam pela omissão. A CUT estava apenas com algumas bandeiras e uns poucos dirigentes sindicais, e a CTB que simplesmente não deu as caras. Porém essas Centrais não apenas não convocaram para este importante ato contra o golpista Temer, como até agora não organizaram nenhuma grande ação contundente da classe trabalhadora organizada em nível nacional. Deixaram o golpe se instalar, e agora mantém sua paralisia diante dos inúmeros ataques anunciados pelo governo usurpador.

É fundamental que toda a esquerda, os setores mais avançados da classe trabalhadora e todos os que estão se levantando para derrubar o governo golpista e seus ataques, exijamos com toda a força que a CUT e a CTB saiam do imobilismo e convoquem uma grande paralisação nacional e um plano de lutas com greves, ocupações e corte de estradas, até derrotar o golpe. Nessa luta nós reivindicamos que a própria mobilização imponha uma Assembleia Constituinte livre e soberana, para barrar todos os ataques aos direitos trabalhistas, democráticos e sociais que estão em curso.

O MRT repudia veemente toda e qualquer repressão que possa acontecer do tucano Geraldo Alckmin contra o movimento de moradia e o acampamento contra o governo golpista.




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