Educação

PROFESSORES DE SP

Ato da APEOESP serve mais ao PT do que ao combate com o Governador.

Allan Costa

Militante do Grupo de Negros Quilombo Vermelho - Luta negra anticapitalista

sexta-feira 21 de agosto de 2015| Edição do dia

Na tarde da última quinta-feira (20) a APEOESP realizou um ato na Praça da República, centro da capital paulista. Apesar da sequência de ataques e desmandos do governo do estado contra os professores paulistas, o ato teve de dividir seu foco com a defesa do ato pró-Dilma chamado principalmente pelo MTST e CUT e que aconteceria na sequência em outra região da cidade. Em manobra que foi muito comum durante a última greve, a presença da APEOESP neste ato do governo foi votada no último CER, espaço burocrático que não permite o debate com participação da base da categoria, permitindo que as direção majoritária pudesse votar este ato de hoje no mesmo dia do ato anteriormente chamado em defesa do governo.

O ato foi chamado oficialmente para pressionar o governador do estado, Geraldo Alckmin, a cumprir a decisão do STF de pagar o que falta dos dias parados aos professores que participaram da greve que acabou em 12 de junho e que Alckmin insiste em descumprir sem dar satisfações. Além disso, o ato também tinha como pauta a definição do reajuste salarial, prometida por Alckmin para 1º de junho e que até agora segue tão incerta como o pagamento dos dias parados; a garantia da reposição de aulas para os professores que realizaram a greve; contra os ataques do governo estadual à categoria; em defesa da democracia; contra a redução da maioridade penal e das alterações sexistas e discriminatórias no plano estadual da educação.

Apesar da justa pauta de revindicações, o ato escondia por trás uma uma armadilha da direção do sindicato. Conforme denunciamos (http://www.esquerdadiario.com.br/Por-que-os-professores-nao-devem-ir-ao-ato-da-APEOESP-no-dia-20) a agitação em frente à Secretaria Estadual de Educação se mostrou, na realidade, uma forma de concentrar pessoas para o ato em defesa da “democracia”, um disfarce para não escancarar a defesa do governo Dilma, que era chamado para o Largo da Batata, na zona oeste da cidade. Isso ficou evidente tanto na composição do ato, que contava em maioria com os setores governistas da direção do sindicato, como também no rápido (menos de 1 hora de ato) falatório das figuras de sempre, que atacavam o governador no início das falas, mas que em grande maioria terminavam com a escancarada defesa da presidenta.

A primeira atividade da APEOESP depois do fim de sua longa greve não foi mais do que um “esquenta” para o ato em defesa do governo federal e não contou com a presença de muitos professores de base. Essa ausência de apoio dos professores nos faz lembrar do rechaço que a categoria deu ao ato em defesa do governo em 13/03, dia em que se iniciou a greve dos professores, quando a grande maioria dos presentes se recusaram a marchar no ato em apoio à Dilma, mesmo com o rechaço da base da categoria em servir de massa de manobra, os enormes balões da com o nome da APEOESP puderam ser vistos no cenário da marcha pró-governo na noite de ontem. Um pouco antes, ainda de tarde, as poucas falas vindas do alto da caminhão do sindicato que defenderam a não adesão ao ato governista receberam vaias da base da direção do sindicato, ligadas à CUT, uma das entidades que chamaram a defesa do suposto “golpe”.

Bebel, presidente do sindicato, reproduziu à risca o discurso do petismo que procura confundir os trabalhadores com uma suposta ameaça de “golpe da direita” Segundo Bebel quem não defende o governo Dilma “não tem lado” e dessa forma estariam se propondo à uma neutralidade que fortaleceria a direita golpista, chegou inclusive a comparar a situação atual do país com os anos 70, dizendo que naquela época houve união para lutar em nome da democracia. Falou ainda que a crise que o país atravessa é mundial e que responsabilizar a presidenta da república seria equivocado.

Não surpreende a posição da direção majoritária ligada à CUT e ao PT em defender aqueles que lhes interessa. Se é verdade que existe uma crise mundial do capital, o modo como o governo dito dos “trabalhadores” age diante dela é fazendo os trabalhadores pagarem com cortes de investimento em setores como educação e saúde, corte de direitos trabalhistas e concessões ao capital estrangeiro. A crise mundial no Brasil, se materializa em dificuldade para o povo, enquanto os grandes bancos e corporações mantêm lucros recorde. O discurso de defesa da “democracia” através da defesa do PT fica frouxo quando lembramos de fatos recentes, como as leis “anti-terrorismo” que representaram um forte ataque à liberdade de manifestação da juventude e dos trabalhadores, uma resposta clara à Junho/2013, ou ainda a proposta do tucano José Serra de mudança do ECA, que prevê o aumento do tempo de encarceramento de jovens infratores de 3 para até 10 anos e que Dilma e o PT apoiam como uma saída “menos pior” à redução da maioridade penal. Isso sem falar na repressão policial de balas de borracha e gás lacrimogêneo à mando do governador Fernando Pimentel, do PT, contra os manifestantes que lutam contra o aumento da passagem na capital mineira.

Por último, não defender a direita que tenta colocar às mangas de fora e nem o governo petista que ataca os trabalhadores, não é estar “neutro”, pelo contrário, esse posicionamento precisa estar atrelado à um plano que se ponha ao lado dos trabalhadores. A direita e o PT não são capazes de responder aos anseios dos trabalhadores neste momento, logo, nenhum deles merece ser defendido por nós. Reforçamos o chamado aos setores de oposição da APEOESP, como o Bloco, o PSTU e a FOS, por exemplo, para construção de um Pólo que seja uma terceira via que represente a defesa do interesse dos professores e de todos os trabalhadores contra os ataques do governador Alckmin e o ajuste fiscal do governo federal.




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