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ATO CONTRA AUMENTO A TARIFA

Ato contra a tarifa em Osasco: enquanto o ônibus aumenta, dinheiro público roubado paga a fiança do prefeito

Contra o reajuste da tarifa do transporte público, que chega agora a R$4,20, manifestantes fecharam a Av dos Autonomistas nesta quinta feira (05/01), em Osasco. Cerca de 100 pessoas ocuparam as ruas do centro de Osasco, parando a principal avenida da cidade e o terminal Vila Yara.

sexta-feira 6 de janeiro| Edição do dia

Dentre os manifestantes estavam secundaristas, trabalhadores e universitários, reivindicando melhorias na condição dos transportes, o fim da tarifa e o funcionamento 24h dos ônibus.

Bruna (16), secundarista que participava da manifestação, colocou também a grande dificuldade de se conseguir o passe livre estudantil na cidade. "Aqui em Osasco são poucos casos de pessoas que conseguem o passe livre. Tipo eu, por exemplo, não tenho... e tem muita gente que não consegue, é muito difícil. Eu tenho que pagar a passagem daqui e de Barueri também e por isso gasto muito com condução", diz a jovem.

A juventude que trabalha e estuda é uma das mais afetadas pela alta tarifa do transporte, o que se reflete na composição dos atos. "Esse pessoal novo está tentando fazer alguma coisa.", diz ela, "mas ainda tem aquele negócio de ’ai eles são só crianças, eles não vão resolver nada’, com isso o movimento perde, desgasta um pouco, mas a gente tem que fazer alguma coisa, né? Não é nem só o aumento da passagem, os cara dão dinheiro pra deus e o mundo, vários [funcionários] fantasmas, vai preso...", aponta a secundarista, referindo-se ao caso em que estão envolvidos o prefeito e os vereadores de Osasco.

Enquanto faltam recursos para o transporte público, sobram para a fiança de R$300 mil do prefeito Rogério Lins, preso pelo escândalo das contratações de funcionários públicos fantasmas, e empossado 48h após deixar a penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo.

O esquema, que conta com a participação de mais 13 vereadores do município de Osasco, desviou cerca de R$21 milhões dos cofres públicos, pagando apadrinhados que não trabalhavam, mas recebiam como funcionários, enquanto os parlamentares ficavam com parte dos salários.

Esse aumento da passagem do transporte e suas péssimas condições são reflexos da falta de investimento nisso, causada pelos desvios constantes dos políticos corruptos e pela necessidade de lucro das empresas privadas. É imprescindível a luta pela estatização dos meios de transporte públicos sob o controle operário, ou seja, daqueles que os usam e os fazem funcionar. É por isso que levantamos a necessidade de uma assembleia constituinte livre e soberana, imposta pela mobilização, para que a juventude e a classe trabalhadora possam realmente modificar a estrutura do sistema político, erradicando problemas como a corrupção, os privilégios dos políticos e a precariedade dos direitos, como o próprio transporte, a educação, a saúde e a moradia.

O próximo ato contra a tarifa acontecerá dia 13, às 17 horas, em frente à estação de Osasco. É importante que se some a essas ações, exigindo um transporte de fato público, que seja gratuito e de qualidade. A mobilização da juventude nesse momento de ajustes do governo, PEC 55, reforma do ensino médio e reforma da previdência se torna mais que necessária e é um importante um fator de impulso para que se erga a classe trabalhadora, que mais que ninguém sofre com esses ataques.

Depoimento de André (35), que colaborava com a organização do evento




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