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Ato contra a PM na USP é feito nessa sexta-feira

Adriano Favarin

Representante dos trabalhadores no Conselho Universitário da USP

sábado 8 de agosto de 2015| Edição do dia

Nessa sexta-feira, dia 7 de Agosto, uma recém-criada Comissão de Direitos Humanos do Conselho Universitário se reuniu para deliberar acerca do novo tipo de policiamento dentro do campus universitário. Sem avisar ninguém ou sequer consultar a comunidade universitária sobre esse novo tipo de policiamento, a reunião foi chamada em cima da hora na tentativa de impedir que houvesse qualquer tipo de contestação. A Associação de Pós-graduandos (APG) e o Sintusp, a partir do Conselho Diretor de Base, conseguiram organizar um ato de repúdio a tentativa de surdina da Reitoria de impor a presença ostensiva da polícia militar dentro da USP.

Ao término da reunião nada foi decidido. De acordo com os informes da representante dos pós-graduandos na comissão – os representantes dos funcionários e do DCE foram proibidos de entrar na Reitoria e participar da reunião –, o projeto apenas foi apresentado e a maioria dos membros expressou acordo com o projeto (entre eles Sergio Adorno, diretor da FFLCH e Osvaldo Nakao, recém-empossado chefe de gabinete do Reitor Zago ). Nas próximas semanas muito provavelmente a Reitoria vai querer aprovar esse novo projeto.

Com o velho argumento, já tantas vezes demonstrado falso, de trazer mais segurança aos estudantes da universidade, esse novo modelo de policiamento vem na esteira da repressão aos movimentos sindicais e estudantis da universidade. Com a crise na USP instaurada desde o ano passado, a tendência é haver ainda mais cortes e com eles ainda mais resistência por parte dos afetados. Para isso é necessário um modelo de policiamento mais intenso, mais próximo dos estudantes e funcionários, mais repressor.

O ato foi repleto de falas repudiando a atuação da PM dentro da USP e fora dela também. Trabalhadores e estudantes mostraram o histórico de entrada da PM na USP (que é abarrotado de momentos em que ela é utilizada para reprimir os movimentos sociais que se levantam contra as políticas da reitoria) e resgataram também o histórico de violência brutal da PM nas comunidades no entorno (assassinando inúmeros jovens da São Remo, Rio Pequeno, etc.) e no país.

Sobre o intuito da reitoria com esse novo modelo japonês, o diretor do SINTUSP, Magno de Carvalho, afirma “ele [o reitor Zago] quer tirar da universidade a maior parte dos funcionários, está querendo terceirizar tudo. Essa coisa de acabar com a guarda universitária (a guarda da USP tem 25% do efetivo necessário para atuar na USP) e substituir pela polícia militar é perfeito para a reitoria dentro desse ponto de vista de tirar os funcionários. Segundo, pra levar a frente o projeto de sucateamento da USP rumo a privatização é importante militarizar isso aqui, principalmente contra os movimentos dos trabalhadores, estudantis”. Quando perguntado sobre a posição do sindicato e as perspectivas, Magno foi enfático “nós vamos lutar com todas as nossas forças. Esse ato é um pontapé ainda pequeno (porque marcamos de ontem pra hoje), mas contundente. A nossa posição é de fazer todos os esforços para impedir esse projeto, não vamos aceitar pacificamente isso”.

Marcelo Pablito, também diretor do Sintusp completou dizendo que "Nossa posição de repúdio á presença da polícia na USP é expressão da nossa posição de repúdio do papel da polícia nos bairros, favelas e outras regiões da cidade, que sofrem com a violência policial e os assassinatos. Toda essa situação não se dá por fora do debate nacional em torno da redução da maioridade penal, pra criminalizar os jovens, enquanto os governos fecham escolas e salas de aula. Nossa luta é por mais verbas pra toda a educação e contra a violência policial e a presença da polícia que é considerada pelo ONU como a mais violenta do mundo inteiro".




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