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METROVIARIOS DE SP

Assembleia deve debater posicionamento contra prisão de Lula e plano de luta contra os ataques

terça-feira 10 de abril| Edição do dia

A semana que passou foi agitada no pais com a decisão arbitrária do STF acatada rapidamente pelo Juiz Sérgio Moro em prender Lula. No Metrô de SP, o Movimento Nossa Classe teve a inciativa de abrir o debate nos locais de trabalho sobre a importância de ter um posicionamento independente contra a prisão de Lula. Foi elaborado nesse processo um "Manifesto dos Metroviários/SP para derrotar os ataques aos nossos direitos! Contra a prisão de Lula e em defesa das liberdades democráticas". O manifesto vem ganhando apoio a cada dia e já chegou a 70 assinaturas até a data de hoje.

O posicionamento contra a prisão de Lula é um princípio na atual conjuntura, pois trata-se dá continuidade do golpe institucional, que tem como objetivo acelerar e aprofundar ataques aos direitos e liberdades democráticas dos trabalhadores, que vinham sendo feitos nos últimos 13 anos do governo do PT, como a a reforma trabalhista aprovada no Congresso Nacional ano passado. Reforma essa que fundamenta praticamente todos os ataques que o Metrô de SP quer impor ao Acordo Coletivo na campanha salarial. Além disso, é uma ingenuidade pensar que a decisão do Supremo tem como objetivo combater a corrupção. A traição do PT, e de seus aliados como o PC do B e os dirigentes das grande centrais como a CUT e CTB, não estavam na pauta dos juízes: o que estava em jogo ali é uma ação que abrirá um precedente maior ainda contra os trabalhadores e a esquerda.

Entretanto, outro princípio que não devemos flexibilizar é a democracia operária. Ao invés de fazer a discussão na base junto aos trabalhadores, a maioria da diretoria do Sindicato CTB/ CUT e Chega de Sufoco (PSOL), na última sexta-feira impôs um posicionamento com nota publicada no site do sindicato sem passar por nenhum fórum deliberativo da categoria, o que expressa como não querem organizar efetivamente a luta contra os ataques econômicos e do judiciário. Isso é um problema grave, pois não permite que os trabalhadores possam debater o tema democraticamente, e consequentemente expõe apenas a visão de uma parte da diretoria no processo.

O resultado disso é que desta forma a diretoria isenta de denúncia o papel do PT e seus aliados, como o PC do B, que não só abriram caminho para o golpe institucional quando alimentavam a direita, perdoando os golpistas, como também está entregando a luta nas ruas para a direita. A declaração não faz nenhuma exigência de um plano de luta das grandes centrais para barrar o ataque contra os trabalhadores, seguem sua trégua com o governo. E, ao contrário disso, impõe a participação da categoria em vigílias como a que aconteceu em São Bernardo, totalmente inofensivas aos golpistas. A vigília com poucos milhares não foi uma resistência efetiva como poderia ter sido se fosse organizada nos locais de trabalho. Além disso ficou evidente que tudo aquilo era pra encobrir uma política de entrega e conciliação de classes. Ficou evidente, também, os interesses eleitorais, com a apresentação dos candidatos e a possibilidade de algum tipo de unidade eleitoral, até mesmo com setores golpistas como PSB e PDT. Estratégia que vem sendo compartilhada e aplaudida pelo aliado PC do B com Manuela D’Avila, e pela própria esquerda com Boulos do PSOL. E se não bastasse, a declaração ainda vincula a defesa dos direitos democráticos com a atual constituição. Essa mesmo que levou a essa democracia degradada que temos hoje, onde assassinatos como Marielle Franco e atentados a tiros a caravana de Lula fiquem impunes.

Por outro lado, a nota da oposição do Sindicato que vem sendo divulgada, assinada por diretores ligados ao PSTU/Unidos pra Lutar/MES, além de ativistas independentes, se por um lado denuncia corretamente o método da diretoria, por outro acaba tendo um posicionamento político que legitima a prisão de Lula, a ação da continuidade do golpe, alimentando um discurso na base da categoria dando uma falsa ideia de que "temos que ficar na campanha salarial e que pautar esse tema divide a categoria". Um grande erro, pois como foi dito não se posicionar contra a prisão de Lula é dar aval que se aprofunda ataques aos direitos e liberdades democráticas dos trabalhadores. Justamente o que acontece agora com os ataques do Metrô ao nosso acordo coletivo e o avanço da política de privatização e terceirização.

Na quinta feira 12/04 terá mais uma reunião de negociação com a empresa. Na mesma hora, em frente a negociação, está marcada uma manifestação dos trabalhadores da segurança contra as agressões que vem sofrendo, por conta da política da empresa em reduzir drasticamente o quadro operativo nas estações, e que não contente ainda quer retirar o adicional de risco de vida dos seguranças.

Por isso, para além do posicionamento político da categoria, a assembleia de quinta-feira é fundamental para estabelecer um plano de luta contra os ataques ao acordo coletivo, como em relação a implementação do banco de horas, a retirada do plano odontológico, e o não pagamento do adicional aos bilheteria por conta da terceirização das bilheterias. Precisamos de uma luta muito forte, que ganhe apoio da mobilização porque a implementação da reforma trabalhista no Metrô de SP, está diretamente relacionada com a politica de privatização de Alckmin, agora substituído pelo seu vice Marcio França. A mesma dupla que mantém os demitidos da greve de 2014 impedidos de retornar ao trabalho, e orientam a direção da empresa a fazer chantagem com os metroviários pois sabem que perderam na justiça e agora tentam condicionar o retorno dos metroviários com a assinatura do acordo coletivo com todos esses ataques.

Nesse sentido, propomos também como um dos eixos de plano de luta para a campanha salarial um encontro, com trabalhadores eleitos na base das categorias de transporte, para unificar a campanha salarial e organizar uma luta em comum. Afinal de contas, metroviários, rodoviários e ferroviários fazendo greve junto a força é muito maior quando separado.

Chamamos todos os trabalhadores a comparecer na assembleia dia 12/04, fundamental para a mobilização dos metroviários contra os ataques e um posicionamento correto contra a continuidade do golpe, a partir da prisão de Lula. Um debate não está em contraposição a outro, e não significa não dar importância a campanha salarial, pelo contrário está ligado a justamente construir a melhor estratégia para vencer os duros ataques do Governo.




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