Economia

DÍVIDA PÚBLICA E AS REFORMAS

As reformas de Temer são para manter trilhões de reais para pagar a dívida pública

Os políticos, patrões e sua imprensa têm repetido exaustivamente a mesma ladainha para os trabalhadores a respeito das reformas: elas são um “mal necessário” para fechar as contas e manter a “casa em ordem”. O que eles ocultam por trás desse discurso é o maior roubo institucionalizado do país (muito maior que toda a corrupção dos políticos e empresários). Seu nome é dívida pública, e em maio ela atingiu o patamar de R$ 3,253 trilhões.

Fernando Pardal

@fepardal

quarta-feira 5 de julho| Edição do dia

Eles vivem nos dizendo que o corte na nossa aposentadoria é para garantir que no futuro todos se aposentem. Comparando as contas públicas com o orçamento doméstico, dizendo que “quando as contas estão apertadas, a dona de casa tem que fazer economia, gastar menos”, e dizem que com o orçamento do país é igual.

Bom, mas e se metade de todo o seu orçamento fosse assaltado invariavelmente todos os meses, e você tivesse que se virar com o resto? É isso o que acontece com o orçamento do país. Ao ser votado o orçamento de 2017, nada menos do que R$ 1,7 trilhão de reais foram reservados para o pagamento da divida, contudo diferente de um roubo, a divida é paga por livre vontade hierarquia por todos os governos. Enquanto a “caríssima” seguridade social, como eles gostam de dizer, teve destinados R$ 58,3 bilhões.

Isso é mais do que metade do orçamento nacional. Como mostramos aqui, o PIB brasileiro ficou em 6,266 trilhões, em 2016. Quando o artigo citado foi escrito, em 24 de maio, a dívida era de R$3,244 trilhões. Um mês depois, já era R$ 3,253 trilhões.

Uma quantidade de dinheiro impressionante é gasta com a dívida, mas pior ainda é que isso não quer dizer que a dívida está sendo paga. Pelo contrário, como dissemos acima, ela está crescendo. O dinheiro que é roubado pelo governo e banqueiros da saúde, educação, moradia, aposentadorias, serviços públicos e direitos em geral, está indo para o pagamento de juros e amortizações, e a dívida segue cada vez maior. O pagamento da dívida, a sua existência, são uma fraude para roubar os trabalhadores e o povo pobre.

Mas, diferente de nossas aposentadorias que o governo quer arrancar com a reforma da previdência, ou dos gastos com saúde e educação congelados pela PEC 241/55, os políticos nunca, jamais questionam o pagamento da dívida. Aliás, sequer citam sua existência, para que o povo, os trabalhadores, não se lembrem que enquanto eles querem arrancar as nossas necessidades mais básicas, trilhões de reais estão indo para os bolsos dos credores da dívida. E quem são eles?

Os donos dos títulos da dívida, que embolsam o dinheiro pago pelo governo, são especuladores e banqueiros. São os donos do capital financeiro, os patrões mais ricos do mundo que vivem uma vida que nenhum trabalhador sonha viver, com mansões, iates, aviões e muito luxo e privilégios.

Recentemente, Maria Lúcia Fatorelli, uma estudiosa da dívida, deu uma entrevista ao Esquerda Diário falando sobre esse roubo. Ela, com outros ativistas, fazem parte do grupo Auditoria Cidadã da Dívida, que denuncia esse problema, como temos feito aqui no Esquerda Diário com a campanha pelo não pagamento da dívida.

O grupo Auditoria Cidadã da Dívida exige que se cumpra o que está na Constituição de 1988, que é uma auditoria independente para decidir o que é legítimo ou não que se pague. Os políticos tiveram 29 anos para fazer isso e nenhum passo foi dado, o que é mais uma prova de que são cúmplices e defensores do maior roubo aos cofres públicos já praticado.

Nós sabemos que é necessário ter consciência de que esses políticos estão profundamente atrelados aos capitalistas que lucram com esse roubo, e por isso não vão fazer nada para mudar isso. Por outro lado, consideramos a auditoria da dívida insuficiente, pois não há um só centavo nesses trilhões que deva ser pago. Todos vem do roubo do nosso trabalho, do enriquecimento com o suor do rosto dos trabalhadores.

O dia 28 de abril deu uma amostra do imenso potencial que os trabalhadores têm quando estão juntos, organizados e decididos a combater os desmandos dos patrões e seus políticos de estimação, como Temer. Por outro lado, o dia 30 de junho mostrou até que ponto as direções de centrais sindicais como CUT e CTB são coniventes com os patrões, e centrais como UGT e Força Sindical são abertamente traidoras e só se importam em defender o imposto sindical que os enriquece. Não estão nem aí para os trabalhadores.

Organizando nossos comitês de base, construindo a mobilização em cada local de trabalho, exigindo que os sindicatos convoquem assembleias nós podemos e devemos tomar a luta nas nossas mãos. Assim, poderemos golpear os patrões onde eles sentem: no lucro. Com isso, podemos derrubar Temer, as reformas, e avançar para questionar esse regime político que ataca nossos direitos.




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