Política

CORONAVÍRUS / RIO GRANDE DO SUL

As medidas de Eduardo Leite não estão à altura de enfrentar a pandemia no RS

Em um momento em que os casos confirmados de COVID-19 já passam de 190 em todo o estado do Rio Grande do Sul e já se registra dois óbitos, Eduardo Leite assinou carta junto a outros 26 governadores, contra a política de Bolsonaro de minimizar a epidemia. O grupo encabeçado pelo governador de São Paulo João Doria (PSDB) e pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM) tenta se colocar como alternativa "responsável" mas não apresenta um plano de emergência que possa de fato responder à grave crise. No RS, Leite anuncia medidas de contenção da epidemia que não estão à altura do cenário que se avizinha, pois não incluem contratação imediata, conforme demanda, de trabalhadores na saúde e nos serviços essenciais para cobrir os afastamentos por suspeita de coronavírus, testes massivos, abertura de centenas de novos leitos de UTI com respiradores, reconversão da indústria para produção de insumos e outras medidas urgentes.

sexta-feira 27 de março| Edição do dia

Nas lives feitas nessa semana Eduardo Leite anunciou uma série de medidas insuficientes e repressivas. Os anúncios vêm logo após a assombrosa declaração de Bolsonaro, que aprofunda sua linha negacionista de menosprezar os impactos do Coronavírus na vida da população.

Embora com uma linha diferente da de Bolsonaro, Eduardo Leite anuncia magros investimentos na saúde, medidas parciais para diminuir a circulação de pessoas e um absurdo monitoramento das rotas das pessoas por seus aparelhos pessoais.

Há um repasse ínfimo de R$32 milhões do Ministério da Saúde ao Rio Grande do Sul, o que em um estado com cerca de 11 milhões de habitantes significa menos de 3 reais por pessoa para ampliar a estrutura do SUS no RS. Segundo Leite, esse valor será repassado aos municípios. Também anunciou que foram abertos 95 novos leitos de longa permanência no estado, uma pequeníssima ampliação dos quase 13 mil leitos existentes no estado, já insuficientes. E o pior, cada um destes novos leitos custará R$6.000,00 por mês ao estado que pagará esse valor a hospitais privados, trasferindo cerca de R$600 mil por mês para os bolsos de instituições privadas que estão lucrando com a crise da pandemia. O que deveria estar sendo feito nesse momento é que todo o sistema de saúde privado deveria estar sendo centralizado junto ao SUS para disponibilizar todos seus leitos gratuitamente, tudo sob controle dos próprios profissionais da saúde.

A política de testes do governo de Eduardo Leite também está muito aquém do necessário, com testes apenas para casos graves e trabalhadores da saúde, deixando uma margem enorme de possíveis infecções não rastreadas. Leite prometeu a aquisição de testes rápidos e realização de testes por amostragem, sem garantir testes massivos para os trabalhadores da saúde e também dos serviços essenciais que seguem em funcionamento como o transporte, para todos que apresentem sintomas e as pessoas que tiveram contatos com infectados. Além disso, o governo do estado deveria transformar todos os laboratórios farmacêuticos existentes no estado, bem como os laboratórios das universidades, em grandes "fábricas" de produção de testes e análise, estatizando os que forem privados com o controle dos trabalhadores e pesquisadores.

Leite ainda admite a falta de equipamentos de proteção individual para as equipes de saúde, assim como de respiradores e testes, e cita a disputa mundial em torno destes materiais que dificulta o acesso. As medidas que Leite está tomando para “solucionar” este problema é pedir materiais para a China, para as empresas gaúchas e para o Ministério da Saúde. O próprio Leite diz que se estes materiais não chegam antes do pico de contaminação no RS, a tragédia será grande. Se a vida da população gaúcha, sobretudo dos trabalhadores e dos mais pobres, depender da benevolência de quem só se importa com os lucros, como as empresas chinesas, a patronal gaúcha e o governo Bolsonaro, a tragédia já está anunciada. É necessário produção em larga escala de equipamentos de saúde, girar a importante indústria têxtil do estado para produzir máscaras e roupas especiais para proteção, girar a forte indústria metalúrgica para produção de máquinas respiratórias, a indústria farmacêutica e química para produção de medicamentos, álcool gel, testes massivos, etc. Ou seja, empreender esforços no sentido de uma "economia de guerra" contra a pandemia.

Outro anúncio é que a CORSAN irá suspender os cortes de água pelo não pagamento nos próximos 60 dias e suspender o pagamento das residências com tarifas sociais por 3 meses. Porém a conta de luz e os alugueis permanecem intactos, e os trabalhadores terão de continuar pagando mesmo em uma situação em que podem vir a ter sua renda severamente reduzida. Outra medida de emergência em favor dos trabalhadores que é necessária é a suspensão da cobrança de alugueis, água e luz aos trabalhadores que não possam pagar.

Outra medida, escandalosa, é a solicitação às empresas de tele-comunicações para que disponibilizem os dados sobre circulação de pessoas obtidos a partir dos aparelhos celulares para o governo monitorar a circulação de pessoas pelo RS. Uma medida autoritária que nos dá uma mostra de que os governos podem tentar usar a situação de crise para impôr maior controle social e repressão.

Com todas essas medidas que não respondem à gravidade da situação, Leite tenta passar a imagem de um governo sério e responsável, se diferenciando das sandices de Bolsonaro e não tratando o COVID-19 como apenas uma “gripezinha”. Mas o discurso de “vidas em primeiro lugar, economia em segundo” é da boca pra fora, uma mentira, A lógica de Leite e os governadores é garantir o mínimo para a população, visando evitar revoltas sociais e conter a pandemia no limite do que for necessário para viabilizar a retomada econômica, preservando o máximo possível o lucro dos empresários e banqueiros, e mantendo intactos privilégios de políticos e juízes. Em uma mensagem para tentar tranquilizar a patronal gaúcha, afirma que seu decreto ainda prevê o funcionamento das indústrias e da contrução civil, e que a paralisação nestes setores é responsabilidade de prefeituras que foram além do decreto estadual, mas que trabalha para estabelecer a normalidade nesses setores. Assim como estuda permitir a reabertura parcial ou total do comércio.

Em todo o mundo e em todo o Brasil, a preocupação de todos os políticos capitalistas é o lucro em primeiro lugar. Não podemos esperar soluções para esta crise vindas de gente como Eduardo Leite, João Dória, Witzel ou Maia, e muito menos de Bolsonaro.

Não podemos aceitar o discurso de que estamos todos unidos contra a pandemia, os patrões mostram que não estão do nosso lado, se multiplicam denúncias de empresas que não fornecem produtos de prevenção como álcool gel e máscaras para os funcionários, assim como de empresas que já estão demitindo centenas de trabalhadores, deixando famílias desamparadas em meio à pandemia de um vírus mortal para manter seus lucros.

Uma solução realmente coerente com a afirmação de “vidas em primeiro lugar” seria um plano de guerra para garantir emprego, renda e testes para todos, uma solução que só os trabalhadores podem levar à frente. Distintos governos falam de “guerra” contra o vírus, em guerras toda a indústria se reorganiza para produzir armas, munições, equipamentos para destruição em massa, por que agora não fazem o mesmo para produzir álcool gel, máscaras, respiradores e equipamentos em geral para salvar vidas?

O sistema de saúde deveria ser 100% centralizado e estatizado sob controle dos trabalhadores para garantir atendimento à população, não é possível que instituições privadas sigam lucrando com uma crise sanitária. Recursos não faltam, alguns poucos magnatas seguem acumulando bilhões enquanto a saúde vai de mal a pior, toda as fortunas devem ser confiscadas para garantir abertura de leitos para dar conta de salvar vidas, assim como devem ser proibidas todas as demissões. Também para garantir amplas contratações dos trabalhadores da saúde que se encontram desempregados, diferente da pífia contratação “emergencial” que leite anunciou de apenas 17 profissionais da saúde para o estado todo. Além disso, é necessária a contratação imediata de trabalhadores serviços essenciais para cobrir aqueles que se afastam por suspeita de coronavírus, garantindo licença remunerada para eles e os grupos de risco.

É preciso que os trabalhadores se organizem para colocar os diferentes ramos da economia voltados a produzir materiais essenciais para prevenir mais contágios e óbitos. Colocar a indústria para produzir materiais sanitários, equipamentos médicos e alimentos a serem distribuídos para toda a população e principalmente os trabalhadores da saúde e dos ramos da economia que seguem ativos. As gigantes da indústria farmacêutica devem ser estatizadas e colocadas a serviço de suprir a demanda por testes massivos para podermos fazer quarentenas efetivas, bem como da produção de medicamentos e antivirais e à criação de uma vacina contra o coronavírus.




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