Política

EDITORIAL

As batalhas do MRT na construção de uma alternativa revolucionária

A todos que vem acompanhando nossas lutas e acompanhando Professora Marcella em sua denúncia contra Dória, a todos chamamos a conhecer o MRT e a necessidade de não permanecer apenas nas lutas pontuais, mas construir uma organização revolucionária no Brasil que seja parte da batalha por construir um partido revolucionário internacional pra revolução socialista.

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

terça-feira 22 de agosto| Edição do dia

Nas últimas semanas as redes sociais foram tomadas por uma denúncia: a gestão Dória está racionando merendas em São Paulo, e algumas crianças estão tendo as mãos marcadas para controle do racionamento. Um importante ato está sendo organizado para a próxima quarta-feira exigindo o fim do racionamento e merenda para todas as crianças. A denúncia surgiu de uma matéria do Esquerda Diário, portal digital impulsionado pelo Movimento Revolucionário de Trabalhadores. O objetivo deste diário é justamente ampliar a voz dos trabalhadores e da juventude nas suas denúncias frente ao estado capitalista, os patrões e os governos que nos atacam.

Que tenhamos feito esta denúncia chegar a centenas de milhares e contribuído para criar um movimento de luta contra os ataques desta prefeitura é uma grande conquista para um diário que se propõe ser militante e para a luta de classes. Isso foi possível porque o Esquerda Diário conquistou um lugar de referência na esquerda com uma média de 500 mil acessos por mês e onde fazemos permanentemente denúncias como “tribunos do povo”, canalizando a insatisfação de milhares e obrigando a grande mídia a pautar o tema, o que transformou esta denúncia em um dos principais problemas políticos para Dória, figura em ampla ascensão.

A frente desta denúncia esteve nossa companheira Marcella Campos, professora da rede estadual na Zona Norte de São Paulo e agora também diretora da APEOESP pela Oposição Alternativa. No último sábado, Marcella encabeçou o lançamento do Movimento Nossa Classe Educação que reuniu mais de 100 professores e professoras na Casa Socialista Karl Marx com o objetivo de avançar na construção de uma corrente revolucionária de professores em escala nacional. Ao lado dela, compôs a mesa neste Encontro a companheira Grazi Rodrigues, uma jovem professora de Campinas que enfrentou Bebel, presidente da APEOESP que está há anos sem trabalhar. Como uma jovem professora categoria O, Grazi expressou a raiva de milhares de professores contratados que sofrem com a precarização do trabalho. Junto com elas, estavam Danilo Magrão e Maíra Machado, candidatos a vereador de Campinas e vereadora de Santo André, respectivamente, do MRT pelo PSOL, tendo Maíra sido a candidata mais votada do PSOL em todo o ABC paulista.

Estes são alguns dos acontecimentos da última semana que mostram as batalhas que o MRT vem dando para enfrentar os ataques e por sua vez também a burocracia sindical, que tem sido um entrave para o desenvolvimento de nossas lutas. Mostra nossa vontade em ter um diário digital que realmente seja uma ferramenta de luta que possa ser tomado por uma ampla camada da vanguarda operária e estudantil do nosso país. Foi este o objetivo que tivemos quando, frente ao chamado a paralisação do dia 30 de junho, claramente boicotado pelas grandes centrais sindicais, ao invés de semear a ilusão da unidade sem criticar claramente as centrais, fizemos uma grande agitação em diversos estados do país chamando os trabalhadores a "tomar a greve geral em suas mãos", não esperando das centrais sindicais mas sim incentivando a auto-organização dos trabalhadores, com comitês de base, pra impor as centrais sindicais um plano de luta concreto. Se as muitas organizações e sindicatos de esquerda tivessem se colocado este objetivo, poderia ter surgido um polo alternativo à burocracia sindical no país. Entretanto, grande parte da esquerda seguiu a bandeira das Diretas Já, que hoje mais do que nunca fica claro que era apenas o PT fazendo campanha eleitoral pro Lula em 2018.

Agora, frente a esta conjuntura mais à direita, é preciso ainda assim batalhar contra as reformas. Na próxima semana, o Esquerda Diário e o MRT vão lançar uma nova campanha "Abaixo as reformas: retomar o caminho da greve geral", com lambes, panfletos, adesivos e vídeos, chamando os trabalhadores e trabalhadoras a se apoiar na força da classe operária que fez a maior greve geral das últimas décadas e retomar esse caminho, tirando as lições sobre o papel das direções e de que temos que acreditar nas nossas próprias forças. Neste semestre, vamos organizar um importante encontro de trabalhadores e jovens com este mote. É por isso também que num momento em que a classe operária entrou em cena no país, buscamos vincular todos nossos companheiros e companheiras intelectuais para elaborar um forte dossiê sobre o mundo do trabalho na segunda edição da Revista Ideias de Esquerda, como uma contribuição para pensar a complexidade da classe operária no Brasil hoje, esse gigante. A revista agora entra na fase impressa e em breve estará em bancas e livrarias das principais cidades do país.

No Rio Grande do Sul estamos dando uma importante batalha contra a privatização do transporte, encabeçado pelo nosso companheiro Adailson Rodrigues, uma das principais lideranças rodoviárias de Porto Alegre. No Rio de Janeiro, estamos sendo parte importante da luta em defesa da UERJ, nos fortalecendo como alternativa de oposição ao DCE do PT e PCdoB, com Carolina Cacau, ex-candidata a vereadora do MRT pelo PSOL, sendo parte decisiva disso. Com o CAPPF (Centro Acadêmico de Pedagogia) na USP organizando centenas de estudantes para enfrentar a reforma curricular. Em São Paulo, nosso companheiro Guarnieri, operador de trem, integra a chapa recém eleita para a Diretoria da FENAMETRO fortalecendo a batalha contra as demissões no Metrô e para que os metroviários encabecem a luta por uma nova greve geral. Em Minas Gerais com Flavia Valle sempre na luta dos professores chamando a retomar o caminho da greve geral. Em Natal nosso camarada Pablito, referência na luta do movimento negro, dando início a uma importante jornada de discussões sobre marxismo e a questão negra. Em vários estados e cidades, estamos dando batalhas específicas contra os ataques e em todas estas lutas consideramos fundamental a mais ampla unidade de ação para derrotar os ataques, como aqui em São Paulo será decisivo se a esquerda e as entidades dirigidas inclusive pela CUT e a CTB vão organizar todas suas forças para derrotar Dória ou não.

Num momento de enorme ameaça ao conjunto da esquerda, com a reforma política, o Esquerda Diário também está se colocando a serviço de rechaçar a reforma política, que mantém os privilégios da casta política e os lucros dos capitalistas, e quer censurar a esquerda e os trabalhadores. Neste vídeo expressamos a posição do MRT sobre a reforma política e estamos divulgando as opiniões de diversas organizações políticas. Depois dos ataques que o governo golpista de Temer avançou contra os trabalhadores, e a possibilidade de um ataque ainda maior contra a esquerda é preciso pensar os caminhos de construção de uma alternativa revolucionária. Certamente o caminho não é discutir um programa para mudar o Brasil com o PT, como se propõe a plataforma Vamos. É preciso, ao contrário, enfrentar o PT para que a desilusão com o petismo não seja capitalizada pela direita, como vem acontecendo. Para isso, é preciso se colocar claramente como uma alternativa ao PT, tanto na luta de classes quanto nas eleições. É por este motivo e para defender estas ideias que viemos pedindo nossa entrada no PSOL, sem resposta oficial deste partido até o momento.

É por isso que nós do MRT buscamos que o Esquerda Diário seja essa voz independente do PT em combate frontal com o governo golpista de Temer, buscando tirar lições dos processos mais avançados do trotskismo mundial como é a experiência da FIT na Argentina, que com o PTS a frente encabeçou a grande luta da PepsiCo (que contribuiu para barrar os anúncios da reforma trabalhista neste país) e continua crescendo nas eleições. Ao contrário do canto de sereia do neo-reformismo europeu que somente quer administrar com cara mais humana o capitalismo. Com esta estratégia buscamos fortalecer nossas posições no movimento operário e na juventude, na luta das mulheres, dos negros e dos LGBT, para estar à altura das lições do trotskismo, corrente que hoje relembra os 77 anos do assassinato de Leon Trotsky, pelas mãos do stalinismo.

A todos os companheiros e companheiras que vem acompanhando nossas lutas, que são leitores do Esquerda Diário, que vem participando da enorme jornada de lançamentos do livro "Pão e Rosas", que vem acompanhando a Professora Marcella em sua denúncia contra Dória, a todos chamamos a conhecer o MRT e a necessidade de não permanecer apenas nas lutas pontuais, mas construir uma organização revolucionária no Brasil que seja parte da batalha por construir um partido revolucionário internacional pra revolução socialista.




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