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Chile: As ameaças ao povo mapuche da Multigremial Nacional sustentadas por empresários e a direita

Durante a última sexta-feira, a Multigremial, que agrupa a 165 grêmios patronais elaborou um documento público no qual pede liberdade de ação, manifestando "nos declaramos em liberdade para tomar outro tipo de ações de manifestação com o objetivo de exigir aos poderes do Estado solucionar o problema".

segunda-feira 10 de agosto| Edição do dia

Na sexta passada, a organização empresarial conhecida como a Multigremial Nacional, que agrupa a 165 grêmios, realizou um comunicado público exigindo a todos os poderes do Estado, que atuassem o quanto antes para recuperar o que denominam a paz social e fazer prevalecer "a imperação da lei em todo o território nacional", somado a isso, mencionam "nos declaramos em liberdade para tomar outro tipo de ações de manifestação com o objetivo de exigir aos poderes do estado solução ao problema", ao estilo Associação Nacional de Rifle (NRA) dos EUA.

Fica claro que parte dos 165 grêmios patronais que agrupam a Multigremial que representa os interesses de quem se beneficiou de anos de saqueio das terras indígenas, sob a salvaguarda do Estado Chileno, e em base as mais terríveis violações aos direitos humanos, são grupos anti-mapuche que executam atentados e buscam com isso colocar a opinião pública contra as comunidades, que legitimamente defendem o direito à recuperação de terras ancestrais.

A Multigremial

Entre os grêmios que assinam se encontram a Sociedade de Fomento Agrícola de Temuco (SOFO), Corporação Chilena da madeira (CORMA), Confederação Nacional de Transporte de Carga (CNTC) e Salmón Chile A.G.

Uma das maiores conferedações da CNTC (Confederação Nacional de Transporte de Carga), onde segundo CIPER os contatos políticos mais sólidos com este grêmio tem presença em regiões como a Araucanía, Maule e Valparaíso, nos quais encontramos a personagens políticos como Andrés Zaldívar, Ricardo Lagos Weber, eugenio Tuma, Hernán Larraín ou Jorge Pizarro, quem é também sócio de uma empresa de transporte de carga.

Assim também, dentro das organizações assinantes se encontra Salmón Chile A.G., Salmoneira ligada a grandes famílias e empresas transnacionais que exploram e produzem salmão no sul do país, as quais, por sua vez, se encontram em territórios onde vivem comunidades mapuche, yagán e kawesqar.

Junto com esta liberdade de ação que reivindicam os grêmios, se soma a defesa da polícia, manifestando que "se cometeram erros, valorizamos o trabalho que diariamente realizam nossas polícias servindo nas ruas e zonas rurais de nosso país, quem são atacados com todo tipo de arma de grosso calibre e em plena luz do dia, e lamentavelmente não tem instruções claras nem respaldo político para atuar".

Enquanto as multigremiais ameaçam com tomar a liberdade com outro "tipo de ações", junto com o respaldo à polícia, são novamente quem se organizam para incutir o terror através de seus grêmios contra as demandas legítimas dos territórios.

Assim também, enquanto exigem do poder executivo, legislativo e judicial agir o mais rápido possível, sabemos que a ação dos poderes do Estado capitalista se sustenta sob o racismo com o povo mapuche. A militarização e a violência policial e militar em território mapuche é uma questão de anos, e que foi respaldada totalmente pela justiça chilena, e mais, durante o ano de 2001 e 2006, foram imputadas por terrorismo 100 pessoas, enquanto só 9 pessoas foram condenadas, todas foram mapuche, onde a Corte Interamericana de Direitos Humanos conseguiu anular 7 penas, já que foram baseadas em argumentos discriminatórios e não houve provas que pudessem confirmar os delitos associados.

Assim a resposta do governo de Sebástian Piñera, foi de eliminar ainda mais os territórios, inclusive reunindo-se com grêmios empresários e latifundiários que estão a frente da organização de ações racistas e violentas com o povo mapuche, como foi o covarde ataque aos comuneiros mapuche em Curacautín e Victoria. Assim como o fortalecimento de leis que fortalecem o sistema de inteligência do Estado e o uso das forças armadas.

Durante a tarde de domingo, o Presidente da Federação de Caminhoneiros do Sul, que são parte da CNTC, deu a conhecer que nesta segunda-feira se reuniriam com o Ministro Pérez, "Se não nos entregam uma solução ou algo contundente, nós vamos agir de forma diferente" manifestou Villagrán à imprensa, uma posição que se repete na história do grêmio de caminhoneiros.

O governo de Piñera, a Concertação e a Nova Maioria, continuaram com a militarização do territorio mapuche, inclusive aumentando a criminalização ao povo mapuche, e por isso também que os governos empresariais tem buscado defender com unhas e dentes os bolsos de empresários como extrativistas, onde se encontram algumas das famílias mais ricas do Chile, talvez só superadas por famílias da mineração, agora vemos como a multigremial vem se organizando em distintas regiões.

Diante disso, devemos organizar-nos e enfrentá-los com luta e unidade entre o povo mapuche e os trabalhadores, forjando uma aliança para a autodefesa contra o Estado e a reação de grupos fascistas, para lutar pelo direito a autodeterminação do povo mapuche, à desmilitarização de todo o território, a liberdade de todos os presos políticos mapuches e a revolta por uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana.

Pelo direito à autodeterminação do povo Mapuche! Desmilitarização do Wallmapu já! Liberdade às e aos presos políticos Mapuche!




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