Gênero e sexualidade

PAN Y ROSAS ARGENTINA

Argentina: Novamente nas ruas por #NiUnaMenos

A poucas horas de que volte a ressoar em todo o país o grito multitudinário por #NiUnaMenos, se revela a cifra de feminicídios ocorridos no último ano, desde que se realizou a primeira e massiva convocatória contra a violência de gênero.

Andrea D’Atri

@andreadatri

sexta-feira 3 de junho de 2016| Edição do dia

Faz um ano, centenas de milhares de pessoas se mobilizaram em todo o país, impactadas pelos feminicídios que ocupavam as primeiras chamadas dos telejornais. Desde esse dia, até a data, outras 275 mulheres foram assassinadas por violência machista, razão pelo qual 216 meninas e meninos perderam suas mães.

Na última semana, o país se viu comovido por três feminicídios no qual as vítimas tinham a mesma idade, doze anos.

A violência de gênero que se exerce contra as mulheres, também resulta em outras vítimas, que tem se denominado feminicídios vinculados, quando o agressor termina com a vida de homens adultos ou meninos vinculados à mulher a quem pretendem vitimar. Por esta razão, morreram 35 homens e meninos entre junho de 2015 e maio de 2016.

No entanto, apesar destas truculentas estatísticas e da multitudinária mobilização do 3 de junho do ano passado, as demandas exigidas ao governo de Cristina Kirchner, a todos os blocos parlamentários e à Justiça foram ignoradas.

Hoje, com o governo de Maurício Macri, os ataques aos direitos das mulheres se aprofundam: não se cumprem os protocolos de atenção de abortos não puníveis nos hospitais, se desmantelam programas de atenção em saúde sexual e reprodutiva ou diminui o orçamento destinado a proteger as vítimas de violência, a justiça condena mais fortemente a uma jovem pobre acusando-a sem provas de ter praticado um aborto, do que o responsável do massacre de dezembro de 2001. Mas no afan de mostrar confiança ao Papa Bergoglio, Macri doou recentemente mais de 16 milhões de pesos para a sede nacional do programa Scholas Ocurrentes que o Vaticano patrocina, a instituição que mais se opõe aos direitos das mulheres.

Por isso a mobilização não só gritará #VivasNosQueremos, como também que, dessa violência #OEstadoÉResponsável.

Como ocorre também com o tráfico de mulheres, um rentável e mafioso “negócio” para os capitalistas-proxenetas, que se sustentam no machismo de uma cultura patriarcal em que as mulheres são consideradas meras mercadorias das quais os homens podem dispor de suas vontades. Mas que pode funcionar pela participação direta ou o manto da impunidade que é assegurado por funcionários políticos, judiciais e altas patentes das forças repressivas.

a mobilização não só gritará #VivasNosQueremos, como também que, dessa violência #OEstadoÉResponsável.

E isso acontece, enquanto o ajuste cai sobre as costas do povo trabalhador, com tarifaços, inflação e demissões que afetam duplamente as mulheres: as primeiras as serem demitidas, as mais precarizadas, que são chefes de famílias, que são ignoradas inclusive pelos dirigentes sindicais tradicionais.

Nós dizemos que: mexeu com uma, organizamos milhares. E em cada mobilização por nossos direitos, redobramos as forças para fazer realidade a essa consigna, porque estamos convencidas de que os direitos não se mendigam, mas se conquistam com nossa própria luta.

Com já dissemos anteriormente, vamos marchar porque nos sobram motivos. Convidamos você a ser parte desta mobilização em todo o país e junto com as jovens, trabalhadoras, legisladoras e militantes do Pan y Rosas (Pão e Rosas) e o PTS na Frente de Esquerda (FIT). Nós dizemos que: mexeu com uma, organizamos milhares. E em cada mobilização por nossos redobramos as forças para fazer realidade a essa consigna, porque estamos convencidas de que os direitos não se mendigam, mas se conquistam com nossa própria luta.




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