Educação

REFORMA TRABALHISTA NO ENSINO

Após reforma trabalhista, outras faculdades seguirão caminho de demissões da Estácio

Na semana passada a universidade Estácio anunciou a demissão de 1200 professores. Outras instituições do ensino superior privado já seguiram ou irão seguir o mesmo caminho.

segunda-feira 18 de dezembro de 2017| Edição do dia

Não foi só a universidade Estácio, dentro do setor da educação, que viu na reforma trabalhista a oportunidade de atacar os direitos de seus trabalhadores, a partir de uma retórica de crise e “reestruturação de custos” querem na verdade manter sua margem de lucro. A lista de instituições que já demitiram, ou pretendem, demitir professores é grande.

A Metodista mandou embora cerca de 50 professores, conforme cálculos do Sinpro-ABC (sindicato do ABC), que relata atrasos nos salários e no 13° desde 2015. Na semana passada, a Cásper Líbero desligou 13.

Os sindicatos estimam que o Mackenzie anunciará perto de cem demissões. A Laureate, dona da Anhembi Morumbi, se reúne na terça (19), segundo a Fepesp (Federação dos Professores do Estado de São Paulo).

Ainda assim, descaradamente, as instituições querem mascarar a evidente associação entre os processos de demissão e a efetivação da reforma trabalhista, alegando que as reestruturações são de praxe neste período de fim de ano. Não bastasse os elevados números de demissões para desmenti-los, é óbvio o intuito de alteração dos regimes de trabalho. O que ainda não se sabe é o tamanho do ataque que está por vir, dentro das vastas possibilidades de flexibilização permitida pela reforma trabalhista. O que os sindicatos cogitam principalmente é a redução dos salários e/ou a redução da atribuição de aulas; ainda que o estabelecimento de regimes intermitentes não esteja completamente excluído.

Esse processo de flexibilização do regime de trabalho dos professores se insere num quadro maior de precarização do ensino superior privado. A diminuição do crédito para o financiamento estudantil, como o Fies, e o crescimento dos cursos EAD, principal aposta das instituições, são outros elementos da precarização do ensino no setor privado. Nesse cenário, a efetivação da reforma trabalhista caiu como uma luva para as instituições manterem sua margem de lucro e descontarem a crise sobre seus trabalhadores e os alunos.

Para barrar esses ataques precisamos seguir o exemplo que vem da Argentina, nos organizarmos e irmos às ruas, e exigir dos sindicatos e centrais que convoquem mobilizações para derrotarmos as reformas de Temer.




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