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ENVELHECIMENTO

Após atacar direito a aposentadoria, governo quer propor adoção de idosos

Os idosos tornaram-se um fardo para os governos capitalistas que em todo o mundo aplicam reformas da previdência para restringir e precarizar o direito a aposentadoria. No Brasil, depois de aplicar a reforma da previdência, a "solução" do governo para reverter a situação de vulnerabilidade de muitos idosos é propor sua adoção.

segunda-feira 13 de janeiro| Edição do dia

Como "solução" para a miséria capitalista reservada à terceira idade, o governo Bolsonaro através de sua ministra Damares Alves quer propor a possibilidade de adoção de idosos. A ideia é enviar sugestões a parlamentares para regulamentar a possibilidade de "acolhimento" e "adoção" de idosos em situação de vulnerabilidade e abandono.

O mesmo governo que impôs uma série de ataques a aposentadoria com sua reforma da previdência, que queria ter ido ainda muito mais além, atacando justamente os idosos mais vulneráveis reduzindo para R$ 400,00 o BPC (apenas com 70 anos o idoso teria direito ao valor integral), agora quer "posar" em defesa dos idosos.

Veja mais: Mais tempo de trabalho para benefício menor: entram em vigor regras de transição da reforma da previdência de Bolsonaro

A questão do envelhecimento da população é uma contradição fundamental do capitalismo que se acentua nos últimos anos. Vistos apenas como população economicamente inativa pelos governos capitalistas representam um custo para o orçamento. Por isso, por todo o mundo a resposta dos governos capitalistas tem sido o de aplicar reformas da previdência, reduzindo o direito a aposentadoria tornando mais distante e mais precário através da redução também do valor. Enquanto isso, os custos de vida de um idoso no sistema capitalista só crescem, sem saúde pública resta pagar por um plano de saúde - no Brasil em três anos os planos de saúde subiram o triplo da inflação.

Além disso, a proposta do governo rebaixa o idoso a uma pessoa sem autonomia, que obrigatoriamente necessita de uma família para lhe prestar cuidados. Dessa forma, o Estado também se isenta de assegurar políticas públicas para que as pessoas tenham direito a envelhecer com dignidade.

A expressão mais trágica dessa miséria capitalista reservada aos idosos é o que ocorre no Chile, em que devido à privatização da previdência, a média das aposentadorias é abaixo de um salário mínimo. A precarização das condições de vida dessa população e o desespero acabam levando muitos idosos ao suicídio - o país apresenta taxa recordes nesse setor.

Contra essa miséria capitalista, os franceses protagonizam há mais de 5 semanas uma greve para barrar a reforma da previdência de Macron, e já conseguiram obrigar o governo a recuar na questão da idade mínima (64 anos), mas podem avançar para derrotar por completo os planos de Macron. A França mostra como a luta de classes é a única alternativa para frear a contínua precarização da vida e um futuro sem perspectivas que os capitalistas querem nos impor.

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