ELEIÇÕES NA CÂMARA

Apoiado por Covas e com votos do PPS e PT, Eduardo Tuma é novo presidente da câmara de SP

No último sábado, 15, o Vereador do PSDB Eduardo Tuma foi eleito com 51 dos 55 votos para ser presidente da Câmara Municipal de São Paulo com o apoio do atual presidente da câmara Milton Leite (DEM), que será seu vice, e também do prefeito Bruno Covas (PSDB). O que assusta é que tanto a bancada do PT, partido que se diz oposição à Reforma da Previdência municipal, assim como Claudio Fonseca, presidente do SINPEEM e toda bancada do PPS também o tenham apoiado, mesmo Tuma sendo favorável ao SAMPAPREV e a projetos como o Escola sem Partido.

segunda-feira 17 de dezembro de 2018| Edição do dia

No último sábado, 15, o Vereador do PSDB Eduardo Tuma foi eleito presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo com 51 dos 55 votos e com o apoio do atual presidente da Câmara Milton Leite (DEM), que será seu vice, e também do prefeito Bruno Covas (PSDB). Na votação seu adversário, o reacionário Fernando Holiday, do DEM e do MBL, teve apenas um voto. A sessão teve apenas uma abstenção e duas ausências. O mandato de Tuma será de um ano, podendo ser reeleito depois.

Essa eleição com apoio da maioria dos vereadores é muito contraditória, já que teve apoio do PT, da vereadora Juliana Cardoso e o PPS, de Claudio Fonseca, vereador e presidente do SINPEEM, ambos políticos que se colocam como “oposição” ao SAMPAPREV na Comissão de Estudos do projeto – criada por Covas e Milton Leite no final do ano para tentar garantir esse ataque a aposentadoria dos professores e servidores de São Paulo, acompanhando os interesses dos políticos golpistas como Doria do PSDB que tentou aprovar o SAMPAPREV em março e do próprio governo Bolsonaro, eleito exatamente para aprovas ataques aos direitos dos trabalhadores, a começar pela Reforma da Previdência. Por que Claudio Fonseca, presidente do SINPEEM faz um acordo com nossos inimigos, enquanto eles não desistem de aprovar o SAMPAPREV ainda esse ano? A mesma pergunta fazemos ao PT de Juliana Cardoso, que pela via da CUT dirige a maioria dos Sindicatos do funcionalismo municipal e agora concordam com o posicionamento da sua bancada, inclusive por essa via – de negociar os interesses dos trabalhadores municipais e da população - passarão a assumir cargos, como fará o vereador Reis do PT, eleito secretário da gestão de Tuma na Câmara.

Eduardo Tuma não só é da bancada do Prefeito e aliado do atual presidente da Câmara, ambos principais interessados na aprovação do SAMPAPREV ainda em 2018, como é autor do projeto Escola sem Partido a nível municipal, que vem para acabar com a liberdade de crítica dentro das salas de aula e impor uma só ideologia conservadora e que ele quer aprovar ainda esse ano. Sua eleição tem como principal objetivo dar continuidade aos ataques que tentaram impor ao longo desse ano aos professores, servidores municipais e à população, mas que foram barrados até agora pela força da mobilização do funcionalismo que deixou explícito que não vai aceitar esse governo que tenta descarregar a crise em suas costas, como demonstrou na forte greve que derrotou Doria em março desse ano. É muito explícito que Eduardo Tuma faz parte do mesmo projeto político que visa retirar todos os direitos trabalhistas e vender a cidade de São Paulo para garantir o lucro dos patrões em meio à crise.

Se ele não fosse um possível articulador dos ataques e uma garantiria da aprovação do SAMPAPREV caso o projeto não seja votado esse ano e fique para 2019, certamente Covas e Milton Leite não o apoiariam, por isso denunciamos o escandaloso apoio que Claudio Fonseca, presidente do SINPEEM e vereador do PPS e a bancada do PT deram, escancarando sua estratégia de pressão parlamentar, afinal só se se movem pelos acordos políticos e não pela força que tem os servidores em luta. A luta dos professores e do funcionalismo, assim como foi em março, poderia derrotar não só o SAMPAPREV, mas também questionar o desmonte do transporte, saúde e educação – questões caras aos cidadãos de São Paulo que sofrem com o descaso da Prefeitura.

A paralisação e assembleia de servidores que acontecerá dia 21 tem que expressar, para derrotar definitivamente o SAMPAPREV, a força do funcionalismo em defesa não só de sua aposentadoria mas do restante da classe trabalhadora, pois podemos daqui abrir caminho para derrotarem a Reforma nacional da previdência que Bolsonaro e os golpistas querem aprovar ano que vem.

O interesse de dividir as categorias do funcionalismo e os trabalhadores municipais e o restante da população só deveria vir de Bruno Covas e dos vereadores que já se declararam nossos inimigos e não das direções sindicais que enquanto separam e traem a luta com suas estratégias eleitorais-parlamentares, só alimentam a demagogia do governo que quer culpar os servidores pelo seu desserviço à cidade de São Paulo.

Se alguém tem que pagar pela crise que está colocada, que sejam os capitalistas e os amigos empresários de Covas e não os trabalhadores e a população. Qualquer ilusão de que esse projeto pode ser derrubado meramente por um acordo político com os setores que querem atacar os professores e acabar com o direito à aposentadoria serve apenas para fortalecer os patrões que se articulam da melhor forma para aprovar de qualquer maneira os ataques. A única saída capaz de defender os direitos do funcionalismo e barrar o SAMPAPREV, é com a força dos trabalhadores, que devem exigir que seus Sindicatos dirigidos pelo PT e pela CUT, além do SINPEEM dirigido pelo PPS, parem de fortalecer quem quer nos atacar e organizem já um sério plano de lutas pela ligando nossas demandas às da população, juntando a força da classe trabalhadora para golpear com um só punho os interesses de nossos inimigos.

E chamamos a bancada do PSOL que corretamente não participou dessa votação a fortalecer a denúncia do papel que cumpriram a bancada do PT e Claudio Fonseca do PPS na eleição do sucessor de Milton Leite, que assim como ele se colocará contra os interesses dos servidores e da população à serviço de Bruno Covas e seus amigos empresários.




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