Internacional

ELEIÇÕES ARGENTINAS

Apesar da boa eleição, Cambiemos de Macri seguirá sendo minoria no congresso

Na Câmara Baixa não terá quórum próprio. No Senado alcançará um terço. Seguirá dependendo da negociação com os “colaboradores voluntários de governabilidade” do Peronismo.

terça-feira 24 de outubro| Edição do dia

Apesar do triunfo do Cambiemos (partido do presidente argentino Macri) em escala nacional nas eleições legislativas que aconteceram nesse domingo, seguirá dependendo funcionalmente das negociações com o peronismo.

Ainda que o triunfo pareça importante, o governismo segue longe de poder contar só com votos próprios e seguros tanto na hora de aprovar leis como no momento garantir quórum próprio.

Assim, na Câmara de Deputados da Nação, o estimativo dos resultados obtidos poderia permitir ao Cambiemos alcançar 107 legisladores. Mas mesmo com esse número estariam a 22 cargos de garantir quórum próprio.
No novo cenário, o macrismo voltará a depender dos acordos com o peronismo. Sua vantagem se manterá na divisão que assola esse espaço. Divisão que crescerá pelo fato de que as eleições de domingo não deixou vencedores, salvo exceções de menor peso.

O massismo (força política ligada ao ex-candidato à presidência da Argentina Sergio Massa), que anunciou na noite de domingo que seguirá colaborando com a governabilidade do macrismo, terá seu peso reduzido. Passará de 39 legisladores (entre próprio e aliados) a 22. Uma redução considerável que mina o poder de negociação de Sergio Massa.

Massa também sequer estará na câmara, já que seu mandato vence em dezembro. De todos os modos se trata de uma questão menor. Se há algo que Massa deixou em sua passagem pelo parlamento foi a cadeira vazia em varias ocasiões. No caso do senado, Cambiemos também crescerá, mas seguirá longe de garantir um poder próprio. Ali, segundo as estimativas, passará dos atuais 15 integrantes para 24.

Com o crescimento tendo atingido apenas um terço do parlamento, o governismo ainda segue dependente das negociações com o peronismo. O papel que Miguel Ángel Pichetto desempenhou nesses dois anos voltará a ser central na articulação com o espaço peronista. Como ocorreu durante toda a primeira etapa da gestão do Cambiemos, Pichetto seguirá sendo parte dos fatores que garantem a governabilidade ao governo nacional.

No Senado, a presença de Cristina Kirchner poderia ser um fator que gerasse tensão no terreno discursivo. A ex-presidente se debateria entre a simples impotência (com um bloco de 10 senadores) e a dinâmica imposta pelo regime político quanto a leis que garantam as necessidades do Estado e os grandes empresário de conjunto.
Não faz mal lembrar que figuras como Juan Manuel Abal Medina - que foi chefe de gabinete de Cristina - foi um dos garantidores da aprovação de leis enviadas pelo Cambiemos ao Senado. O fundamento foi sempre a necessidade de “sustentar a governabilidade”.

Este domingo, no discurso que deu no do Estado de Arsenal, em Sarandí, a ex-presidente citou a Unidade Cidadã como um projeto que se manterá para enfrentar o ajuste.

Mas vale lembrar que disse o mesmo diante de uma Plaza de Mayo lotada em 9 de dezembro de 2015. Nesse dia também prometeu “resistência com garra”. Nos meses seguintes mostraram a proliferação de “traidores” entre os mesmos legisladores eleitos e o abandono de qualquer resistência na ruas.

Quem quer enfrentar o ajuste que virá, possivelmente terão que mirar na esquerda se querem resistir efetivamente.




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