Negr@s

MARIELLE, PRESENTE!

Ao chamar reunião, DCE da UERJ ignora luta por justiça por Marielle

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

Isabela Santos

Estudante de Serviço Social da UERJ

segunda-feira 26 de março| Edição do dia

O DCE da UERJ, gestão Nosso Sonho Não Vai Terminar (PT e PCdoB), criou um evento e enviou convocatória aos Centros Acadêmicos para um Conselho de CA’s nesta segunda feira (26/03). Pelas pautas que constam na convocatória enviada por e-mail e no próprio evento fica evidente, mais uma vez, que o Diretório Central do Estudantes da UERJ está longe da realidade da UERJ, da crise do Estado e do país. Isso porque a pauta nada mais é do que um calendário oportunista de construção da UNE.


Veja a a convocatória enviada e as pautas que serão abordadas

A atual direção dessa entidade, que há anos atua sistematicamente para desmoralizar o movimento estudantil da UERJ, ignorou o assassinato de Marielle, mulher negra, LGBT, cria da favela da Maré e 5° vereadora mais votada da cidade do Rio. Ignora que sua morte transformou a cidade do Rio, e diversas cidades do país, no palco de mobilizações de milhares nos últimos dias. Que a solidariedade e luta por justiça após sua morte tomou o mundo. Que tal qual Marielle são milhares de estudantes da UERJ, primeira universidade a adotar o sistema de cotas no país e notoriamente uma universidade negra, repleta de mulheres, LGBT’s e moradores das favelas, baixada e periferia do Rio de Janeiro. Dentre esses milhares muitos foram às ruas expressar sua indignação contra esse estado, que é responsável pela morte de Marielle como também pela precarização da nossa universidade.

Não tem pauta do movimento estudantil da UERJ hoje que que não passe por pensar a realidade a partir desse acontecimento. O sentimento de revolta que se demostrou nas ruas, e também ecoou nas universidades de todo país, segue sendo abafado por essa gestão que se recusa a organizar espaços onde os estudantes possam debater os problemas da universidade, o que significa a execução de Marielle e como seguir na luta por justiça e contra intervenção federal. Esse mesmo DCE, que nem uma concentração para os estudantes da UERJ chamou nos atos por Marielle, agora convoca um espaço onde só os centros acadêmicos têm direito a voto e no quala pauta passa longe das necessidades do cenário nacional, da UERJ, da luta por Marielle. O DCE da UERJ não quer organizar a luta por justiça a Marielle.

Como se não bastasse ignorar os elementos acima o DCE parece não ser uma entidade da UERJ, já que nenhuma das pautas se propõe a discutir o fato de que a universidade segue enfrentando sua pior crise financeira e que retomou as aulas no começo deste ano para terminar o 1° período de 2017. Tendo tido um período extremamente difícil para os estudantes que, depois de meses sem aula, retornaram as salas sem ao menos conseguir reorganizar suas grades. Não há na pauta a discussão sobre as bolsas de fevereiro. (CETREINA) que já se encontram atrasadas e sem previsão para pagamento.

Não consta também na pauta o absurdo corte de bolsas em diversas pesquisas que deixará vários estudantes sem seu sustento e que em alguns casos inviabilizará a continuidade das pesquisas. Isso porque há professores que perderam todas as suas bolsas como reflexo dos cortes do orçamento da universidade que vem se acumulando ao longo dos anos e prejudicando ainda mais as condições de estudo, ensino e pesquisa. Não se fala da tentativa transferência da Faculdade de Direito da UERJ iniciada no ano passado, ou que recentemente nos banheiros da universidade surgiram ameaças de cunho Nazista à LGBT´s, ou ainda do fato dos terceirizados (em sua maioria mulheres negras) seguirem enfrentando atrasos sistemáticos nos pagamentos dos seus salários.

Só no mundo oportunista do PT e do PCdoB é possível que se estabeleça um espaço do movimento estudantil tão por fora da realidade do país, do Estado e da própria universidade. Mais uma vez isso só mostra o freio que essa entidade representa para a luta dos estudantes da UERJ e para que a força do movimento estudantil, que já se provou em diversos momentos da história e da luta da nossa universidade, se ligue com as necessidades do conjunto da sociedade.

Além disso, o DCE acha que os estudantes não têm memória e desde que essas correntes assumiram a entidade em 2013 fazem de tudo pra suas gestões durarem muito mais que um ano. A última eleição para o DCE foi em novembro de 2016, estamos indo para abril de 2018, um ano e 5 meses de gestão e nada de calendário eleitoral.

É preciso que nos organizemos para superar esse DCE que não se preocupa em organizar a luta e os estudantes para fazerem diferença dentro da universidade e nas lutas fora dela. Precisamos de uma entidade que se proponha a organizar a raiva e indignação dos estudantes da UERJ, que queira ser parte da luta por justiça para Marielle e que reconstrua um novo movimento estudantil. Por isso fazemos um chamado aos que se indignam com esse absurdo a travar uma batalha junto com a Faísca para que o movimento estudantil da UERJ se coloque à frente da luta por Justiça por Marielle, contra intervenção federal e por uma comissão de investigação independente e em resposta aos ataques à UERJ. Chamamos a todos a irem ao ato convocado para esta quarta-feira (28/03) para que esta luta siga viva nas ruas.




Tópicos relacionados

Marielle Franco   /    UERJ   /    Rio de Janeiro   /    Negr@s   /    Juventude

Comentários

Comentar