Internacional

ASSEMBLEIA CONSTITUINTE DA CIDADE DO MÉXICO

Anticapitalistas na Constituinte e as tarefas da esquerda socialista

A poucos dias da votação das resoluções da Assembleia Constituinte, Anticapitalistas na Constituinte é o fato novo nesta campanha eleitoral.

quinta-feira 26 de maio de 2016| Edição do dia

Estamos a poucos dias das eleições da Assembleia Constituinte da Cidade do México. Em outras circunstâncias, essa eleição seria apenas uma passarela onde desfilam os velhos partidos do Congresso.

Porém, a candidatura por parte de Anticapitalistas na Constituinte – chapa impulsionada pelo Movimento de Trabalhadores Socialistas (MTS) e encabeçada por Sergio Abraham Méndez Moissen e Sulem Estrada – é um fato novo. Pela primeira vez em décadas, uma candidatura operária e socialista emerge no panorama eleitoral do país com uma proposta política de alternativa frente aos partidos que estão a serviço dos empresários.

Isto – a participação eleitoral da esquerda socialista – não pode ser visto como um fim em si mesmo. É parte de um conjunto de ações que visa fortalecer uma perspectiva distinta no movimento operário e de juventude. Isso implica considerar os processos políticos e sociais, assim como as direções surgidas nos últimos anos.

Um novo momento da luta de classes

O novo século transcorreu seus primeiros anos com o “fim do neoliberalismo”, a crise econômica de 2008 e o surgimento de novos processos de luta de classes como a primavera árabe no Magreb africano, que teve seu correlato em uma virtual revolta juvenil a nível internacional: desde os indignados espanhóis até a “juventude sem medo” no Chile. No México, podemos dizer que de 2011 até 2015, emergiu um novo ciclo da luta de classes: o movimento contra a militarização, o #YoSoy132, a luta magisterial e o imponente movimento pela aparição com vida dos 43 normalistas de Ayotzinapa. Protagonizados por jovens, em sua maioria estudantes tanto da alta classe média como da juventude precária, mas também pelo setores de trabalhadores e as classes médias, esses movimentos tiveram seu epicentro na Cidade do México. Não é um fato menor que os candidatos da Chapa #5 foram parte ativa desses processos.

Esta geração se encontra hoje em uma encruzilhada. Ou se faz forte uma perspectiva revolucionária e com independência de classe, que articule a luta com a necessidade de que a juventude e os trabalhadores ponham em pé sua própria alternativa política ou ir atrás de uma nova mediação surgida das entranhas do PRD: o MORENA.

MORENA

Em 2015, o MORENA emergiu como uma novidade no panorama nacional e em particular na zona metropolitana. Ali, onde esteve o centro das mobilizações do #YoSoy132 as centenas de milhares que saíram às ruas pelos normalistas de Ayotzinapa. O MORENA se converteu na alternativa eleita por milhões para mostrar seu descontentamento frente ao regime político e a “narcopolítica”, mas até quando as direções populistas e reformistas que encabeçam as mobilizações mencionadas sustentarão uma estratégia política que evitou que as mesmas pudessem mudar de forma definitiva a correlação de forças frente ao governo e o regime político.

A força liderada por Andrés Manuel López Obrador (AMLO), ainda que mantenha um discurso de oposição, evidencia seguir os passos do velho PRD. Incluiu em sua legenda eleitoral empresários e ex-integrantes do PRI e do PAN, reciclando os mesmos políticos parasitas que estão a serviço dos capitalistas, dando-lhes uma “segunda oportunidade”. Isso é consequência de uma estratégia centrada em reformar e democratizar as instituições de forma ultralimitada, apelando para integrar as suas fileiras personagens da “máfia do poder”, que o mesmo AMLO pretende combater.

MORENA, ao não questionar até o final o caráter do regime a serviço das multinacionais, não pode dar uma resposta integral para as aspirações de mudança do povo trabalhador e da juventude.

As perspectivas para construir uma alternativa socialista

Os que impulsionam a chapa Anticapitalistas na Constituinte são parte de uma organização socialista e internacionalista. No passado, quando a maioria da esquerda se adaptou as variantes democráticas do regime, ao reformismo e populismo, mantivemos uma perspectiva revolucionária. Isso nos permitiu, frente as novas oportunidades da luta de classes, ser parte dos distintos movimentos protagonizados pela juventude e os trabalhadores; desde o #YoSoy132 até a luta pelos 43 estudantes e a heroica resistência magisterial, nas quais confluímos com jovens, estudantes e trabalhadores.

Como propomos, queremos chegar na Constituinte para defender os direitos dos trabalhadores, das mulheres e da juventude, e propor – também nesse terreno – a necessidade de ampliá-los, conscientes de que os direitos trabalhistas e democráticos se conquistam nas ruas.

Dessa vez, nossa participação eleitoral está posta à serviço de uma tarefa chave. Aos milhares que recebem as propostas dos anticapitalistas, lhes propomos construir uma nova força política no México. Para isso, é fundamental assumir uma perspectiva de independência de classe. Isto implica, em primeiro lugar, criticar a estratégia política – centrada na reforma do regime atual – da direção lopezobradorista e outras alternativas de centro-esquerda, sejam “partidárias” ou “cidadãs”, e um diálogo profundo com as aspirações e anseios de mudança dos milhares de trabalhadores e jovens que confiam hoje em AMLO, para convencê-los de assumir uma perspectiva de transformação radical do atual regime econômico, político e social.

A emergência de uma organização revolucionária no México só poderá fazer-se ganhando muitos trabalhadores e jovens que foram parte dos movimentos de luta mais importantes dos últimos anos, e que hoje simpatizam com a direção de López Obrador.

Isso implica também na luta na luta estratégica com as direções do movimento operário que se proclamam democráticas, mas levam os trabalhadores a confiar nos partidos “opositores” que são parte do regime político. A luta contra a subordinação do movimento operário é uma tarefa histórica no México e é imprescindível para construir uma organização que não luta apenas pelas demandas sindicais, mas também tome como tarefa edificar um novo movimento operário, classista e revolucionário.

Por isso, nossa atividade política está posta a serviço de que novos setores de trabalhadores e jovens abracem as ideias socialistas, cujo objetivo estratégico é acabar com o capitalismo, impor um governo dos trabalhadores e construir uma sociedade sem exploradores e nem explorados.

A classe trabalhadora e o povo do México merecem uma nova organização socialista e revolucionária, que se prepare para sacudir o México em todas as suas colunas.




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