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TRIBUNA ABERTA | TELEMARKETING

AlmavivA do Brasil: onde abuso e desrespeito andam juntos

Relato de abuso, desrespeito e assédio na empresa AlmavivA do Brasil, grande empresa de callcenter, de um ex-trabalhador da filial de Belo Horizonte.

terça-feira 14 de março| Edição do dia

3 meses. Esse foi o tempo que trabalhei como “consultor de atendimento”, vulgo atendente de callcenter, na AlmavivA do Brasil na filial de Belo Horizonte. Se eu for contar toda a minha história e tudo o que aconteceu, provavelmente esse artigo ficaria muito grande e desagradável de se ler, por isso vou fazer um Top 5 das piores coisas que aconteceram comigo ou com colegas na AlmavivA de Belo Horizonte.

5º lugar: Antes de entrar na AlmavivA é necessário um curso de formação, onde tudo que recebemos é uma ajuda de custo com a passagem e um lanche magro para cada seis horas e vinte minutos diários de segunda a sábado. Em um dos dias tivemos que realizar o exame médico nas próprias instalações da AlmavivA (o treinamento é feito pelo Instituto Crescer de Belo Horizonte). O horário marcado era às 13 horas em ponto e para que pudéssemos sair com no máximo 30 minutos a mais que o horário normal de 13:50. Ao chegarmos no ambulatório, fui o terceiro, percebi que tinham pessoas ali que chegaram para fazer o mesmo exame às 8 horas da manhã. Resultado? Eu saí de lá as 15:40 da tarde tendo pessoas que saíram às 17:30. Um futuro supervisor não pôde entrar na empresa pois estudava na PUC-MG e tinha prova no dia. Perdeu a vaga pois não pôde ficar para o exame. Nunca fui compensado por essas horas.

4º lugar: Com 1 mês de empresa, tendo entrado para atender no setor de planos Controle da TIM, fui remanejado para o setor de Pré-Pago com um mísero treinamento de 3 dias que não ajudou em nada. Detalhe, mesmo com 1 mês de empresa eu já era um dos melhores atendentes do setor, e mesmo assim fui rebaixado (somente pessoas do setor de Controle conseguem promoções).

3º lugar: Tatiana é a melhor atendente do Pré-Pago (afirmo que mesmo tendo saído de lá ela ainda deve ser). Além de ser ótima atendente, ela sempre ajudou os supervisores com seus sistemas e os pontos dos demais atendentes, além de ser uma ótima líder. Bem, isso é o que eu acho, pois para a AlmavivA ela não se enquadra como uma líder, por isso não passou no processo para ser supervisora. Quando teve uma leva de pessoas convidadas para mudar para o Controle, ela não foi chamada. Está na empresa a mais de 1 ano.

2º lugar: As mudanças de horários são frequentes. Até duas vezes ao mês é realizado o “depara” para a mudança não só de horários como de equipes. Não é raro o atendente sair de um horário e uma equipe onde está confortável e com bons resultados para ir para um horário mais cedo ou mais tarde que atrapalha sua vida fora da AlmavivA (muitos tem dois empregos) e para uma equipe com um supervisor ou outras pessoas com as quais não se dá bem. O melhor de tudo é que os atendentes não eram nem consultados sobre seu horário, muito menos comunicados por alguém. Eles chegam nas Plataformas de Atendimentos, ligam o sistema e lá veem que seu horário mudou.

1º lugar: Quando a estrutura é podre, não adianta, tem podridão em todo lugar. Um ex-colega de Pré-Pago foi para a equipe de outro supervisor. Em um dia estava em vigor um QA de rede (quando o sistema apresenta lentidão ou travamento total, autorizando os atendentes a pedir o retorno em uma ou duas horas) de lentidão, porém o sistema estava funcionando normalmente, então esse meu ex-colega continuou a atender. Porém, quando seu supervisor percebeu isso ele foi à sua PA (plataforma de atendimento) e o indagou sobre isso. Meu ex-colega respondeu que estava atendendo pois o sistema estava normal, ele foi perguntando a todos os 15 outros membros da sua equipe se eles estavam atendendo, isso já em tom de deboche, até voltar ao meu ex-colega e, ainda em tom de deboche, mandar ele parar de atender e f*der com os resultados da equipe, seguindo isso de alguns xingamentos. Meu ex-colega chorou no dia por isso. Mesmo quase dois meses do acontecido e nem a AlmavivA e muito menos o sindicato deram alguma solução ou resultado.

Menções Desonrosas: Não é possível fazer um trabalho de qualidade quando as cadeiras estão quase 90% das vezes faltando peças ou estragadas, quando os fones de ouvido não estão em boas condições, quando o sistema de ponto te rouba minutos trabalhados, quando os computadores não funcionam direito, quando os sistemas fornecidos pela TIM são tão lerdos que se torna impossível de cumprir as metas e quando se tem muitos colegas que realmente não se importam em atender bem, tendo condições ou não, e tendo alguns supervisores que te assediam constantemente (quero deixar claro que nesse caso, felizmente, eles são minoria, pois são muitos supervisores muito bons).

Tem uma coisa que eu realmente posso afirmar: não são todos, mas boa parte dos atendentes são conformados ou tem receio. Se conformaram com essa barbaridade diária ou tem medo de serem demitidos caso lutem contra ela, pois são pessoas simples que não podem se dar ao luxo de perderem esse emprego.




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