Internacional

ATAQUE XENÓFOBO

Alemanha: um neonazista ataca dois bares árabes e mata nove pessoas

O suposto autor dos assassinatos, encontrado morto em sua casa, havia escrito um manifesto xenófobo da extrema direita.

quinta-feira 20 de fevereiro| Edição do dia

Na quarta-feira à noite, dia 19 de fevereiro, houveram dois tiroteios em diferentes "Shishas Bar" (bares para fumantes de cachimbo árabe) em dois bairros da cidade de Hanau. Os disparos foram feitos a partir de um carro, primeiro no centro da cidade e depois em um bairro mais remoto. A cidade de Hanau fica a 20 quilômetros a leste de Frankfurt, no centro da Alemanha.

Ambos os ataques deixaram um total de nove pessoas mortas. Várias pessoas ficaram feridas e estão em estado grave. Sabe-se que entre as vítimas existem várias pessoas de origem curda, incluindo jovens ativistas de associações curdas. Mais tarde, a polícia informou que duas pessoas mortas foram encontradas em um prédio, o suposto autor do tiroteio e sua mãe.

Segundo o jornal alemão Bild, o suposto autor dos tiroteios, identificado como Tobias R., afirmou em um texto de 24 páginas que "existem certos povos cuja expulsão da Alemanha não é possível, que devem ser exterminados".

A promotoria federal alemã assumiu as investigações. "Até onde sabemos, o ato tinha uma motivação xenofóbica", disse o ministro do Interior de Hesse. Peter Buth, em uma aparição diante do parlamento regional (Landtag) em Wiesbaden.

Até agora, as autoridades policiais dizem que é um "lobo solitário", uma pessoa com motivações xenófobas, mas isolada. Em um tweet publicado na manhã de quinta-feira, a polícia disse que "não há pistas de outros autores".

No entanto, esta tese do “autor único” esconde a ação de grupos organizados da ultradireita xenofóbica alemã, como o grupo NSU (em alemão, Nationalsozialistischer Untergrund) - Clandestinidade Nacional Socialista, responsável por numerosos ataques contra centros de refugiados, assassinatos e agressões violentas contra imigrantes. Também tem a intenção de ocultar as revelações sobre redes de extrema direita na própria polícia, no Bundeswehr e no "Escritório para a Proteção da Constituição".

Stefan Schneider, correspondente da rede Esquerda Diário na Alemanha, relaciona esse ataque à impunidade de que gozam esses grupos de extrema direita e ao crescimento do partido AFD- Alternative for Germany (Alternativa para a Alemanha) no regime político alemão: “Embora a investigação ainda esteja em andamento, a probabilidade de Tobias R. ser um ’agressor solitário’ sem conexões e sem apoio das redes da extrema direita é extremamente baixa. A impunidade das redes da NSU, as sempre novas revelações sobre estoques de armas e grupos clandestinos relacionados as autoridades estaduais e militares, a crescente influência do AFD e a mudança do discurso público para a direita sem dúvida encorajaram Tobias R. para cometer seu crime. Não se pode falar de um agressor individual em um estado mental confuso, o Estado é em parte responsável. Todos os sindicatos e organizações sociais e democráticas devem se mobilizar contra essas ações terroristas de direita e também contra serviços secretos e instituições policiais que banalizam o terror, deixam que isso aconteça e até apoiam em parte. ”




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