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GREVES ALEMANHA

Alemanha: termina uma greve histórica, começa outra

A conjuntura de greves na Alemanha está no auge. Este domingo fechou-se a oitava medida de força do Sindicato de Maquinistas Alemães, a greve mais longa na história do sindicato. Na última sexta-feira começou a primeira greve por tempo indeterminado das trabalhadoras de creches em varias regiões, estendendo-se esta segunda-feira a todo o país, uma novidade histórica.

quarta-feira 13 de maio de 2015| Edição do dia

Na segunda-feira, dia 8/5, se iniciou a 8ª greve do Sindicato de Maquinistas Alemães (GDL, segundo as siglas em alemão) contra a semi estatal empresa ferroviária Deutsche Bahn (DB).

Começaram os maquinistas de trens de mercadoría, seguidos pelos maquinistas de trens de transporte de passageiros no dia seguinte. Essa medida de força – que foi duramente atacada pela patronal, pelo governo e pela mídia, depois de acusá-la de “tomar de refém a população” – durou seis días e terminou este domingo, com o que entrou para a história como a greve mais longa do sindicato em toda sua existência.
Segundo a empresa, a greve custou 10 milhões de euros por dia, o que somou 220 milhões de euros desde o começo do conflito há mais de oito meses.

Somado a este montante, os representantes das patronais alemãs estimam que a greve está custando à economía alemã ao redor de 500 milhões de euros pelos efeitos secundários da greve. Os economistas oficialistas estimam que se reduzirá o prognóstico de crescimento por 0,1% apenas por esta greve.

Este duro conflito trabalhista em DB se leva a cabo por melhores salários e menos horas de trabalho, mas no fundo tem também outra razão. O governo alemão quer impor uma nova legislação regulando os conflitos trabalhistas, que limitaría o direito à greve àqueles sindicatos que tenham a maioria em um determinado local de trabalho.

Na categoria dos ferroviários alemães existe outro sindicato, o Sindicato dos Ferroviários e de Trânsito (EVG, segundo a sigla alemã), com o qual o GDL disputa preponderância. Ainda que este sindicato oficialista também se encontre em um conflito com a empresa, opõe-se fortemente à greve da GDL por medo a que esta possa tirar-lhe filiados se sai triunfante contra a patronal.

É assim que o EVG apoia também a campanha midiática e política feroz contra a greve do GDL, questão irônica já que seu próprio conflito com a empresa está estancado, pelo qual ameaça com suas próprias medidas de força. Já desde agora os meios alemães pintam a imagem de uma “mega greve” que poderia começar na semana que vem.

Entretanto, depois de haver terminado sua última medida de força, o GDL tentou frear a campanha midiática contra si, anunciando que por ora não haverá outra greve, mas que esperarão novas negociações com a patronal. O êxito desta estratégia está ainda por ver-se, já que o aparato da GDL até agora contornou a necessidade de enfrentar politicamente a legislação anti-sindical contra si mesma. Ainda que a legislação se estenda a todos os sindicatos minoritários, publicamente é vista como uma lei “anti-GDL”.

Apesar disso, na esquerda alemã e em grande parte da população existe uma ampla solidariedade com a luta dos maquinistas, uma mostra de quão longe da verdade está a afirmação da burguesia alemã e de seus meios de comunicação de que os maquinistas “tomam de reféns” a população.

Ainda assim, sem uma estratégia que enfrente diretamente o governo alemão e sua tentativa de restringir o direito de greve de setores minoritários, porém combativos, uma estratégia que não tem a burocracia da GDL, não se ganhará o conflito.

Para isso, também será necessária a solidariedade da base do EVG com a luta do GDL na perspectiva de uma greve unificada que desminta o relato tendencioso de apresentar o “louco” GDL frente ao “razoável” EVG. Caso contrário, serão eles os verdadeiros “reféns” do conflito entre os aparatos sindicais.

Outra greve Histórica

Ainda não havia terminado a paralisação dos maquinistas, quando começou outra greve que já é histórica. O sindicato de serviços Ver.di chamou dezenas de milhares de trabalhadores de creches a uma greve indefinida em várias regiões do país desde a última sexta-feira.

Nunca antes havia sido chamada uma greve de tempo indefinido nesta categoria. Na segunda-feira, a greve se estendeu a toda Alemanha, com mais de 400.000 trabalhadoras lutando em todos os estados do país.

As trabalhadoras exigem um aumento salarial médio de 10%, no marco de uma campanha de revalorização da profissão, já que as trabalhadoras das creches estão entre as que ganham historicamente um salário mais baixo.

Contra essa condição, já haviam feito várias greves nos últimos anos, como em 2009 e 2013, mas nunca conseguiram um aumento substancial. Neste marco, não se pode chamar menos que histórico que agora façam uma greve indefinida até conseguir um aumento de 10%.

A greve das trabalhadoras das creches aponta também a outra demanda que tem uma importância fundamental, como é terminar com a diferença salarial entre homens e mulheres que na Alemanha segue numa média de 23%.

Quase a totalidade das trabalhadoras das creches infantis são mulheres, em um trabalho considerado tradicionalmente feminino nesta sociedade capitalista, como é a educação das crianças. É assim que a mesma luta por aumento salarial nas creches é também uma luta pelos direitos das mulheres.

Isto se dá no contexto mais geral do auge do número de greves na Alemanha, onde depois de mais de uma década de moderação extrema tanto das demandas como dos métodos, começam a sair cada vez mais setores de trabalhadores à luta, exigindo melhores condições de vida.




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