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Alcoa: após dois dias de negociação sindicato joga a toalha e entrega o emprego de 70 trabalhadores

No segundo dia de negociações com a Alcoa de Santo André (fábrica de beneficiamento de alumínio para a indústria) e o Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, dirigido pela Força Sindical, jogou a toalha e aceitou 70 demissões do setor de extrusoras.

terça-feira 15 de setembro de 2015| Edição do dia

No segundo dia de negociações com a Alcoa de Santo André (fábrica de beneficiamento de alumínio para a indústria) e o Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, dirigido pela Força Sindical, jogou a toalha e aceitou 70 demissões do setor de extrusoras nessa quinta-feira (09/09). Segundo o presidente do Sindicato José Braz da Silva, o Fofão, desde o início da semana foram apresentadas à empresa algumas alternativas para frear a decisão de desligamentos.

“Tentamos estabelecer férias coletivas, banco de horas e o próprio PPE e a empresa permaneceu com a intenção de cortar alegando baixa produção, mas acredito que estão querendo aproveitar a onda da crise para reduzir custos e o primeiro a sentir isso é o trabalhador”, a multinacional, se orgulha de sua presença mundial e partição em diversos investimentos no brasil, está instalada no pais desde 1965 a partir da extração da bauxita, hoje conta com unidades também em; Itapissuma (PE),Juriti (PA), Mineração Rio Norte (PA), Poços de Caldas (MG), São Luis (MA), Tubarão (SC) e Barra Funda (SP), além das hidrelétricas Barra Grande (SC/RS), Estreito (MA/TO), Machadinho (SC/RS) e Serra do Facão (GO/MG).

A gigante americana do alumínio anunciou na semana passada que realizaria o desligamento de 80 trabalhadores na segunda-feira (07/09) na unidade de Santo André.

A vergonhosa posição da direção do sindicato em aceitar as demissões sem luta, é agravada por um histórico de tentar iludir os trabalhadores com reduções de benefícios e salários em troca de estabilidade no emprego, no começo dessa semana a empresa junto aos dirigentes sindicais organizaram um plebiscito entre os trabalhadores para avaliar quantos estariam dispostos a aderir ao PPE em troca da garantia do emprego, a presença do sindicato na fabrica foi marcante defendendo o PPE como a única saída, defendendo que se os trabalhadores não cortassem na própria carne, com redução de salários, seria impossível manter a fabrica aberta e muito menos reverter as 80 demissões.

Mesmo assim foi uma votação muito apertada, houveram 212 trabalhadores favoráveis, 20 contra, 5 em branco e 153 abstenções. Com essa deliberação a direção da Força Sindical foi para as negociações, apostando todos os postos de trabalho na negociação do PPE.

Nessa logica de tratar os trabalhadores como números a direção da empresa e do sindicato avaliam que o resultado das 70 demissões não foi tão ruim assim, nas palavra do presidente do sindicato “Nas reuniões realizadas a empresa apontou a necessidade de desativar essa área pela falta de demanda e os trabalhadores, infelizmente, não conseguem ser realocados.

Tentamos de todas as formas alguma maneira de evitar as demissões, mas conseguimos estabilidade aos demais 330 funcionários que ficam na empresa”, o presidente do sindicato ainda exalta conquistas alcançadas com as demissões: “os demitidos terão, além dos recebimentos rescisórios, de dois a seis salários nominais de acordo com o tempo de trabalho na empresa, dois meses de convênio médico e cursos de qualificação para serem reinseridos no mercado de trabalho” .

Esta estabilidade definida no acordo vigora apenas até dia 31 de Dezembro, e ai sim se houver necessidade de outras readequações a empresa estaria aberta ao dialogo sobre o PPE.




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