Educação

NOVO REITOR USP

Alckmin escolhe a dedo o novo reitor da USP

Em uma votação totalmente antidemocrática, o professor Vahan Agopyan, o mais votado no Conselho Universitário (CO), foi escolhido a dedo pelo Governador do Estado Geraldo Alckmin.

terça-feira 14 de novembro| Edição do dia

Neste ano aconteceram as “eleições” para reitor da Universidade de São Paulo. O Conselho Universitário (CO), órgão máximo de decisões da USP - composto majoritariamente por professores e burocratas donos de empresas e fundações privadas que atuam na universidade - escolheu por fora das decisões da comunidade universitária três candidatos entre os escolhidos por eles próprios, e o governador do estado Geraldo Alckmin, decidiu, de maneira totalmente antidemocrática, um dos três.

Este ano, o novo reitor escolhido para levar adiante o projeto de educação tucano é o professor Vahan Agopyan, ex vice-reitor da gestão anterior, que promete seguir a agenda de cortes também da gestão Zago. “Nós superamos o risco [de a USP não pagar seus compromissos], mas a questão financeira continua sendo bastante séria para as próximas gestões” afirmou o novo reitor após o resultado da “eleição”.

Uma das principais políticas do reitor Zago para as “questões financeiras” da universidade foram os Programas de Incentivo à Demissões Voluntárias (PDV) que só em sua primeira edição, em 2015, demitiu 1433 funcionários com a justificativa de que a folha de pagamento ultrapassava em 5% a receita. Curiosamente, o livro de contas da universidade se mantém fechado e a comunidade que usa e paga por ela não tem acesso ao que está sendo gasto.

O resultado da gestão Zago e Vahan (como vice) foi a enorme diminuição no quadro de funcionários, sobrecarregando os trabalhadores que continuaram, chegando ao absurdo de funcionários do Hospital Universitário terem que ultrapassar o limite de plantões autorizados e trabalharem sem receber seus salários. A cada dia que passa, o Hospital Universitário corre mais riscos de fechar por completo, o que causa um prejuízo enorme aos moradores de toda a região da zona oeste de SP e aos estudantes que estudam e trabalham no hospital. Coincidentemente, eles são a favor da desvinculação do HU da USP chegando ao cúmulo de dizer que era um “parasita” nas contas. (Por este motivo, os estudantes da Faculdade de Medicina estão em greve neste momento contra a desvinculação e o desmonte do HU.)

É assim que se estrutura o poder da Universidade de São Paulo: sem a participação da esmagadora maioria da comunidade universitária. Essa escolha do governador não poderia ter outro objetivo que não servir aos interesses dos governos e dos empresários favorecidos por eles, como os grandes tubarões da educação privada. É claro que o reitor escolhido pelo Alckmin vai seguir à risca o plano de sucateamento e privatização da educação pública que já vem sendo colocado em prática a nível estadual e federal. A questão que fica latente é o quanto o programa de "Diretas para reitor" pode responder à essa questão. De que adiantaria a possibilidade de um novo reitor, enquanto a universidade for regida por um punhado de burocratas (Conselho Universitário) e ainda por um reitor - seja este eleito ou não -, que estivesse a mando dos governos? O conjunto da comunidade universitária é quem deve decidir todos os rumos da universidade. Ela é quem deve decidir de fato a que serve a universidade e a serviço do que ela está.




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