Sociedade

FORUM ALTERNATIVO MUNDIAL DA ÁGUA / FORUM MUNDIAL DA ÁGUA/ Brasília 17/3/18

Água: petróleo do século XXI?

Gilson Dantas

Brasília

terça-feira 13 de março| Edição do dia

Neste fim de semana Brasília será agitada por dois encontros sobre o tema da água, seu manejo, sua propriedade, seus problemas. Reúnem-se, de um lado, os barões mundiais da água, através do seu fórum trienal, o FMA [World Water Forum], esses preocupados em como lucrar mais com a nossa água. Mas também ocorre o fórum alternativo, crítico pela raiz do Fórum capitalista.

O Fórum Alternativo Mundial da Àgua [FAMA], que defende “água para a vida, não para o lucro”, se lança neste encontro em Brasília com o lema “água é um direito, não mercadoria”e bate de frente contra o hidronegócio, na perspectiva da classe que vive do trabalho.
O FAMA lançou um manifesto, que pode ser lido aqui.

Em relação ao primeiro fórum, dos donos da água do mundo, Katen Piper [estudiosa do assunto] já disse que “não resolve nada. São um blá-bla-blá pomposo, regado a champanhe e caviar. Com muita água mineral de graça para os abstêmios matarem a sede”.

Com 20% do planeta sem acesso a água potável, com capitais como São Paulo e agora Brasília entrando na lista de cidades que racionam água, com previsão de mais e mais escassez de água e grandes corporações controlando o negócio da água [tipo Suez, Veolia, Thames, American Water, Bechtel e a fabricante de bombas de napalm para lançar no Vietnã, a Dow Chemical], o olhar do Fórum Mundial das Águas, uma espécie de Davos das águas, se dirige para os maiores reservatórios de água aqui do Brasil, seja o aquífero Guarani [Sistema Aquífero Guarani ou SAG], seja o aquífero amazônico, o SAGA [Sistema Aquifero Grande Amazônia].

Com a onda de privatizações, empresas como a Sabesp, de São Paulo, são valorizadas pela Bolsa de N York, e seu modelo de negócios é claramente capitalista,com terceirização, grandes lucros e sucateamento do sistema quando presta serviço para as massas pobres.

Na opinião daquela autora acima citada, Karen Piper [no seu livro The price of thirst: global water inequality and the coming chaos [em tradução livre, O preço da sede global: desigualdade global da água e o caos que vem aí], 296 páginas, University of Minnesota Press, lançado em 2014], a exploração comercial da água irá provocar um caos mundial

Agua é uma questão de sobrevivência, sabemos disso. E água não falta [praticamente dispomos da mesma quantidade de água que existia aqui há dezenas de milhões de anos].

O problema é que a gestão é capitalista e, no olhar do próprio New York Times, em artigo de 2006, ele já dizia que o mercado hídrico gira centenas de bilhões de dólares e é “mais promissor que a exploração do petróleo” [matéria com o título There´s money in thirst; em livre tradução: A sede dá lucro].

O problema é o capitalismo, portanto, convertendo até a água em mercadoria.

Faz-se necessário levantar e massificar – via sindicatos e movimentos de massa - bandeiras como: a expropriação pública dos mananciais de água e sua preservação, contra qualquer ameaça de privatização dos aquíferos nacionais, pela reestatização de todas as empresas de água que foram privatizadas e, como reclama o manifesto do FAMA, “pela universalização do acesso à água com qualidade e integralidade, o que só será possível com o fortalecimento do papel do Estado, com investimentos públicos suficientes e com transparência e controle social”.

O controle da água deve ser exercido pelos usuários, comunidades pobres e sindicatos. Medida elementar de qualquer governo que fale em nome da classe trabalhadora.

[Crédito de imagem: www.occupyforanimals.net]




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