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CRISE SANITÁRIA

Agronegócio pode ter infectado 400 mil trabalhadores no Brasil por Covid-19

Segundo cálculos da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação (Contac), o setor do agronegócio, incluindo frango, suínos e bovinos, emprega hoje aproximadamente 800 mil pessoas no país. O secretário-geral da entidade, José Modelski Júnior, estima que de 25% a 50% delas tenham se infectado em decorrência da atividade nas fábricas.

quarta-feira 15 de julho| Edição do dia

Por determinação do presidente Jair Bolsonaro, a produção, distribuição, comercialização e entrega de alimentos são, desde 20 de março, consideradas essenciais, não podendo ser interrompidas durante a pandemia. Com esse respaldo, frigoríficos e abatedores pelo Brasil têm mantido a rotina normalmente dentro das fabricas, sem medidas necessárias para garantir a saúde dos trabalhadores, como afastamento remunerado do grupo de risco, diminuição da quantidade de pessoas por turno e testes massivos.

Nos frigoríficos são mil, 2 mil, 7 mil funcionários, vindos de diversas partes, às vezes de diversos municípios, e que chegam para trabalhar num ambiente gelado, fechado, um do lado do outro, ou trabalhando ombro a ombro.

Em 15 de maio, no município sul-mato-grossense, a 233 quilômetros de Campo Grande, a primeira confirmação de covid-19 foi de uma indígena de 35 anos, funcionária da JBS Foods Seara. Cinco dias depois, já havia 30 casos de Covid-19 entre os povos Kaiowá e Guarani da reserva, a mais populosa do Brasil. Os indígenas de Dourados enfrentam ainda a falta de acesso a água e saneamento.

Ironicamente, o vice-presidente Mourão, em conversa com investidores, afirmou que não seria preciso sequer o abastecimento de água para as aldeias, porque segundo ele, "o indígena se abastece da água dos rios que estão na sua região". Tal afirmação faz parte da política que esse governo tem para o povo indígena, que recentemente vetou a obrigação de fornecimento de insumos básicos como água e mantimentos para as aldeias.

No dia 29 de maio, em Nova Araçá, serra gaúcha, 447 funcionários da Agroaraçá Indústria de Alimentos diagnosticados com o novo coronavírus. A empresa, especializada na venda de frangos, fez 1.296 testes, após um surto inicial, com 158 infectados e uma morte.

Em 18 de junho, na comunidade Ocoy, em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná, um rapaz de 32 anos funcionário da Lar Cooperativa Agroindustrial, em Matelândia, foi o primeiro caso confirmado. Após 20 dias todos os 45 moradores da aldeia que trabalham no abatedouro Lar se infectaram, expondo mais de 210 famílias (totalizando mais de 900 pessoas)

Esses são alguns dos tristes exemplos de disseminação massiva de Covid-19 decorrente das condições de trabalho do agronegócio e sua conduta omissa à proteção da vida dos trabalhadores. Esses grandes latifundiários e empresários do campo têm no governo de Bolsonaro e dos militares um apoio para seguir com sua exploração sanguinária. É por isso que é preciso luta pelo Fora Bolsonaro e Mourão, bem como defender que sejam os trabalhadores e povos oprimidos que decidam os rumos do país, através de uma nova Assembleia Constituinte, que seja livre e soberana, para permitir mudar as regras desse jogo e não somente os jogadores.




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