Política

IMPEACHMENT

Aécio articula a direita e convoca ato pelo impeachment

Contra o impeachment dos setores mais reacionários do país, mas também os ajustes e o governo do PT, é preciso um grande movimento nacional dos trabalhadores e da juventude, construído nas ruas, locais de trabalho e estudo.

Tassia Arcenio

Contagem, Minas Gerais

quinta-feira 25 de fevereiro de 2016| Edição do dia

Nesta quarta-feira, Aécio Neves, senador de Minas Gerais e presidente nacional do PSDB, anunciou que seu partido vai participar das manifestações como a marcada para o dia 13/03, que pede o impeachment da presidente Dilma.

O ex-candidato à presidência declarou "Decidimos nos engajar no movimento do próximo dia 13. Vamos botar a nossa cara e dizer basta ao que vem acontecendo no Brasil", sem colocar que, na corrupção que está envolvido o PT, o partido tucano e seus aliados da direita mais conservadora também estão envolvidos até o pescoço.

Não contente em colocar todas as suas forças e de sua legenda para defender ativamente o impeachment, Aécio é o responsável por articular com os outros partidos da oposição e “caminharem juntos, seja na estratégia parlamentar legislativa e, obviamente, também nas ações políticas”, blocando os partidos conservadores para a tentativa de cassação de Dilma no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as manifestações pró-impeachment e a apresentação de propostas no Congresso.

Em relação ao ato do dia 13, assinaram uma convocação conjunta, Aécio, líderes do DEM, PPS, PV e Paulinho da Força pelo Solidariedade. A convocação defende que “militantes e simpatizantes de todas as regiões do país, em todos os municípios, para participarem desses movimentos, nesse momento de profundo agravamento da crise política, econômica, social e moral que vem devastando o Brasil”, mostrando que dará todo peso para defender o antidemocrático impeachment.

Sobre as propostas, o líder tucano que foi denunciado por receber propina de Furnas e viu seu nome citado na Operação Lava Jato, quer apresentar medidas que envolvem programas sociais. "O PSDB quer discutir com o PT e com o governo as políticas sociais que estão em curso no Brasil, respeitando aquelas que trouxeram efetivamente ganhos para a população, mas apresentando alternativas a esta visão atrasada, arcaica e conservadora de compreender a pobreza apenas na dimensão de ausência de renda", afirmou Neves, deixando nas entrelinhas o que já é bastante conhecido da sua política: aprofundar ainda mais os ataques contra a classe trabalhadora.

Contra o impeachment promovido pelos setores mais reacionários do país, que na verdade, apenas se mobilizam para garantir seus privilégios e poder golpear com um punho só os trabalhadores e setores oprimidos com seus projetos conservadores, é preciso uma saída independente da classe trabalhadora para barrar também o ajuste fiscal do governo Dilma e enfrentar os ataques que reserva aos trabalhadores, com mais demissões, cortes de verbas sociais e falta de direitos democráticos.

É urgente e necessária uma ação coordenada da esquerda e seus sindicatos, dos trabalhadores e juventude, para construir um grande movimento nacional nas ruas, locais de estudo e trabalho contra os ajustes. É preciso um questionamento profundo a essa democracia dos ricos, colocando a política nas mãos dos trabalhadores, das mulheres e da juventude, para que possam arrancar seus direitos e passar por cima de todos os políticos, juízes e burocratas que agem para garantir seus privilégios.

Os trabalhadores, a juventude e toda população devem decidir se os políticos permanecem ou não nos seus cargos, tendo poder de revogar cada mandato que não sirva à maioria dos explorados e oprimidos e que desde já, todos ganhem um salário igual a de uma professora.

Com a força da mobilização, impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que busque resolver os dilemas da crise política, em uma saída que avance para o não pagamento da dívida pública com a verba revertida emergencialmente para resolver a crise da saúde e a epidemia do zika vírus, pela conquista dos direitos das mulheres e LGBT e pelo fim imediato dos privilégios dos políticos, que entre outras propostas e ações da classe trabalhadora possa caminhar para assentar as bases de uma outra sociedade.




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