Sociedade

RIO DE JANEIRO

Acusado de desviar verbas é nomeado responsável de aposentadorias de trabalhadores da CEDAE

A mando do governo do Estado do Rio de Janeiro, Francklin Dias de Oliveira foi indicado para assumir a diretoria do fundo de investimentos da CEDAE (Preve).

sexta-feira 22 de maio| Edição do dia

O fundo administra benefícios que complementam a aposentadoria dos mais de 10 mil servidores da empresa estatal. O conjunto de aplicações (carteira de investimento) do Preve somava 1,8 bilhões de reais no fim do ano passado. Francklin viria a substituir Antonio Carneiro que está no cargo desde março deste deste ano. Essa troca, comunicada ao fundo por meio de um documento da direção da estatal, coloca um réu em diversos processos por desvio de recursos, inclusive em processos relacionados a desvios de verbas previdenciárias.

O governo Witzel, que já se encontra envolvido em escândalos de corrupção na saúde e entre as medidas de combate ao coronavírus, agora quer colocar um réu em desvio de verbas públicas como responsável pelo montante destinado a aposentadoria dos trabalhadores da CEDAE que a anos lutam contra a privatização e o sucateamento da empresa. Enquanto de acordo com o jornal O Globo o governo, a direção da CEDAE e Preve em um jogo de empurra não afirmam quem foi o responsável pela nomeação, o que se sabe é que esta nomeação é uma clara afronta aos trabalhadores.

A CEDAE vem sendo alvo de crises, como a da qualidade da água fornecida à população no começo deste anos, e de ataques sistemáticos de governos até mesmo anteriores ao Witzel. Na sua gestão porém foi enviado para a Alerj, Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, um projeto de desestatização de 1995 que autoriza a privatização de 19 instituições do estado um ataque brutal que coloca na mira tudo que é público, incluindo a CEDAE.

A falta de financiamento e a política de precarização destinada a CEDAE não é uma novidade, a empresa vem sofrendo ao longo dos governos e seus trabalhadores enfrentando fortemente esses planos, defendendo a CEDAE como um bem do povo carioca. Isso mostra a profunda diferença entre os planos e objetivos dos trabalhadores, que enfrentaram o governo e uma forte repressão na última greve protagonizada contra a privatização, e os planos de Witzel que desde que assumiu tem como objetivo passar a empresa para o setor privado. Essa nomeação entra no seu plano da sua gestão de destruir tudo que é público e atacar os trabalhadores.

Para além de rechaçar essa nomeação acreditamos que ela escancara a necessidade do controle das empresas estarem nas mãos dos trabalhadores, de serem eles, junto com todos aqueles que usam o serviço. Em meio a uma pandemia desta magnitude, onde a água para lavar as mãos é um instrumento importante para o combate ao vírus, não podemos aceitar que parasitas fiquem responsáveis pela gerência das verbas dos trabalhadores.




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