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Absurdo: hospital de aborto legal de SP interrompe o serviço em meio a crise do Covid-19

Hospital Pérola Byington, principal referência de aborto legal de SP, interrompe a realização de abortos. Com a paralisação do hospital direito que já é restrito no país, fica ainda mais restrito. Agora, são apenas dois os hospitais seguem fornecendo o serviço na maior cidade do país.

sábado 28 de março| Edição do dia

Estima-se que ocorra no país mais de 1 milhão de abortos por ano. Desses, mais de 50% são abortos realizados clandestinamente e, por isso, representam um risco para a saúde das mulheres e das pessoas com capacidade de gestar, já que a prática em si mesma é segura. No Brasil, os únicos casos previstos em lei são em caso de estupro, anencefalia do feto ou quando a gravidez coloca a mãe em risco de vida. A reivindicação pelo aborto Seguro, Legal e Gratuito, que na Argentina teve grande impulso com a “Maré Verde”, vem sofrendo fortes resistências desde a eleição do governo Bolsonaro e da sua ministra Damares que inclusive se coloca, à direita, contra a lei tal como está no Brasil.

Com essa pano de fundo em mente e diante da crise sanitária de COVID-19, que, como demonstraram inúmeros analistas e parte da grande mídia, tendem a deixar a rede de saúde - já precarizada pelos anos neoliberais – superlotada e num risco de colapso eminente nos próximos meses, é fundamental que o direito ao aborto nos casos previsto na lei hoje não sejam obstaculizados de nenhuma maneira durante a crise e para isso o aborto legal, seguro e gratuito é, irresistivelmente, a única saída.

No Estados Unidos e no Reino Unido, países em que o aborto já é legalizado, a pandemia vem sendo utilizada como desculpa para a extrema-direita de Boris Jonhson e Trump atacar o direito ao aborto, fazendo uma utilização escandalosa da crise sanitária para obstaculizar o direito, a exemplo do estado de Ohio que suspendeu as intervenções hospitalares relacionados ao aborto em casos “não urgentes”. Nos distintos países e também na Argentina, as organizações e entidades de luta por direitos soltaram notas de repúdio e estão vigilantes a essas práticas da extrema-direita.

Leia também: Por que o aborto legal é importante no meio do COVID-19?




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