SAÚDE PÚBLICA

Absurdo: governo cria sistema de consulta médica por telefone

Agora, por iniciativa do Ministério da Saúde, nova modalidade de sucateamento vai ser implementada pelo país: a medicina à distância. Fecham postos de saúde e abrem um 0800 onde o paciente liga para ser diagnosticado e pode enviar foto de alguma lesão.

terça-feira 3 de julho| Edição do dia

Foto: Folha de São Paulo

A degradação da medicina e do acesso à saúde no capitalismo sempre pode ir mais longe: a "nova moda" lançada pelo Ministério da Saúde em conjunto à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do governo gaúcho são as teleconsultas. Nessa fase deprimente em que alcançou a saúde pública e a medicina no capitalismo, os pacientes ligam para uma rede de consulta médica através de um número gratuito, e são atendidos por especialistas, entre médicos e enfermeiros, através do telefone.

Segundo o coordenador da central de teleatendimento, uma série de profissionais da saúde, como enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, psicólogos, fazem o atendimento e a consulta através do dialogo por telefone e recebendo fotos das doenças. Por exemplo, se há uma lesão na pele, o paciente tira foto e envia para a central, que repassa para um dermatologista que analisa e envia o diagnóstico e tratamento.

A partir de julho, o serviço será oficialmente replicado para outras capitais, entre elas Rio de Janeiro e Brasília.

Os defensores dessa verdadeira barbárie contra a saúde afirmam que esse método reduziria filas e seria uma forma de atendimento de "atenção primária". Atenção primária são ações de nível de prevenção de doenças, realizadas antes do desenvolvimento da enfermidade. Esse tipo de atenção tem o objetivo de impedir que o indivíduo desenvolva a doença. Claramente, alimentação adequada, exercícios físicos e redução da carga de estresse e carga laboral são desconhecidas pelos defensores da "telemedicina".

Os professores da UFRGS que participam desse projeto, e também os que silenciam, atuam como “mão-de-obra intelectual” do capital, dando um aspecto científico para “inovações” que evidentemente não tem nenhum compromisso com a saúde da população e a ciência, mas sim em aumentar os rendimentos dos empresários da saúde.

A cada dia o capitalismo avança ainda mais na precarização do acesso à saúde e subverte por completo, em prol do seu lucro, o verdadeiro papel da saúde pública para a população. A falência do modelo médico vigente se mostra cada vez mais profunda e irrecuperável dentro de um sistema que não zela pela saúde, mas que zela pela doença e o lucro que ela pode fornecer.

A telemedicina é a verdadeira morte da relação médico-paciente, já degradada pela medicina burguesa: atualmente, se as consultas são rápidas e o médico pouco se interessa em entender o que de fato adoece o paciente; o objetivo é saber os sintomas e contê-los, para devolver de imediato o paciente para seu trabalho e sua rotina massacrante. Com este tipo de "consulta", essa relação é enterrada de vez, deixando ainda mais escancarado o interesse da medicina burguesa em medicalizar sintomas, e não em prevenir e curar. Imagine quanto tempo os trabalhadores deixam de produzir para os patrões quanto se ausentam para consultas médicas e precisam se deslocar do trabalho até o consultório? Com as teleconsultas o paciente pode se consultar sem sair do trabalho, sem deixar de produzir lucro para os patrões.

A medicina burguesa é um verdadeiro "fast-food" da saúde, e agora, podendo ser feita até por telefone: o indivíduo escolhe, partindo de seus sintomas, qual o combo de remédios ou exames invasivos melhor lhe serve. A verdadeira prevenção, que não é lucrativa pras grandes multinacionais farmacêuticas e de tecnologia em saúde, passa longe da preocupação deste governo golpista.

A diminuição das filas no SUS, a garantia de acesso universal e a melhora na qualidade de atendimento não se alcança com medidas tecnológicas ou robotizando o acesso, mas sim garantir seu caráter público, o controle dos trabalhadores e um amplo financiamento. Para garantir o caráter público é necessário estatizar todos os hospitais privados e todas as indústrias no ramo de saúde, criar uma "Remédiobras" que desenvolva pesquisas sem objetivos financeiros, mantendo o controle na mão dos trabalhadores da saúde. Para garantir o financiamento é necessário deixar de pagar essa dívida pública ilegal, ilegítima e fraudulenta que retira todos os recursos do país, em grande parte parte pagos às custas de cortes na saúde.




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