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ANDES-Sindicato Nacional realiza seu 36º Congresso em Cuiabá (MT) e atualiza plano de lutas

Durante os dias 23 à 28 de janeiro de 2017 será realizado o 36º Congresso do Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES-SN), na cidade de Cuiabá, Mato Grosso, tendo como tema central: “Em defesa da educação pública e contra a agenda regressiva de retirada dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”.

segunda-feira 23 de janeiro de 2017| Edição do dia

A importância política do Congresso do ANDES-SN, máxima instância deliberativa deste, radica em que tem como objetivo principal definir os posicionamentos políticos estratégicos e aprovar o Plano de Lutas anual do Sindicato.

No marco da crise geral do capitalismo, a assunção de Trump na presidência dos USA, desaceleração da China e o fim de ciclo dos governos “pós-neoliberais” na América Latina, no Brasil este Congresso se realiza num contexto de aprofundamento da crise econômica e política no país e é o primeiro Congresso depois do golpe institucional no país.

Na segunda-feira, 23 de janeiro, o principal debate do Congresso depois de aberto será justamente a plenária sobre conjuntura política, “movimento docente, conjuntura e centralidade da luta” onde tanto a direção do ANDES-SN e as diferentes correntes que se expressam politicamente no Congresso apresentam textos de resolução.

Além do texto da diretoria do sindicato, entre outros textos podemos encontrar um texto próprio de sindicalizados vinculados ao PSTU (mesmo este partido sendo parte da atual direção em minoria) que não realizam uma delimitação política com a direita, assim como outro texto do Partido da Causa Operária, hoje mais petista que o próprio PT. Um esclarecimento é importante, aqui as posições políticas são apresentadas de forma isonômica, mas logicamente que existe uma relação de forças entre as agrupações que participam no interior do sindicato.

O texto da Diretoria do ANDES-SN, ampla maioria no sindicato, aparece como o mais completo, poderia ter aprofundado sua análise da conjuntura internacional, mas no plano local vincula a crise econômica a crise política e faz uma descrição e análise bastante completa dos ataques do Governo Temer aos trabalhadores em geral, aos servidores públicos, aos docentes em particular com suas políticas e a juventude. Também realiza uma análise crítica da política de conciliação de classes do PT e conclui com a defesa do Fora Temer e planteia como perspectiva o rumo a greve geral. Nesta perspectiva defende a ampliação da unidade com todo o setor da educação, que sirva para acumular forças na direção da construção da greve geral da educação como um passo importante para a construção da greve geral. Neste sentido seria interessante realizar um balanço político mais aprofundado da greve de setores da educação no fim do ano de 2016 e encontramos a consolidação de uma mudança tática apresentando primeiro uma greve da educação no caminho da greve geral. Seria importante ir além de dialogar com a CUT e CTB exigir que acabem com sua paralisia criminosa e convoquem a Assembleias de Base. De outra forma pode aparecer que desde diferentes setores se apresenta a necessidade de greve geral, mas não se explicita como pode impulsioná-la.

Desde Esquerda Diário, impulsionada pelo Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT), entendemos que sem dúvidas deve ser realizado um balanço de todo o processo político e que faça parte do balanço do PT, que foi o próprio PT que abriu o caminho para o avanço da direita articulada com uma estratégia de controle das organizações de massas, para passivando-as permitir passar os ajustes de “seu” governo.

Mas falado isso, é preciso defender o Fora Temer !!! nos delimitando de forma clara das posições do lulismo e seus satélites, no marco de uma estratégia política revolucionária, de jeito nenhum subordinada aos interesses eleitorais de Lula e do PT nem a partir de alianças com a direita e os empresários, como apontam Lula e o PT.

Também devemos realizar as mencionadas exigências a CUT e CTB, denunciando o papel destas burocracias sindicais frente aos ataques do governo golpista institucional desde o Poder Executivo e as demais instituições da república: o Parlamento e o Judiciário.

A saída para a crise tem que estar pautada na independência política da classe trabalhadora, através de um programa que nos permita intervir na luta de classes.

Por isso é necessário articular o combate ao governo Temer com a luta por uma saída política de fundo para os trabalhadores e a juventude através de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pela mobilização, nos diferenciando daqueles que pretendem uma constituinte exclusiva (meramente dedicada a maquiar o regime político antidemocrático atual que dificulta tremendamente ou exclui a participação política dos trabalhadores e seus partidos de esquerda nas eleições, como o MRT).

A defesa dessa constituinte deve ter uma perspectiva anticapitalista e transicional, com base na luta de classes contra as demissões e as perdas salariais que aumentaram a exploração do trabalho nos últimos meses, ataque aos direitos de propriedade dos capitalistas, liquide o pagamento da fraudulenta dívida pública, imponha que todo juiz ou político de alto escalão seja eleito, revogável e receba o mesmo que uma professora, estatize sob controle operário as empresas estratégicas e rompa relações com o imperialismo, realizando uma radical reforma agrária que o PT nem sequer começou em 13 anos. Deve servir, portanto, não para recomposição do regime político e sim ser conquistada pela mobilização dos trabalhadores e juventude.
Isto para nós deve estar no primeiro plano no debate sobre conjuntura política do Congresso do ANDES-SN.




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