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"A saída para a crise política é que o povo decida os rumos do país" diz Maíra Machado

quinta-feira 9 de abril| Edição do dia

O avanço da crise sanitária e da crise econômica tem particularmente no Brasil enormes impactos também políticos. De um lado, um presidente que se negou a reconhecer a gravidade da situação, ignorou medidas de precaução adotadas em todo o mundo e, junto ao seu ministro Paulo Guedes, tomou a decisão de salvar lucros de grandes empresários enquanto uma enorme parcela da população segue na angústia de não saber se terá um pão na mesa. De outro lado, temporariamente convergindo com o objetivo de subordinar Bolsonaro, estão setores também profundamente reacionários como os golpistas STF, Maia, Alcolumbre, junto aos governadores estaduais e um novo peso de protagonismo dos militares, escancarado pela figura de Braga Netto, que posam de moderados e controladores da crise enquanto se negam a oferecer uma medida tão básica e elementar como testes massivos à população.

Diante desse cenário em que os diferentes atores da burguesia não podem apresentar uma saída de fato, Maíra Machado, professora de rede pública estadual de São Paulo e militante do MRT, organização que impulsiona o Esquerda Diário, afirma:

“Nós não podemos deixar que essa crise sanitária, econômica e política seja conduzida pelas mãos desses setores do acéfalos do terraplanismo, nem de nenhuma forma podemos deixar que seja conduzida por Mourão, como tem levantado setores da esquerda através do pedido de impeachment de Bolsonaro, nem de golpistas ou ainda os militares assassinos especialistas em enterrar gente! Não há como confiar a condução dessa histórica crise nas mãos deles!

Hoje não existe no país nenhuma força de esquerda expressiva que questione o sentido bonapartista em que avança o país. É preciso construir essa força.”

Não é nada impossível que, após as quarentenas, após um curto e duríssimo processo de perder muitas vidas, muitos empregos e um cenário de fome, se destrave grandes processos de revolta de trabalhadores e das massas populares, como o próprio Bolsonaro já demonstrou temer. Para este momento, Maíra levanta também:

“É necessário que os trabalhadores se organizem e saibam conduzir uma resposta à crise que venha de suas próprias forças. A saída que os trabalhadores devem criar começa pela necessidade imperiosa de erguer um programa de emergência à crise sanitária, começando pela exigência de testes massivos imediatamente, para que as medidas de quarentenas façam algum sentido, um programa que imponha a imediata produção de mais leitos, equipamentos de proteção e tudo mais o que é vital neste momento. Esse programa só pode se dar efetivamente atendendo às reais necessidades da população se forem os próprios trabalhadores a passarem a controlar toda essa produção, assumindo sua gerência, sua administração em cada local de trabalho que deve seguir funcionando, em cada fábrica que pode voltar sua produção a salvar vidas, e garantir toda distribuição em cada hospital do país, postos de saúde, nas casas de idosos, de emergência, etc. Só assim é que será possível garantir que essa produção seja suficiente e que esteja de fato salvando vidas e não atendendo quaisquer outras coisas voltadas ao lucro de capitalistas.

É necessário ainda combinar este programa emergencial com um programa democrático radical que questione o avanço militaresco do regime brasileiro, preparando os trabalhadores e as massas para esse momento de revolta, colocando em nossas mãos a possibilidade de dar uma saída operária e popular à crise econômica e política através da construção de uma nova constituinte, totalmente diferente da de 1988 - tutelada pelos militares -, em que sejamos nós os condutores dos rumos políticos do país. Só assim é que será possível reverter tanta miséria e fome, o que nem mesmo em tempos de pré pandemia os governos, os golpistas e os militares já não eram capazes de fazer e que agora deixaram milhões jogados à sua própria sorte.

Não é Bolsonaro, nem Mourão e nem os militares quem pode decidir qual a saída para essa crise. Também não temos nenhuma confiança em Maia, nos governadores ou no STF. É o povo quem deve decidir, através de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana. Esse deve ser o programa levantado por uma esquerda que batalhe pela independência de classe, por uma política que vai muito além de retirar Bolsonaro da presidência, e sim que abra os horizontes para uma saída histórica de trabalhadores à essa crise dessa magnitude.”

É essa perspectiva levantada pelo Esquerda Diário e pelo MRT. É com essa perspectiva que lutamos impulsionando a Rede Internacional de Diários La Izquierda Diario, em 12 países e 8 idiomas. Chamamos a todos que querem construir essa saída a fazer parte dos comitês virtuais conosco.




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