Cultura

A reacionária rede Record é multada por apagar arte rupestre em Diamantina

A emissora apoiadora de Bolsonaro apagou a pintura rupestre para gravar uma minissérie.

quarta-feira 19 de fevereiro| Edição do dia

Dez anos após as gravações da minissérie Rei Davi, a emissora Record é condenada a pagar uma multa de 2 milhões de reais por, durante as gravações, pintar de branco uma obra rupestre em uma caverna na Serra do Pasmar. O fato demonstrou o total descaso que a emissora tem com a cultura e herança histórica dos povos originários Brasileiros. A defesa da Record ainda teve a audácia de afirmar que não havia registros de que a região era tida como sítio arqueológico, sendo que Diamantina é reconhecida pela Unesco como patrimônio da Humanidade. Segundo o professor Andrei Isnardis, da UFMG, existem indícios de que a área pintada durante as gravações continha registros arqueológicos de até 4.000 anos.

Na verdade, para aqueles que conhecem o CEO da empresa, o pastor Edir Macedo, não existe nenhuma surpresa nisso. O pastor, além de líder da igreja universal, é um fiel apoiador de Jair
Bolsonaro e faz coro com as políticas e falas racistas e anti-indígenas do presidente.
Apesar de ter perdido na justiça, a multa de 2 milhões que, para a emissora multimilionária francamente não significa uma perda relevante, não é verdadeiramente suficiente para reparar os danos causados.
Nas palavras do professor Andrei Isnardis em entrevista
ao jornal El País, quando perguntado se haveria como colocar um preço na perda:
“É um exercício que não sou capaz de fazer porque não tem preço. Estamos falando de outro tipo de valor. Um valor histórico, cultural, antropológico, humano, de pessoas que tinham um outro modo de vida. A pintura rupestre é o vestígio mais visível de outros povos. É inestimável”

Em defesa da arte, da história do povo e contra os interesses da grande mídia que apoia e traduz os governos capitalistas e a ideologia burguesa.




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