Internacional

INTERVENCIONISMO IMPERIALISTA

A primeira medida de Trump contra Venezuela: sanciona o vice presidente Tareck El Aissami

Ao contrário do que esperava o governo de Maduro, EUA impôs esta segunda, sanções econômicas ao vice presidente executivo do país, Tareck El Aissami, por "julgar um papel significativo no tráfico internacional de narcóticos".

terça-feira 14 de fevereiro| Edição do dia

A sanção também ao vice presidente do país, o departamento de tesouro estadunidense sancionou também ao empresário Samark José López Bello, por ser, segundo explicou nesta segunda um alto funcionário dos EUA, o "representante" de El Aissami e proporcionar "material, apoio financeiro, bens e serviços de apoio de atividades de tráfico internacional de narcóticos" ou atuar "em nome se El Aissami".

De acordo ao que difundiu o funcionário norte americano, citado pela agência jornalística EFE, a imposição destas sanções "não é uma reação" a sua nomeação como vice presidente janeiro passado, clarificou a fonte. Agregando que "É o resultado de uma investigação de anos relacionada ao narcotráfico", insistindo em deixar nítido que "estas sanções não são uma represália diplomática contra o governo de Venezuela" sim que se dirigem a dois indivíduos "exclusivamente pelos seus vínculos com o narcotráfico.

"Isto mostra que investigamos até o final, independentemente de que cargo tenha a pessoa", completou. As sanções sanções implicam que se bloqueiam os ativos de Tareck El Aissimi e Samak José López frente a jurisdição estadunidense e que os cidadãos estadunidenses não podem fazer transições com eles.

A inclusão de um membro do governo de Venezuela na lista de sancionados do tesouro dos EUA "não significa que o governo em si mesmo está também bloqueado", precisa o departamento em um comunicado em sua rede, completando que "sem embargo, os cidadãos estadunidenses deveriam ser cautelosos em seus acordos com o governo (venezuelano) para se assegurar de que não estão envolvidos em transações, diretas ou indiretas, com uma pessoa da lista".

A semana passada, congressistas dos EUA haviam pedido para Trump intervir na Venezuela com mais agressividade que Obama. Tratava-se de um total de 4 legisladores encabeçados pela deputada Ileana Ros-Lehtinen, republicana pela Flórida, ex presidente do comitê de relações exteriores, e o senador Robert Menedez, democrata por New Jersey, o membro de alto escalão do subcomitê de relações exteriores que monitora a América Latina.

Em seu pedido a Trump, os legisladores mencionavam diretamente Tareck El Aissimi, recém nomeado vice presidente executivo por Maduro, sustentando que este "o coloca em fila para possivelmente converter-se no próximo líder de Venezuela, o que é extremamente preocupante", de acordo com os legisladores pelo "seus demonstrados vínculos com o narcotráfico".

No dia 04 de Janeiro, Maduro anunciava como novo presidente de seu governo El Aissimi, quem até o momento se desenvolvia como governador do estado de Aragua. Poucos dias depois delegava a El Aissimi 15 de suas atribuições, entre elas ditar decretos relacionados a transferências orçamentárias, expropriações e a nomeação de vice ministros, atribuições que nenhum vice presidente havia tido nem frente aos mandatos de Hugo Chávez como nos três anos que ia ao governo de Maduro.

Pelo que se vê, o governo de Trump não fez-se esperar frente o pedido dos legisladores, atuando com rapidez que o solicitavam, e golpeando bem alto o governo de Maduro, ao tocar diretamente ao vice presidente do país. É de destacar que é a primeira vez que o governo dos EUA sanciona um funcionário de tão alto cargo no país, que só tem acima dele o próprio Maduro. A sanção ao vice presidente da República se segue ao decreto de Obama em que ele considera o governo de Venezuela uma ameaça a segurança dos EUA, decisão que, diga-se de passagem, Trump mantenhe.

A política patife de Maduro com respeito a Trump se veio abaixo

Até o momento Maduro vinha adotando uma política patife com respeito a Trump, quando este está levando adiante medidas tão intervencionistas e agressivas como as de Obama ou inclusive piores, que incluem deportações, a construção de um muro com México, a proibição do ingresso a cidadãos de países de maioria muçulmana, como Irã e Síria a quem Maduro considera seus aliados, para citar somente algumas. Inclusive sustentando que "Não somo as campanhas de ódio contra Donald Trump que existe no mundo", declaração da qual não retrocedeu, inclusive a mantendo enquanto o repúdio a Trump cresce dentro dos EUA como em outros países, pensando que com isso não estaria "na mira" do novo mandatário estadunidense.

Porém a suposta "cautela" de Maduro não teve o mínimo efeito, voltando-se contra ele, crendo que o governo de Trump poderia ser um imperialista piedoso. Maduro ignorou o que o agora secretário de estado Tex Tillerson já havia afirmado sobre sua política frente a Venezuela durante sua audiência no congresso para ser confirmado, ao sustentar que "Tem que seguir denunciando as práticas anti democráticas do governo de Maduro, pedir a liberação dos presos políticos, e fazer cumprir as sanções contra os violadores dos direitos humanos e narcotraficantes venezuelanos".

Mas ainda que Tillerson fosse enfático. Frente uma das perguntas, "Se confirma-se [no cargo], defenderia você que os EUA continuem responsabilizando aos funcionários do governo da Venezuela, especialmente tendo em conta os agudos níveis de impunidade deste país?", Tillerson respondia: "Sim. Cumprirei todas as sanções impostas pelo Congresso, inclusive as medidas da Ata de Extensão de 2016 para a defesa dos direitos e da sociedade civil de Venezuela", que deve ser aprovada pelo congresso até 2019. E o disse ao feito, com a medida do departamento do tesouro nesta segunda, era claro que Tillerson não fazia declarações simplesmente para buscar a aprovação no Congresso, o que suas afirmações não estavam em consonância ou em acordo com Trump.

Apesar do que antecipava o secretário de Estado, Maduro buscava o guarda-chuva russo para não estar "na mira" de Donald Trump pelas boas relações deste com o governo de Vladimir Putin, inclusive entre este e Tex Tillerson a quem o líder russo em 2013 havia condecorado ao então chefe de ExxonMobil com a ordem russa de amizade.

Em um artigo de 3 de fevereiro, sustentamos que "as esperanças de Maduro de que Trump ia ser favorável a Venezuela e aproveitar-se da relação com a Rússia, caem no ar. Inclusive já existem analistas que tem alertado que Trump pode ter "uma aproximação mais agressiva a crise na Venezuela" e Tillerson estaria para confirma-lo". Não nos equivocamos, não por alguma perspicácia política, e sim justamente por tratar-se de um país imperialista e que não existem imperialistas bons ou imperialistas ruins, como veio pretendendo Maduro fazer o povo venezuelano acreditar.

Rechaçamos o intervencionismo e a ingerência imperialista

Repetimos textualmente o que escrevemos em nosso artigo do dia 9 de fevereiro quando os congressistas pediram a Trump para aplicar sanções a Venezuela, por guardar plena vigência:

Destas páginas temos vindo plantando o rechaço aberto a escalada ingerista do imperialismo ianque, com suas sanções incluídas, que se movem cinicamente falando de direitos humanos quando é o país mais violador de qualquer direito elementar em dezenas de países, inclusive dentro de suas fronteiras, mas também executor de guerras intervencionistas como seus massacres de povos inteiros.

Temos sustentado que este rechaço a ingerência imperialista estadunidense não implica aprovar em modo algum o governo de Maduro, que está longe de tomar medidas que ataque os interesses do imperialismo e seus sócios venezuelanos, frente a crise econômica que atravessa o país tem tomado na verdade medidas que afetam os trabalhadores e o povo pobre mediante medidas de ajusta. Porém, ainda que, hoje vemos mais uma vez , com sua patife política com respeito ao governo de Trump, com seu silêncio, enquanto este ataca contra dezenas de países.

Os dizemos, uma e mil vezes mais, as contas com as violações dos direitos humanos e democráticos, com os corruptos funcionários do governo nacional e seus atos de repressão - que caem sempre com mais peso sobre a classe trabalhadora - a vontade de ajustar somente em cima do povo trabalhador venezuelano e não os governos da burguesia imperialista estadunidense nem de outros países. Ajuste de contas que também o povo trabalhador fará com os golpistas pró imperialismo da oposição que se aglutina em sua maioria na MUD, que foram perdoados pelo próprio Chávez em 2007, e com os empresários que roubaram milhões de dólares e chantagearam e jogaram com a fome do povo.




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