Educação

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A militarização das escolas na Pátria Educadora

Não é de hoje que sabemos que na Pátria Educadora do PT, PSDB e PMDB educação é caso de polícia. O massacre contra os professores do Paraná no dia 29 de abril e a violenta repressão contra os estudantes da UERJ, exatamente um mês depois, mostram a veracidade dessa afirmação.

domingo 9 de agosto de 2015| Edição do dia

Porém, em alguns estados a política de tratar educação "na base" da PM esta sendo levada ao limite. Gestões escolares estão sendo passadas para a polícia militar, como forma de responder ao baixo desempenho e frequência dos alunos, além do argumento de tentar conter a violência dentro dos muros das escolas.

Em 2014 foram cerca de 15 escolas militarizadas só no estado de Goiás, governado por Marconi Perillo do PSDB. Lá a responsável pela expansão do projeto é a deputada, também do PSDB, Sônia Chaves, em parceria com as Secretarias de Educação e de Segurança Pública. Nestas escolas cabe aos policiais lecionar "etiqueta", constituição, noção de cidadania e ensino religioso. Para um leitor menos atento pode parecer que estamos descrevendo a grade curricular da época da ditadura militar.

Já no sul do país na cidade de Araranguá, prefeitura do PT com Sandro Roberto Maciel, um projeto pretende contar com a PM dentro de 35 unidades escolares até o final de 2015.

Em Manaus o modelo de gestão militar esta sendo implementado pelo prefeito Artur Virgílio Neto do PSDB na escola, que agora se chama 3° Colégio Militar da PM Professor Waldocke Fricke de Lyra, no bairro de Tarumã, região com alto índice de violência. Para o governo a "experiência" até o momento é positiva, já que os índices do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) melhoraram.
Como se as "experiências" militares pudessem se dar sem violência, as UPPs no Rio de Janeiro provam exatamente o contrario. Além disso, o argumento do aumento nos indicadores que medem a qualidade do ensino do governo, como Enem e Ideb, são facilmente questionados. Diversos casos são conhecidos em que, conforme a necessidade do governo, os indicadores são alterados. Maquiam e alteram estes dados para melhorar os índices e, assim, poder utilizar e esbravejar eleitoralmente os supostos avanços na área da educação.

Sobre a escola militarizada em Manaus, esta correndo pela internet vídeos que mostram crianças marchando para poderem ir ao recreio e batendo continência para policiais armados que atuam como inspetores dentro da instituição de ensino. O corpo docente da escola mudou drasticamente, já que a maioria dos professores mais antigos não aceitaram ficar depois que se implementou a gestão militar, mesmo com os dois salários extras pagos pelo governo às escolas que atingem a meta de qualidade de ensino.

O estado que corta a verba da educação, militariza como "solução"

As péssimas condições das escolas e do ensino público foram escancaradas este ano com as greves de professores que chegaram a 15 estados. Para os governos a resposta a este problema é simples: Polícia Militar dentro das escolas. O mesmo governo que promove a precarização da educação agora passa a utilizar a repressão como forma de encobrir os seus verdadeiros problemas, isso porque não são capazes e, sobretudo, não lhes interessa uma educação de qualidade.

Por conta da crise econômica desde o inicio de 2015 o governo federal já cortou R$ 11 bilhões da pasta de educação, sendo que deste valor R$ 1,16 bilhão foi anunciado ontem (30/07), mostrando que não é prioridade do governo o investimento na educação e sim salvar os lucros dos grandes empresários e banqueiros. Mas os cortes da educação não ficam só no âmbito federal, também os governos estaduais e municipais os aplicam.

Em São Paulo, por exemplo, Geraldo Alckmin cortou verbas de materiais didáticos, projetos e até mesmo do transporte escolar gratuito que é oferecido para os alunos da periferia, prejudicando a frequência dos jovens e colaborando com a evasão escolar. A política de fechamento de salas e a superlotação das que ficam continua a todo vapor, esta semana mais salas foram fechadas pelo governo, conforme discutimos aqui. A merenda escolar, que é uma tarefa do governo municipal, também foi atacada em São Paulo. Algumas escolas estão recebendo a metade do que recebiam antes e não conseguem atender a todos os alunos.

A situação do ensino e da carreira docente não é azar só dos estados citados acima. Há um completo caos arquitetado pelos governos na rede publica de ensino do país, para estes senhores a educação da classe trabalhadora não é e nunca será prioridade. O que se vê são professores exaustos pela dupla ou tripla jornada para compor a renda familiar, desmotivados e que se julgam incapazes de darem aulas atrativas aos seus alunos.

A realidade das crianças e jovens, filhos da classe trabalhadora, é da falta do essencial, como saúde, alimentação e educação. Na periferia e bairros mais pobres com o agravante da violência do estado pela via da polícia militar. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha divulgada esta semana mostra que mais da metade da população diz ter medo da policia militar e entre estes a maioria são de jovens negros e pobres.

A mesma polícia que leva a violência para o cotidiano dos alunos e que acaba refletindo também na vida escolar, agora é colocada pelo estado para, ironicamente, responder o problema da violência nas escolas. A mesma mão que mata jovens negros na periferia agora poderá atuar como "educador" dentro das instituições de ensino.

Com este cenário a Pátria Educadora está mais para "Pátria Repressora", já que responde aos problemas da educação com polícia e a criminalização dos jovens, não por acaso a redução da maioridade penal foi aprovada na Câmara dos Deputados e a alteração no ECA, que permite o aumento de reclusão dos jovens, passou no Senado em aliança entre PT e PSDB.

Por uma educação de qualidade para a classe trabalhadora

Não há dúvidas de que os professores são pouco valorizados pelo estado burguês, mas o que mostrou os cartazes das manifestações de junho de 2013, quando a população saiu às ruas cantando que o professor vale mais que o Neymar, e o amplo apoio que teve as greves da categoria este ano é a força e o papel protagonista que os professores podem cumprir na luta por uma educação de qualidade e contra a criminalização das nossas crianças e juventude.

Por isso, nós, os professores, precisamos desmascarar as reais intenções por trás deste projeto crescente de militarização nas escolas públicas e agitar uma forte campanha contra a redução da maioridade penal, que visa encarcerar ao invés de educar, além de punir qualquer força de mobilização e resistência que possa surgir da juventude contra o governo.

Nós que todos os dias encontramos os olhares cheios de significados dessas crianças e jovens dentro das salas de aulas, tentando sempre tirar o que eles podem oferecer de melhor, precisamos mais do que nunca sair em defesa da juventude e dar uma verdadeira para a educação pública, para que seja laica, livre da PM e de qualidade.




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