Educação

GREVE NA USP

A luta dos estudantes deve ser por uma universidade a serviço da classe trabalhadora

Frente a aprovação de greve na última assembleia geral, estudantes da USP agora tem o desafio de ampliar a mobilização nos cursos, unificando a luta com professores e funcionários.

Odete Cristina

São Paulo

segunda-feira 4 de junho| Edição do dia

Depois de aprovarmos greve na última assembleia geral dos estudantes da USP, fomos surpreendidos por uma semana em que bloqueios de caminhoneiros dirigidos pelos interesses das patronais dos transportes e do agronegócio pararam o país, escancarando a crise dos combustíveis. A reitoria se aproveitou disso para esvaziar a universidade suspendendo as aulas, mas obrigando que os funcionários continuassem seu trabalho, e principalmente mantendo a reunião do Conselho Universitário com a universidade esvaziada.

Mesmo com a falta de transporte e gasolina, realizamos um importante ato na última terça-feira, com centenas de estudantes, professores e funcionários contrários ao arrocho salarial e em defesa da educação pública. Na ânsia de aprovar o arrocho, Vahan, o reitor, manteve a sessão, ignorando todas as questões de ordem e argumentos apresentados em relação a decisão sobre o reajuste salarial estar sendo tomada pelo CO e não entre o Conselho de Reitores das Estaduais Paulistas e o Fórum das Seis, atacando assim a isonomia das três universidades paulistas.

Diante de tudo isso, os representantes estudantis e de funcionários romperam com essa reunião ilegítima. Mesmo assim a reitoria seguiu a reunião aprovando a proposta de 1,5% de reajuste salarial para docentes e funcionários, índice que não representa sequer o arrocho acumulado nos últimos 3 anos, que corresponde a 12,5%.

O cancelamento das aulas, levou também, ao cancelamento da maioria das assembleias de curso que estavam marcadas para a última semana. Na prática nossa greve ainda está por ser aprovada nos cursos, assim como votamos na última assembleia geral. O que coloca ainda mais na ordem do dia, o desafio de massificar e unificar nossa luta.

Nessa segunda-feira acontecerão assembleias em diversos cursos da USP, onde é fundamental a presença de todos os estudantes para que assim possamos debater os rumos da nossa mobilização. Nesse dia também acontecerá uma nova assembleia dos professores que estão em greve. Na terça, será a vez de trabalhadores da USP debater o indicativo de greve e o dia de uma nova assembleia geral dos estudantes, onde será fundamental o informe dos debates realizados nas assembleias dos cursos para pensarmos a perspectivas da nossa mobilização. E principalmente para votarmos por quais demandas os estudantes da USP se colocam em luta.

É por tudo isso que ainda seguem muito fortes os dois grandes perigos que podem levar nossa mobilização a derrota e desmoralização, por um lado o imobilismo representado pelas concepções burocráticas da gestão Nossa Voz do DCE (PT, Levante e UJS), muitas vezes apoiado por setores da própria esquerda. Por outro o ultra vanguardismo de alguns setores que defendem greve apenas porque é um “método radical”, esvaziando assim todo conteúdo do por que entramos em greve e toda discussão política entre os estudantes. Ambos levariam ao oposto do que a maioria dos estudantes desejam nesse momento, que é a necessidade de unificar e massificar nossa luta.

Para nós da Faísca – Anticapitalista e Revolucionária, a única forma de fazer com que essa mobilização não pare nas manobras burocráticas da direção do DCE ou fique presa a uma pressão de fazer luta apenas pela luta é debatendo profundamente em cada assembleia estudantil, em cada reunião de curso e com o conjunto dos estudantes quais as demandas que levantaremos em nossa mobilização.

O que para nós passa por em primeiro lugar por denunciar que enquanto o reitor Vahan e toda burocracia universitária vão até a Assembleia Legislativa do Estado pedir aumento no teto dos seus super salários, dizem que não tem verbas no orçamento, oferecendo arrocho salarial para professores e funcionários, e negando bolsas de permanência estudantil para toda demanda. O que torna ainda mais necessário fortalecer nossa mobilização e ampliar a construção nos cursos. Por isso mesmo que o DCE tem a responsabilidade de organizar em cada curso assembleias e reuniões para debater as nossas demandas. O que para nós passa por lutar lado a lado com professores e funcionários contra o arrocho salarial; por defender a permanência estudantil para todos; pela revogação dos parâmetros de sustentabilidade, mais conhecido como PEC do fim da USP que foi aprovado sob bombas e bala de borracha o ano passado; pela reabertura da creche oeste; e aplicação da verba de 48 milhões destina ao HU, para que ele volte a atender toda população da região. Devemos com a força da nossa mobilização exigir a também a abertura imediata do livro de contas, pois não podemos aceitar que o dinheiro da população seja para garantir os privilégios dos burocratas e não para a contratação de mais funcionários e professores, para garantia da permanência e do salário digno.

Mas isso passa por debater também, os rumos do país, pois tudo que acontece na USP está intimamente ligado aos acontecimentos nacionais e os estudantes também precisam se colocar como sujeitos em meio a toda essa situação. Vimos a política traidora do PT – que também está à frente da direção da nossa entidade – quando traíram duas greves gerais deixando passar a reforma trabalhista, quando não organizaram de fato a luta contra o golpe e os avanços bonapartistas do judiciário, como na prisão arbitrária do Lula, que visam retirar o direito da população decidir em quem votar. Vimos como tudo isso impôs uma paralisia e desmoralização da classe operária e da juventude, abrindo espaço para que a direita pudesse se fortalecer como aconteceu frente a crise dos combustíveis, com o bloqueio promovido pelos caminhoneiros incentivados pelas patronais dos transportes e do agronegócio, que inclusive vai reitirar da já insuficiente arrecadação do icms destinada as universidades paulistas para garantir os subsídios patronais, e na traição da greve da Petrobrás. Por tudo isso, precisamos tomar essa mobilização em nossas mãos, construindo um forte comando pela base, massificando em cada curso, defendo um programa que rompa com essa subordinação aos interesses imperialistas, se colocando abertamente contra a reforma trabalhista, como fizeram os professores e estudantes das escolas particulares, contra as privatizações e os cortes do governo golpista de Temer. Declarando abertamente que não aceitamos que a população receba arrocho salarial, aumento do preço da gasolina e do gás de cozinha, precarização da saúde e educação, reforma trabalhista e toda uma série de ataques. Enquanto para os patrões e grandes empresários a resposta é subsídios, aumento dos lucros e manutenção do pagamento da fraudulenta e ilegítima dívida pública, um verdadeiro roubo do capital imperialista ao nosso país.

Devemos com nossa mobilização retomar o espirito dos estudantes em maio de 68, que questionaram profundamente como conhecimento produzido dentro das universidades estava a serviço dos interesses imperialistas e se propuseram a superar as burocracias no interior do movimento para lutar lado a lado com a classe trabalhadora por uma universidade que estivesse a serviço dos trabalhadores e de toda população. É esse combate que nós da juventude Faísca nos propomos a dar em meio a essa mobilização, e convidamos a todos os estudantes que concordam com essas ideias a discutir e se organizar conosco para construir um movimento estudantil que resgate todo o seu potencial subversivo, para ao lado dos trabalhadores, defender uma universidade e uma sociedade que ao invés de atender as demandas dos grandes capitalistas, esteja a serviço dos interesses dos trabalhadores e de todos aqueles explorados e oprimidos por esse sistema.




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