Mundo Operário

LUTA DOS PROFESSORES DE SP

A luta contra o SAMPAPREV: as organizações de esquerda colocarão toda sua força?

Nesta quarta-feira, teremos um dia decisivo para professores e servidores de São Paulo, já que está sendo chamado um grande ato contra o projeto municipal SAMPAPREV, um projeto de lei que retira direitos de aposentadoria dos trabalhadores do município. A importância desta luta extrapola os limites do município, pois se trata da primeira tentativa de aplicar a reforma da previdência, ou seja, se conseguem aplicar em uma das principais capitais do país, buscarão seguir nos atropelando, como um trator, para retirar direitos dos trabalhadores, ainda mais no governo de Bolsonaro.

terça-feira 4 de dezembro| Edição do dia

Não por acaso, no mesmo momento em que os vereadores também vêm tentando aplicar o projeto Escola sem Partido, para perseguir professores, inibir nossa luta e, na medida em que também tira a possibilidade de a juventude poder contar com uma formação crítica, criar um clima favorável para a aplicação das reformas que retiram nossos direitos, já que desmobilizou os setores que poderiam ser a linha de frente da resistência.

Para atuar nesse contexto, o prefeito Bruno Covas (PSDB), junto com Milton Leite do DEM e Presidente da Câmara de Vereadores, deu um passo adiante na tramitação do PL e criou, de forma totalmente burocrática, uma comissão presidida por Janaína Lima (NOVO) e por Fernando Holiday (DEM), com a presença de outros vereadores que, com um verniz demagógico, vão preparar a aprovação da reforma que ataca a aposentadoria dos servidores, o que pode acontecer ainda neste ano.

Caio Miranda do PSB defende na comissão do SAMPAPREV a proposta do governo Covas em aumentar a alíquota dos servidores municipais de 11 para 14%, e quer que os trabalhadores paguem a conta atacando os seus direitos. É com esse partido que o PT e até mesmo o PSOL veem que é possível fazer uma frente ampla contra Bolsonaro para defender a aposentadoria dos trabalhadores? Quanto mais unidade que propõe com a burguesia, mais dividem os trabalhadores. Não é fazendo frente com esses partidos que defenderemos a aposentadoria dos professores contra o SAMPAPREV. Por isso, a CUT e a CTB nos sindicatos que dirigem devem romper com a política do PT de "aguardar a previdência nacional" para tentar capitalizar o desgaste e colocar todo seu aparato a serviço da luta dos professores.

Não estamos diante de uma medida qualquer com essa votação do SAMPAPREV: é decisiva a postura da esquerda nesse processo. Partidos como o PSOL, que pela via de parlamentares como Sâmia Bonfim e Toninho Vespoli, neste momento, vereadores, têm atuado na câmara contra o projeto, mas a realidade é que as necessidades de professores e servidores são maiores: é preciso que esses parlamentares encabecem no PSOL, com todos os principais parlamentares e sua bancada recém-eleita, uma forte campanha de denúncia desse ataque às aposentadorias, convocando intelectuais para se posicionarem contra, fazendo uma forte campanha de solidariedade aos professores.

E mais: com a força de seus Parlamentares, o PSOL, certamente, poderia levar adiante o pedido de impugnação da Comissão de Estudos do SAMPAPREV, que foi criada desrespeitando o acordo da greve e também, por consequência, os servidores. Trata-se de uma Comissão que só servirá para garantir a tramitação desse PL. Imaginem se, na forte coluna de milhares de trabalhadores do município, se unisse uma forte campanha estadual e mesmo com figuras nacionais do partido para frear esse ataque e impedir o SAMPAPREV? Por que o PSOL não coloca toda sua força na frente única desta quarta-feira?

O mesmo poderia se dizer do PSTU, que tem agrupações de professores na categoria e coordena uma central sindical, a CONLUTAS. Haverá uma forte campanha dessa central sindical para impedir esse ataque? Por que a central, com seus recursos e sindicatos, não encheu as escolas estaduais de solidariedade, com cartazes, panfletos da entidade etc.? Por que não batalhou nos sindicatos onde é oposição, muitos de educação, para que a CUT rompesse com sua paralisia e organizasse apoio ativo a luta contra o SAMPAPREV, utilizando todo seu aparato sindical e midiático para isso?

Ainda mais se pensarmos que, na Coordenação Nacional, na Setorial de Educação, foi aprovada exatamente essa proposta, ou seja, para que fosse construída uma ampla campanha de apoio e solidariedade a essa luta, dada sua importância nacional e sua relação com a Reforma da Previdência. Para os professores e servidores, receber apoios das mais distintas regiões do estado ou do país, dos mais distintos setores de trabalhadores da sociedade poderia fazer uma grande diferença.

Além disso, para que os professores tenham confiança para levar uma forte luta, levando em consideração a tentativa de aprovar o SAMPAPREV às vésperas do Natal e das férias, é necessária a mais ampla democracia de base. Que os professores tenham voz nas assembleias e possam discutir, propor e deliberar em organismos de base, como comandos de mobilização e reuniões de representantes expandida. Essa é uma batalha decisiva, que a oposição do SINPEEM, composta também por PSTU e PSOL, deve levar para massificar e fortalecer a luta.

Nós, do Movimento Nossa Classe Educação, fazemos um chamado a todos os servidores para preparar o contra-ataque, unificando nossas forças, unindo os professores, servidores e demais categorias solidárias para derrotar de uma vez por todas o SAMPAPREV e mostrar aos trabalhadores de todo o país o caminho para vencer. Essa é a principal tarefa dos sindicatos, do SINPEEM de professores e do SINDSEP dos servidores públicos e demais sindicatos do funcionalismo, dirigidos pela CUT e pela CTB, que devem construir esse dia com todas as suas forças, para preparar um golpe fatal contra esse projeto, com uma grande assembleia seguida de um grande ato, com a organização de um comitê de mobilização unificado, que seja deliberativo, para decidirmos os rumos da nossa luta e acabarmos de uma vez por todas com essa comissão que tem como principal objetivo acabar com nossos direitos.

Sabemos que a política do PT é tentar construir uma "frente ampla" que inclui partidos como o PSB, que no caso está a frente com Caio Miranda do ataque do SAMPAPREV. Esse tipo de frente não nos levará a lugar nenhum. Ao mesmo tempo que Claudio Fonseca (PPS) é base aliada de Bruno Covas (PSDB) na Câmara e seu partido apoiou o golpe, além de defender uma proposta de reforma da previdência. É por isso que dizemos com todas as letras: devemos nos manter totalmente independente de "frentes amplas" com partidos que nos atacam e não podemos ter nenhuma confiança nessa direção do sindicato, mas, sim, nas nossas próprias forças, na força dos professores e servidores municipais, tomando os espaços de decisão dos próximos passos da luta. Não podemos tão pouco depositar nossa confiança nas direções CUT e na CTB, que junto com as Centrais golpistas, FS, NCST e UGT, assinaram um pacto que cogita que possa vir do governo Bolsonaro uma proposta justa de Reforma da Previdência, como se isso fosse possível, sendo o Presidente eleito um inimigo declarado dos trabalhadores, em especial, dos professores e servidores públicos, que trata como privilegiados. Exatamente por isso, qualquer luta consequente contra o SAMPAPREV deve começar por rever essa posição em relação à Reforma da Previdência e, nesse sentido, chamamos os companheiros da Intersindical, dirigida pelo PSOL, e da CSP Conlutas, dirigida pelo PSTU, a romper com esse documento que também assinaram e se somarem à exigência pelo fim dessa trégua, que só servirá para entregar a classe trabalhadora aos ataques.

Só com uma ampla frente única dos trabalhadores, reunindo milhares de professores e servidores para bater com um só punho nos anseios da direita e do prefeito Bruno Covas, podemos vencer. A esquerda está convocada a colocar todas as suas forças nessa luta, iniciar uma grande campanha de solidariedade e pela construção dessa Frente, pois não existe luta mais importante para os trabalhadores que repetir para o novo prefeito a mensagem que já deram a Dória os professores e os servidores:
NÃO AO SAMPAPREV! OS ATAQUES À APOSENTADORIA NÃO VÃO PASSAR!




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