Gênero e sexualidade

LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

A luta argentina pela legalização do aborto ecoa pelo Brasil

Ocorreram hoje em São Paulo e no Rio de Janeiro, em frente ao consulado da Argentina em ambas as cidades, manifestações em solidariedade internacionalista ativa à luta das mulheres pela legalização do aborto na Argentina.

quarta-feira 13 de junho| Edição do dia

No dia 2 de março, o presidente direitista argentino Macri afirmou que abriria o debate sobre o aborto, já deixando claro desde o início que sua posição era "a favor da vida". Essa decisão de abrir essa discussão se deu para em primeiro lugar tentar acalmar o movimento de mulheres que expressa disposição de luta para arrancar esta demanca e também porque Macri já estava com a corda no pescoço pela luta dos trabalhadores contra a reforma da previdência e não mais poderia permitir outro levantamento como o ocorrido em dezembro do ano passado.

Hoje está sendo votada a lei pela interrupção voluntária da gravidez, enquanto o Senado tenta garantir que esta lei só seja válida para mulheres acima de 13 anos, permitindo que as mais novas se submetam a processos que dificultem, mesmo sendo amplamente conhecido que estas sofrem violências no próprio domicílio e muitas vezes pela própria família.

Se instaura então um dia histórico na Argentina: manifestações massivas ocorrem nas principais cidades. Esta luta tem despertado a adesão de grande parte da sociedade argentina e feito com que milhares de mulheres se levantem pelo direito ao próprio corpo.

No Brasil, as mulheres sofrem ataques muito semelhantes advindos de um governo golpista que só está hoje no poder porque o governo do PT abriu espaço, negociando o direito ao aborto com a bancada evangélica em troca da governabilidade. São as mulheres - e mais ainda as mulheres negras - que ocupam os postos de trabalho mais precários; também são elas as quem mais sofrem com os ataques ideológicos como Escola Sem Partido, pois acabam sendo privadas de educação sobre o próprio corpo e a própria sexualidade.

Nos atos ocorridos hoje em solidariedade internacionalista à luta das mulheres na Argentina, Maíra Machado, militante do movimento de mulheres Pão e Rosas, presente na manifestação hoje em São Paulo em frente ao consulado, declara: "A necessidade de arrancar a demanda nas ruas, confiando apenas nas forças das próprias mulheres organizadas em luta, acompanhadas e apoiadas por trabalhadores e jovens, independente da burguesia - a quem não interessa o direito à vida das mulheres trabalhadoras -, está colocado hoje para as mulheres argentinas. Afinal, os direitos das mulheres nunca foram dados, sempre foram conquistados e arrancados das mãos do capitalismo e do patriarcado. É este exemplo que devemos seguir aqui no Brasil."

No Rio de Janeiro, Rita Frau, também militante do movimento de mulheres Pão e Rosas, presente da manifestação no Rio de Janeiro, também declara: "Essa luta que acontece hoje na Argentina é um exemplo para nós no Brasil e para todo o mundo, que nos inspira com a revolta não só contra a hipocrisia da Igreja e dos governos, mas também nos inspira com a luta contra a reforma trabalhista que aconteceram ano passado e impuseram profundas lesões ao governo Macri. Que essa maré verde que hoje acontece na Argentina se transforme em tsunami e influencie mulheres em todo o mundo!"




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