Opinião

TEMER NA FOLHA

A "inocência cristalina" de Temer, o injustiçado presidente acusado de corrupção

O presidente golpista Temer publicou nesta quinta (06), na coluna Opinião da Folha de São Paulo, um texto em que apresenta as teses de sua defesa em relação à delação de Joesley Batista, em que sua voz aparece em uma gravação dizendo que era necessário manter o silêncio de Eduardo Cunha na prisão. Além disso, Temer é acusado de ter recebido R$ 500 mil do executivo da JBS.

quinta-feira 6 de julho| Edição do dia

Para legitimar o absurdo de seu discurso, Temer diz ser um advogado de carreira e professor e que só foi possível que ele fosse acusado de corrupção porque também se ultrapassou as barreiras legais. Segundo o golpista isso aconteceu quando foi enquadrado no que chama de novas categorias do direito penal, “criadas pelo Ministério Público Federal e que assombram o mundo jurídico”, o “direito penal da ilação” e o “direito penal do porvir”.

Ilação é sinônimo da palavra inferência que é a indução de uma conclusão por meio da ligação que essa teria com outras proposições ou sugestões. Ou seja, Temer está sugerindo que essas acusações não possuem veracidade por não possuírem uma conclusão verdadeira. Porvir é o que estaria para surgir, o que não aconteceu ainda. Dessa maneira Temer claramente está atacando o Judiciário e a sua forma de atuação, vide o título de seu texto que chama todo esse processo de “heresia”.

Sobre a gravação em que aparece sua voz, Temer diz que essa seria “clandestina” sendo que a gravação já foi considera audível e também possuidora de uma sequência lógica, o que atestaria a sua veracidade. O Ministério Público produziu quatro laudos de "verificação de gravação do arquivo de áudio" nas gravações entregues pelo empresário Joesley Batista no acordo de colaboração premiada assinado com a Procuradoria-geral da República e homologado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

É um absurdo também que um empresário pague propina e faça um acordo com a justiça para sair ileso de seus crimes desde que, para isso, entregue o seu favorecido.

Ainda sobre a acusação, Temer diz que não há nada que comprove a mácula de sua conduta cristalina. Segundo o golpista, a acusação e a gravação não dizem onde, quando, a quem ele pediu a propina e de quem ele recebeu. Ora, é claro que ele pediu ao próprio Joesley Batista, a quem ele chama de “acusador desesperado por transferir seus crimes a outros”.

Temer termina o texto dizendo: “Luto hoje não apenas pela minha inocência, mas para garantir o direito sagrado de todo brasileiro. Luto para que prevaleça a lei sobre os interesses subterrâneos e inconfessáveis que movem aqueles que envenenam nossas instituições e querem matar princípios básicos consagrados pela nossa civilização.”.

É fato que o judiciário tem passado dos limites do que se conhece sobre o que se pode ou não fazer em uma investigação. A justiça burguesa não é defensável em sua forma. O "partido judiciário", que tenta se firmar, sem dúvidas é arbitrário e não se deve ter nenhuma confiança em seus meios. A questão é que Temer talvez pense que as pessoas sejam surdas e que não possuem a capacidade de ligar os fatos quando esses lhe são apresentados.




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