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A indiferença da reitoria da USP com o curso de obstetrícia

A graduação em Obstetrícia foi uma das primeiras da área da saúde à virem para o Brasil, junto com Farmácia, Medicina e Odontologia. Entretanto, a Universidade de São Paulo, a famosa USP, que tanto se gaba por aparecer nos rankings internacionais, a única a oferecer a graduação em Obstetrícia no país, negligencia a Obstetrícia desde sua criação.

domingo 4 de junho| Edição do dia

A graduação em Obstetrícia foi uma das primeiras da área da saúde à virem para o Brasil, junto com Farmácia, Medicina e Odontologia.

Resistiu até meados de 1970, quando, por razões políticas, virou uma habilitação para graduadxs em Enfermagem. Concomitantemente, a proporção de cesarianas no país começou a crescer, até que, atualmente, nascem mais bebês por essa via em comparação aos nascidos de parto normal.

Em 2005, em consonância com estímulos nacionais e internacionais para humanização à assistência dada à mulher no ciclo gravídico-puerperal e para a redução de mortalidade materna e neonatal, a graduação em Obstetrícia foi reaberta, já que obstetrizes comprovadamente provêm uma assistência segura à mulher em diferentes momentos, principalmente na gestação de mulheres saudáveis, no parto de risco habitual e no acompanhamento de neonatos, sendo o modelo de assistência liderado por obstetrizes o mais adequado para esse público, segundo revisões sistemáticas internacionais, a OMS, a UNFPA, etc.

Entretanto, a Universidade de São Paulo, a famosa USP, que tanto se gaba por aparecer nos rankings internacionais, a única a oferecer a graduação em Obstetrícia no país, negligencia a Obstetrícia desde sua criação.

Nunca tivemos nosso quadro de docentes completo e essa situação era contornada com a contração de professores temporários para o acompanhamento de estágios obrigatórios. Agora, que a taxa de evasão dxs alunxs diminuiu e que a demanda pelo curso aumentou, com as lutas que asseguraram a contratação de obstetrizes por maternidades privadas e até mesmo a abertura de um concurso público para obstetrizes, o curso não possui docentes suficientes para acompanhar todxs nos estágios, e a reitoria da USP ignora todos os pedidos de contratação, mesmo acatando o pedido de outras unidades e cursos tradicionais e com evidente envolvimento com iniciativas privadas, ou seja, que recebem verba de diversas fontes.

Além de obrigar-nos a colocar em pauta a discussão da redução de vagas, da suspensão das 1260h de estágio obrigatórios em saúde da mulher e recém-nascido, a negligência da USP afeta a população em geral, o SUS, a saúde pública e de qualidade e, principalmente, os direitos humanos, sexuais e reprodutivos das mulheres que morrem por falta de atenção do sistema, ou são violentadas pela tecnocracia e despersonalização que este mesmo sistema prega.

As obstetrizes lutam contra isso. São formadas em um ideal de humanização, saúde integral, atenção holística e que respeita a fisiologia e os direitos sobre o próprio corpo, não deixando de lado a competência técnico-científica exigida de um bacharelado na área da saúde.

Enquanto a taxa de mortalidade materna no Brasil é a de 62/100.000, a Holanda, com a assistência liderada por obstetrizes, possui uma taxa de 12/100.000.

A proporção ideal para o acompanhamento de estágios e de 1 professor para 5 alunos. No próximo semestre, essa proporção será de 1 para 9. Os estágios do primeiro semestre de 2018 não estão garantidos.

Não vamos deixar a USP desmontar um curso essencial para a sociedade. O curso foi aberto por motivos políticos e será mantido por luta. É pela vida das mulheres.

#obrasilprecisadeobstetrizes




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