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A igreja e os trabalhadores: um debate necessário

sexta-feira 26 de fevereiro de 2016| Edição do dia

Com a ameaça celestial do "ser superior" que julgará a voracidade do capital visa que a igreja "console" os trabalhadores católicos para suportar a miséria da vida cotidiana: jornadas de trabalho intermináveis, salários baixos, casas sem os serviços básicos, violência contra as mulheres.

Sua aposta, elaborada por uma hierarquia que vive na opulência, tem como base que milhões de trabalhadoras e trabalhadores no México são católicos e creem em Deus, a quem consideram uma força que pode garantir-lhes uma vida melhor depois de morrer.

Milhões de pessoas - católicos e não católicos - escutaram o discurso progressista do Papa Francisco. Porém, não podemos deixar de recordar que, por outro lado, na cidade doi México, recebeu aos grandes empresários, como a família Servitje, donos do grupo Bimbo, entre outras companhias, e os Azcárraga, proprietários da Televisa.

Ambas são empresas que tem denúncias de assédio nos locais de trabalho, demissões injustificadas e sem indenizações e demissões por gravidez. Digamos que a exploração e os abusos trabalhistas são a base sobre a qual as piedosas famílias Servitje e Azcárraga construíram suas multimilionárias fortunas.

Para não mencionar o arcebispo Noberto Rivera - de quem se diz ter caído em desgraça - que abençoou Salinas de Gortari em seu momento, e que gosta de estar ao lado do alto empresariado em restaurantes Gourmet.

A igreja, dirigida por uma hierarquia que vive em uma opulência que contrasta com a difícil situação pela qual passam milhões de mexicanas e mexicanos católicos, atua como bispo das multinacionais. Como afirma Andrea D’Atri em seu artigo "Marxismo e religião". "as classes dominantes utilizaram - e utilizam- a religião para manter as classes exploradas sob a sujeição, apelando à paciência e a mansidão frente a miséria e o julgo, justificando o sofrimento por um amanhã cheio de recompensas.

Em todos os sistemas baseados na exploração de uma classe por outra, as religiões e as igrejas foram órgãos da classe dominante destinados a sustentar a ordem existente.

Recordemos, por exemplo, que o evangelho de São Mateus diz " És mais fácil quem um camelo passe pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus", e pouco depois "Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus".

Estas passagens, entre as mais famosas da Bíblia, nas mãos de Bispos e cardeais, tem um uso político: anestesiar os instintos de rebelião da classe trabalhadora e setores populares contra as classes possuidoras.

Por isso, assim como respeitamos as crenças de amplos setores da população trabalhadora do país, acreditamos que depositar todas as ilusões em uma vida melhor, no além, leva a que os trabalhadores se resignem, a que seus espíritos se aquietem e aceitem mansamente entregar sua energia para que uns poucos se enriqueçam e vivam o prazer e o luxo. A que sejam uma engrenagem a mais na linha de produção.

Vladimir I. Lênin assinalou que "A raiz mais profunda da religião em nossos tempos é a opressão social das massas trabalhadoras, sua aparente impotência total frente as forças cegas do capitalismo que a cada dia, cada hora, causa aos trabalhadores sofrimentos e martírios mil vezes mais horrorosos e selvagens que qualquer acontecimento extraordinário, como guerras, terremotos, etc. ’O medo criou os deuses’, O medo a força cega do capital - cega porque não pode ser prevista pelas massas do povo - que a cada passo ameaça trazer o proletariado e o pequeno proprietário a destruição, a ruína ’inesperada’, ’repentina’, ’casual’, convertendo-o em mendigo, em indigente, jogando-o na prostituição,"

Não se trata de declarar a guerra às crenças, mas sim a voracidade do sistema capitalista, que move a vida de milhões de homens, mulheres, meninos e meninas em todo planeta. como uma infernal trituradora de músculos, ossos e sonhos.

A exploração dos seres humanos por parte de uns poucos privilegiados não é um fenômeno natural, Se dá em um marco histórico e concreto determinado e pode terminar se os de baixo se rebelam e enfrentam o capital.

Frente a isso, os socialistas revolucionários sustentam que a saída à vida esmagadora das massas, trabalhadoras não está no céu, mas sim, na terra. Na força da classe trabalhadora que move os principais engrenagens da economia capitalista: a indústria e os serviços.

Uma força que lentamente se vislumbra, como nas greves levadas a diante pelos trabalhadores da Lexmark, que no caso da paralisação do dia 7 de dezembro ocasionou a perda de 6 milhões 250 mil dólares a essa multinacional.

Uma força que necessita contar com seu próprio instrumento político dos e das trabalhadores, independente de todos os partidos que se aliam com os empresários.




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