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MEXICO

A guerra do governo contra os professores

Em Nochixtlan, Huitzo e Telixtlahuaca, assim como no acesso a cidade de Oaxaca, se desataram verdadeiras batalhas campais onde as forças repressivas apelaram para balas de borracha, gás lacrimogênio e helicópteros, com um saldo de 8 manifestantes assassinados e mais de uma centena de feridos.

quarta-feira 22 de junho de 2016| Edição do dia

Os governos de Peña Nieto e de Gabino Cué são os responsáveis destas mortes, é por isso que nas rádios de Oaxaca muitos trabalhadores e jovens reivindicam a saída de Cué e Nuño.

A tentativa de esmagar a resistência magisterial e popular

Já se anunciava desde o fim de semana passado. A repressão se deixou sentir no despejo do acampamento em frente ao Instituto de Educação Pública de Oaxaca (IEEPO) e na detenção de dirigentes da seção XXII, Rubén Núñez e Francisco Villalobos.

No 14 de junho, décimo aniversário da heroica Comuna, a manifestação que ocorreu em Oaxaca se somou a barricadas e bloqueios em numerosos pontos do estado.

Enquanto na cidade do México permanecia o acampamento da Ciudadela, em Michoacán, Guerrero e Tabasco se sucediam as ações. Assim como em Oaxaca, em Chiapas o protesto dos professores junto a setores da população estava em ascenso. Na Cidade do México se mostrava o apoio de setores de trabalhadores – como na marcha passada de 14/6-, de intelectuais e distintas personalidades.

É sabido que Peña Nieto e Nuño apostaram na demonização e no isolamento dos professores, os acusando de “dispersos” e “briguentos”.

Por isso descarregaram a selvagem repressão. EPN quis acabar com o magistério e evitar que avançasse a unidade com outros setores operários e populares, que foi um dos elementos que começou a mostrar-se nas últimas semanas.

Esta tendencia a aliança operaria e popular com o magistério não se limitava a setores do sul do país. Começava a se fazer presente na capital, como dizíamos anteriormente.

Assim mesmo, em Oxaca e Chiapas as barricadas, os bloqueios e as mobilizações do movimento magisterial e popular recordavam as imagens da Comuna de Oaxaca de 2006, que surgiu precisamente quando a repressão de 14 de junho de 2006 despertou uma rebelião popular. A “comunalização” da resistência magisterial era um potencial cenário de pesadelo para EPN e Cué. Por isso quiseram apaga-la com um só golpe com uma das repressões mais brutais dos últimos anos.

Solidariedade com o magistério em luta

A guerra contra o magistério continua. Sobre os professores em Oaxaca, Chiapas e todo o país existe a possibilidade de novos ataques repressivos.

A única forma de evita-lo e fortalecer a luta magisterial é cercar de solidariedade o magistério.

Para isso é urgente uma grande mobilização nacional, unitária e coordenada, que ponha milhares nas ruas e que -de norte a sul, e de leste a este-, se coloque um basta a repressão de Peña Nieta, exija a liberdade imediata de todos os presos políticos e a resolução das demandas do magistério, assim como punição aos responsáveis da repressão e assassinato de 19 de julho.

Não se pode derrotar esta ofensiva com ações “deslocadas”. As organizações políticas, sindicais, democráticas, de direitos humanos e intelectuais devem convocar uma grande ação: uma verdadeira demonstração de forças para que o governo perceba que o magistérios não está sozinho.

Neste sentido, e como defendemos aqui, a convocação de AMLO para 26 de junho já é tarde. As bases de Morena deveriam exigir que sua direção se ponha toda a serviço da luta. Não se pode esperar até domingo. Tão pouco centrar expectativas nas “mesas de dialogo” que propõe os deputados de Morena. É urgente mostrar nas ruas o apoio incondicional. Somente assim sera imposta ao governo as demandas dos professores.

A força dos trabalhadores

Para que as e os professores não sejam derrotados, é fundamental a ação de um grande gigante: a classe operária. Os milhões de trabalhadores que se concentram nas grandes cidades , que movem a produção, o comércio, o transporte e as finanças, se tomam consciência de sua força poderiam paralisar a economia, por contra as cordas o governo e consolidar a solidariedade mais efetiva.

Durante décadas, os aliados do proletariado industrial -os professores, os camponeses e indígenas- batalharam duramente contra o governo. Suas direções os levaram a se aliarem com um ou outro partido do regime, como acontece com o magistério de Oaxaca e Gabino Cué. Mas os verdadeiros aliados do México magisterial, indígena e camponeses do sul do país, estão nos jornaleiros de San Quintín, nos trabalhadores da Honda, nas operarias maquiladoras de Juáres, nos milhões de assalariados que nos últimos anos começaram a despertar de uma longa dormência. É o momento de soldar a aliança que necessitamos: a que une os indígenas de Chiapas com as operárias da fronteira norte, aos professores de Oaxaca e de Chiapas com o proletariado das fabricas do Estado do México, Guadalajara e Monterrey.

Já vimos exemplos de apoio com a luta magisterial em seus irmãos de classe. As centrais que se reivindicam opositoras -como a União Nacional de Trabalhadores (UNT) e a Nova Central de Trabalhadores – Deveriam propor uma data para uma paralisação nacional em apoio aos professores.

Mas isto não é o suficiente. Há milhões de trabalhadores que não estão organizados nestas centrais. Há que definir uma política ativa para somar a esta Paralisação Nacional os trabalhadores sindicalizados pela CTM e que não contam com organização sindical. Se derrotam o magistério, a patronal estará em melhores condições para aprofundar a exploração nas fábricas. Se triunfa o magistério, pelo contrário, debilitará os “de cima” e colocará em melhores condições a classe trabalhadora por suas demandas. Para organizar isto é urgente um Encontro Nacional de Organizações em Luta, convocado pela CNTE e todos os que querem derrotar o governo.

Frente a guerra que declararam contra o magistério, a tarefa do momento é colocar em pé uma grande mobilização democrática nas ruas, e preparar uma grande paralisação nacional em solidariedade dos professores em luta. As organizações que dizem democráticas, assim como as centrais e sindicatos que se definem como opositores, têm a palavra.




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