#28A

A greve geral mostrou a força de milhões de trabalhadores: nós podemos derrotar Temer

A força que se expressou nesse dia mostra o potencial que temos para derrotar Temer e suas reformas, rumando para uma greve geral até sua derrubada. As tentativas da mídia e do governo de diminuir nossa luta histórica mostram seu desespero com o nosso avanço.

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

sexta-feira 28 de abril| Edição do dia

De norte a sul do país os trabalhadores cruzaram os braços. Do pólo petroquímico de Camaçari, à Zona Franca de Manaus às concentrações metalúrgicas de Curitiba e Caxias do Sul, passando pelo ABC paulista, pelas refinarias e plataformas da Petrobras, pelos setores de transporte de norte a sul do país, nas escolas, nos bancos, nos serviços e até mesmo no comércio. Paramos o país.

Tanto a cobertura que a mídia fez, como as declarações dos governos durante esse dia em que a classe trabalhadora parou o país foram bastante claras a respeito de suas intenções, e também de seu medo, por isso depois de enviarem a polícia reprimir os piquetes ainda tem a cara-de-pau, como teve Temer de falar em amplo "diálogo" em sua nota sobre o dia.

Parte da reação mais histérica contra a greve se mostrou com o prefeito-empresário tucano, João Doria, que de manhã vociferava na Rádio contra os grevistas, chamando-nos de "preguiçosos" que acordam tarde (enquanto desde o início da madrugada estávamos fechando com nossos piquetes as fábricas, universidades e garagens de ônibus) e depois ainda disse que os manifestantes foram pagos. Doria, Temer e outros governantes mandaram cortar ponto de quem fez greve e ainda esse milionário que não paga seus impostos tem a pachorra de dizer que os grevistas e manifestantes eram pagos.

Temer colocou Osmar Serraglio, uma figura secundária do governo, como seu porta-voz para dizer que a greve foi "um fracasso". Mas vimos o trânsito que não estava parado em São Paulo mostrando o contrário. Ouvimos a desesperada confissão da Associação Comercial de São Paulo sobre seu prejuízo de R$5 bilhões em São Paulo.

E, muito mais que isso, vimos pelo país inteiro os operários parados nas fábricas e refinarias, os transportes e a educação fechadas, mostrando que o 28A foi uma greve histórica dos trabalhadores desse país.

Na zona oeste de São Paulo, estive com os trabalhadores da USP enfrentando a repressão de Alckmin, como em centenas de piquetes e atos de rua os trabalhadores, com grande apoio popular e da juventude, mostraram disposição de luta contra a repressão do Estado por meio da polícia. A repressão dos governos, as ameaças de corte de ponto, a intimidação da patronal não foi capaz de nos calar.

A greve geral foi histórica, mas ainda não foi suficiente para derrubar Temer e suas reformas. Se não fosse o papel criminoso dos burocratas que controlam os sindicatos, que além de não organizar assembleias nos locais de trabalho, construir com cada trabalhador a luta de hoje, incentivaram em diversas categorias que os trabalhadores "ficassem em casa" ao invés de ir às ruas. Mas foi nossa disposição de luta que obrigou que esses sindicatos e centrais, mesmo contra a vontade de seus dirigentes, estivessem à frente da maior paralisação dos trabalhadores brasileiros em muitas décadas.

Nossa organização pela base deve continuar a exigir a pressionar para que eles não possam fazer como depois da paralisação de 15 de março e deem uma nova trégua para o governo seguir com seus ataques. Hoje mesmo a Força Sindical já declarou que está disposta a negociar com Temer as reformas. Precisamos derrubar todos os ataques não atenua-los porém mantendo sua essência. Enquanto isso a CUT limita cada ação da classe trabalhadora para trabalhar pela eleição de Lula em 2018. Lula viria depois da terra arrasada de Temer e não se proporia a revogar nenhum desses ataques, como não fez frente às privatizações e a precarização do trabalho herdadas de FHC e continuadas em seu governo. Nossa batalha contra os ataques deve servir para também erguer uma outra saída política, contrária a conciliação com os capitalistas como tanto fez Lula.

Enquanto Lula, Paulinho todos estão negociando seus futuros em 2018 temos ataques imensos hoje a derrotar, e com essa força poder pautar o que fazer do futuro, inclusive as saídas políticas que possamos e precisamos ter.

A reforma trabalhista já passou na Câmara e segue para o Senado, e a cada dia o governo procura avançar na distribuição de cargos e favores para sua base aliada e para tentar garantir a aprovação da reforma da previdência. Cada dia conta nessa luta, e não podemos deixar esfriar a luta que fizemos hoje.

A repetição do governo e da mídia de que a greve foi fraca, contrariando todas as evidências, é uma mostra de seu medo. A hora agora é de ir por mais: usar o ímpeto de luta que ficou claro hoje para preparar em cada local de trabalho uma greve geral até derrubarmos Temer e todas reformas e a lei de terceirização.

Só a força dos trabalhadores, que começou a se mostrar no dia 15 de março e golpeou com força dobrada nesse dia 28, é que poderá dar uma solução de fato para a crise econômica e política do país, uma solução que seja oposta à que querem nos impor Temer e os capitalistas. Eles querem arrancar nossos direitos, nossos empregos, nossos salários para que sejamos nós, os trabalhadores e o povo pobre, a pagar pela crise. A força de uma greve geral que precisa ser urgentemente preparada, por isso exigimos a construção de um encontro nacional de delegados eleitos em cada local de trabalho que possa organizar toda a força de nossa classe. Os sindicatos dirigidos pela esquerda, aqueles organizados na CSP-Conlutas e na Intersindical tem que cumprir um papel destacado nisso, do contrário não forçaremos a burocracia sindical a aceitar a organização de toda a força da classe trabalhadora.

Com a organização da força da classe trabalhadora podemos arrancar do poder esses políticos corruptos, enfiados até o pescoço em seus esquemas de propinas com os capitalistas, e colocar de pé uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, onde possamos indicar nossos representantes e propor a nossa solução para a crise. Uma solução para fazer com que sejam os capitalistas com suas propriedades e lucros bilionários que paguem, com o fim do pagamento da dívida pública, a taxação sobre as grandes fortunas, a divisão das horas de trabalho por todos os braços disponíveis sem redução de salário, a revogação da lei de terceirização irrestrita e a efetivação de todos os terceirizados.

Essa é a tarefa que nos damos como Movimento Revolucionário de Trabalhadores, e que queremos chamar cada trabalhador desse país, e cada um que vibrou de emoção com esse 28A, a construir a nosso lado. Exijamos a preparação da greve geral até a derrubada de Temer e das reformas e avancemos na luta para que os capitalistas paguem pela crise que criaram!




Tópicos relacionados

#28A   /    Que os capitalistas paguem pela crise!   /    Reforma da Previdência   /    Reforma Trabalhista   /    Governo Temer

Comentários

Comentar