ATO DA DIREITA

A farsa dos números da manifestação na Paulista

terça-feira 15 de março de 2016| Edição do dia

Foto: MIGUEL SCHINCARIOL / AFP

Nesse domingo aconteceu mais uma manifestação de setores da direita que apóiam o impeachment de Dilma. O que também gerou polêmicas foram os números de manifestantes presentes já que as diferenças entre os valores divulgados pela organização, polícia militar e o Datafolha é absurda. A imprensa chegou a dizer que foi a maior manifestação dos últimos tempos. Para não depender das informações divulgadas pela mídia que tem interesse em inflar esse número, a equipe do Esquerda Diário fez um cálculo em base a estimativa de quantos manifestantes tinham por metro quadrado em cada setor do ato e multiplicou pela sua área. Para se ter noção, a Avenida Paulista tem 45 metros de largura (considerando a calçada e os canteiros), e 2700 metros de extensão.

Chegou-se ao valor de aproximadamente 350 mil manifestantes a partir da observação da equipe do Esquerda Diário que estava lá todo o tempo fazendo a cobertura da manifestação. Entre a Consolação e a Augusta (sendo que o bloco seguia na augusta por mais 20m de cada lado), havia uma densidade próxima de 4,5 pessoas por metro quadrado. Já entre a Augusta e o Masp, diminuiu e tinha uma média de 1,5. Entre o MASP e a Rua Pamplona, estava mais cheio e calculou-se por volta de 6 pessoas por metro quadrado. Aí começa o trajeto mais cheio, nos próximos 50 metros (e por 15 metros na Rua Pamplona) tinha quase 15 pessoas por metro quadrado. Dali, até o teatro Gazeta tinha uma média de 2. E até o fim da Paulista tinha por volta de 1 pessoa por metro quadrado, sendo que nas últimas centenas de metros tinha menos ainda.

O valor que temos é uma estimativa baseado nas informações que a equipe do Esquerda Dario coletou durante o dia todo As estações que atenderam a manifestação desse domingo foram centralmente Consolação e Paraíso, já que várias estações como Brigadeiro e Trianon Masp estavam fechadas e de acordo com informações do Metrô de São Paulo, a demanda máxima na estação Consolação e Paraíso foi de 180.181 e 64.814 respectivamente, de entradas e saídas. De acordo com Felipe Guarnieri, metroviário e da bancada de trabalhadores da Cipa linha 1 do Metro de SP:

"Esse numero divulgado pela polícia militar, que chegaram a passar 1 milhão e meio de manifestantes ontem, na avenida Paulista, pra nós que trabalhamos no Metrô, nas estações e no trafego é bastante duvidoso e indica a manipulação que esta sendo feita para aumentar o ato da direita. Para se ter uma ideia, a demanda máxima de entrada e saída de usuários já registrada nas estações Consolação e Paraíso foram respectivamente 180.181 (em 06/06/2012) e 64.814 (em 06/09/1990). Para superar esse recorde que já foi registrado e é atualizado diariamente e pode ser comprovado no próprio registro oficial que o Metrô faz diariamente e até agora eles não registraram nenhum número que foi batido recorde nessas estações com a manifestação de ontem. Esses números precisariam pelo menos serem duplicados ou triplicados. Por isso que simplesmente pelo fato da gente conhecer a operação cotidiana no metro e esta lá todo dia, a gente sabe que se tivesse de fato uma demanda como a que foi divulgada pela policia militar, poderia ter acontecido até uma tragédia nas estações Consolação e Paraíso e nas demais que atenderam a manifestação de ontem. Por isso esse número divulgado pela policia não condiz com a realidade operacional do Metrô de São Paulo."

Fica evidente, que não passou nem perto do numero divulgado pela PM de 1,4 milhão e reproduzido por alguns canais da grande mídia. Ou ainda o numero dos organizadores, que estimou 2,5 milhões. Para se ter uma noção, se a Av Paulista estivesse completamente cheia (o que sabemos que não aconteceu), significaria ter uma média de 20 pessoas por metro quadrado, ou seja teria que caber 2000 pessoas dentro da pequena área de um campo de futebol. Já o numero da PM indicaria que tinha quase 12 pessoas por metro quadrado na totalidade da avenida (1140 pessoas dentro da pequena area!).

Apesar dos números altos apresentados pela imprensa, está claro que os trabalhadores e a juventude estiveram praticamente ausentes dos atos mostrando que podem buscar uma saída independente da direita e do PT à crise política e econômica que ocorre no país. Sobre isso leja a posição do MRT na entrevista aqui.




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