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A esquerda que não exorcizou o fantasma do golpe de 1964 e o movimento operário na ditadura militar

Gilson Dantas

Brasília

domingo 24 de junho| Edição do dia

Para aquela mesa de debatedores do Seminário 50 anos do maio de 1968, do dia 7 de junho, foi colocada proposta de tema O movimento operário no Brasil durante a ditadura militar. Os debatedores: Ricardo Antunes, José Welmovick, Gilson Dantas e outros.

Cada debatedor, dentro do seu tempo de 20 minutos se colocou um desafio. O nosso passou a ser o de examinar as dificuldades das esquerdas naquele Brasil da ditadura, na esfera do movimento operário.

Ou: as dificuldades da esquerda no sentido de saber o que queria, que estratégia abraçar na medida em que, no final de 1968, com a decretação do AI-5 [Ato Institucional que deu poderes plenos à ditadura], um verdadeiro golpe dentro do golpe para fazer frente à explosão operário-estudantil daquele ano, fechou-se o cenário da luta institucional.

Nosso ponto de partida foi o da dificuldade das esquerdas [com grande peso para o PCB] de decifrarem o fantasma de 64, isto é, a postura da esquerda diante do nacionalismo burguês [Jango, Brizola] e o desafio de tratar de conceber uma estratégia de massas, soviética, com delimitação de classe.

Procuramos discutir, na intervenção, reproduzida no vídeo abaixo, a questão de qual a postura estratégica de uma esquerda que vinha de 1964 sem um exame até fim da centralidade da classe operária para a organização política de um movimento para superar o capitalismo; e também de porque a luta armada, que substituía o proletariado por grupos armados, não era a saída. E o quanto a paciente luta pela auto-organização da classe trabalhadora, com independência política, é o que poderia permitir a não repetição dos erros de 1964.

A exorcização desse fantasma, das lições de1964, era o que teria permitido aproveitar o futuro ascenso proletário para organizar um partido operário que não reeditasse a política de conciliação de classes do PCB.

O fato da velha esquerda remanescente de 1964, ter se lançado à luta armada e, mais adiante, a construir um novo partido operário [o PT] sem, novamente, uma resposta estratégica proletária, com seu programa próprio, pode estar mostrando o quanto aquele fantasma jamais foi exorcizado até o final; para os que se interessem por esse debate histórico, de estratégias, o vídeo abaixo pode ser útil.




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