Política

QUE OS CAPITALISTAS PAGUEM PELA CRISE

A esquerda precisa se unir numa grande campanha pelo não pagamento da dívida pública

A esquerda não pode seguir sem apresentar uma alternativa para a crise que faça com que sejam os capitalistas que paguem pela crise. Propomos uma grande campanha que desmascare esse roubo do capital financeiro ao país: a bolsa banqueiro da dívida pública

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT pelo PSOL em 2016, é estudante da UERJ, membro do Centro Acadêmico de Serviço Social e professora da rede estadual

quarta-feira 1º de novembro| Edição do dia

Todos os dias somos bombardeados por argumentos de todo tipo para nos atacarem tirando direitos conquistados pelos trabalhadores com muita luta. É verdade que vivemos uma grave crise econômica, mas trata-se de uma verdadeira operação ideológica para preservar o capital financeiro usurpador do país não falar da fraude da dívida pública, que consome o orçamento público nacional de uma maneira absurda e é como se não existisse. Falam do consumo da previdência, dos programas de assistência social e outros gastos irrisórios do Estado mas escondem que praticamente a metade do orçamento público federal vai para o ralo da dívida pública para favorecer os banqueiros, numa verdadeira bolsa banqueiro.

A esquerda não pode seguir passiva frente a isso. É preciso apresentar um programa anticapitalista que mostre que sim é possível uma resposta para a crise no país que não passa por descarregar a crise nas costas dos trabalhadores. Mas não pode ser que enquanto a direita e os capitalistas querem arrancar o nosso sangue e avançar em taxas de exploração históricas no país, a esquerda se limite a medidas cosméticas, como exigir o pagamento da dívida ativa das empresas ou limitar as isenções fiscais “ruins”.

Menos ainda podemos depositar esperanças de que o caminho é eleger Lula em 2018. O PT, com Lula e Dilma, optou por governar com os empresários e a direita, abrindo espaço para o golpe e bloqueando a luta de classes que é o que pode parar os golpistas. Mais uma demonstração disso é que em relação ao "bolsa banqueiro", é que Dilma sequer aceitou a auditoria da dívida, que é o mínimo, ainda que para nós do MRT não basta uma mera auditoria, é necessário lutar diretamente pelo não pagamento da dívida. Precisamos construir uma alternativa política de independência de classe, independente do PT e não confiar em Lula 2018 como saída.

Precisamos dar uma resposta de fundo, anticapitalista, que aponte claramente o único caminho que pode resolver de fato a crise, que é atacar a propriedade privada e que sejam os capitalistas que paguem pela crise. A luta pelo não pagamento da dívida pública é parte fundamental disso.

A direita está apresentando uma resposta ofensiva para a crise, para que sejam nós trabalhadores que paguemos. Nós do MRT consideramos que a esquerda comete um erro grave ao abandonar um programa e uma perspectiva anticapitalista e antisistema, se adaptando ao projeto lulista e petista de conciliação. Com o ódio aos políticos que existe hoje e a visão correta de que o conjunto do sistema é podre, ao a esquerda não apresentar-se como claramente anticapilista e revolucionária, é a direita tipo Bolsonaro que se apresenta como alternativa.

Nós do Esquerda Diário e do MRT impulsionamos uma campanha na medida das nossas forças, mas é preciso algo muito maior, que envolva os parlamentares do PSOL colocando seu peso político e cada sindicato onde a esquerda tem peso colocando-se a serviço dessa batalha, que é em primeiro lugar de desmascarar essa fraude e torná-la conhecida entre as massas, já que há décadas conseguem esconder esse absurdo.


Carolina Cacau em ato no Rio batalhando pelo não pagamento da dívida pública

A partir de uma ampla campanha de denúncia podemos ganhar base de apoio para chamar mobilizações ao redor dessa demanda.




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